Foi um longo inverno (ou, “Porquê você quer mais Tempo, mesmo que não saiba?”)…

Estou de volta. Foi um longo inverno por aqui, concordo e lamento. Como penitência, faço um texto longuíssimo. (Pensando bem, a penitência é sua que vai tentar ler isso tudo… Me perdoe, de coração).

Acomodar uma nova formação acadêmica em minha vida foi tarefa mais desafiadora do que eu poderia imaginar. Mas, claro, não foi só isso. Escrever só por escrever nunca foi a minha vontade. E 2018 teve tanta pauta, e tanta lama, que parecia ser impossível discutir qualquer tema relevante, sem muito esforço e muito estudo. E tudo isso demandava tempo. Tempo: O commodity que eu não tinha.

Diz “o Livro da Economia” (Ed. Globo, 2012) que a primeira lição da Economia é a Escassez: Não há nada que queiramos em quantidade suficiente para todos os que querem. Pela diversão, embora fuja ao ponto, a segunda parte dessa lição cita que a primeira lição da Política é ignorar completamente a primeira lição da Economia. Mas, voltando… Commodities

Bem, novamente, no ramo da Economia, as commodities são as matérias-primas de circulação mundial, isso porque sem elas, nada pode ser produzido. O aço, a água, o milho…

Um outro commodity é o Tempo. Ok, não vejo como vender tempo, no sentido literal da tradição, de tal modo que eu venha a viver um ano a menos e você, um ano a mais, mediante um pagamento substancial de dinheiro seu para mim… Outro problema em colocar o Tempo como commodity, é que a definição clássica espera que um commodity tenha um preço quase tabelado ao redor do globo, não importando sua origem, ou sua história. Quer dizer: Um saco de milho do Brasil não tem muito motivo para ser 2x mais caro, melhor, mais milho, ou 2x mais barato, pior, ou menos milho do que um saco desse commodity vindo dos EUA. Claro que há todo o problema tarifário, tecnológico, de infraestrutura, mas ei… Não é disso que quero falar… A teoria pura das commodities diz que esses materiais básicos para a produção são 100% fungíveis e têm preços muito semelhantes quando feitos por competidores do mesmo tamanho. Isso porque por serem matérias-primas e, portanto, não refinadas, nem trabalhadas para serem o produto final, o valor agregado é o menor possível. Daí a pasteurização pecuniária.

Não é bem assim com o Tempo… Como Marx propõe no capítulo I do livro “O Capital”, percebemos que o Tempo de um empregado hábil, com ferramentas, tecnologia, ciência, nunca custará o mesmo que o tempo de um empregado sem essas características. E assim é com a vida:

Uma hora a mais de vida para alguém a beira da morte, parece valer qualquer esforço. Para um jovem de 17 anos, as horas são um recurso em sobra e até irritantes: Ele não vê a hora de atingir os 18. Pularia todo aquele ano enfadonho, se a opção lhe fosse dada.

Pois bem, já me parece razoável a certeza de que a ideia de que as horas de nossas vidas não custam a mesma coisa, está clara para quem lê. Não é a mesma, sequer para a mesma pessoa (o jovem que pularia todo o tempo dos 17 para os 18, não cederia um minuto de vida, se assim pudesse evitar, quando chegasse a hora derradeira).
Mas afinal, do que estamos falando por aqui? Na verdade, e sendo bem sincero: De nada. Diferente de outros textos que já escrevi, este aqui só quer conversar contigo. Sem pretensões. Só meus achismos.

Com 32, indo para 33, sinto desejo por algo novo: O tempo é tudo que eu quero. Nem casa na praia, nem carro do ano. Troco tudo isso por mais tempo. Você vai dizer “tá bom… Vamos ver se recusará se alguém bater na sua porta e te der tudo isso”. E aí te direi “você entendeu tudo errado: Claro que vou aceitar. Mas, para poder vender tudo e com esse dinheiro, comprar mais tempo pra mim”.

Aí que está a teoria de tudo: Tempo é commodity. E commodity é um bem que se compra. Já expliquei isso antes. E daqui, ocorre-me outro desdobramento: A insanidade com a qual convivemos pacificamente é que trabalhamos para comprar de volta o que sempre foi nosso: O Tempo. Vamos perder um tempo (já sentiu o prejuízo, hein?) nessa parte…

O que você vende para a empresa onde trabalha é seu tempo. Se for o dono da empresa, a empresa passa a ser sua razão de existir e, com isso, todo seu tempo é dela. Assim, empregado ou dono, você vende seu tempo de vida para alguém (mesmo que o patrão seja você).

Você recebe, em troca, dinheiro. A quantidade desse dinheiro depende de muitos fatores, alguns até imorais (como o incompetente filho do dono, que tem cargo de diretor). Outros são a expressão máxima da ideia de meritocracia, como a faculdade com bom nome, o histórico com notas altas, a pós-graduação, os idiomas, as especializações… Por aí vai.

Porém, embora você, engenheiro, médico, advogado ( = chavões) venda suas ~8h de forma mais cara do que o desqualificado, não necessariamente você vive mais (ou melhor) do que ele. Senão vejamos:

Um gerente de empresas tem um salário – bem – maior do que o estagiário. Mas quando as férias escolares chegam, é o estagiário que vai para a balada e, depois, transa mais que funileiro gaúcho (piada interna, perdão), enquanto o gerente pode estar fazendo turnos de 10 a 12 horas diárias, chegando em casa quando os filhos já dormem, e a mulher já saiu do clima de festinha, se é que me entende… Parece exagerado, eu sei. Quem dera o fosse. Não é.

Eu trabalho com as maiores corporações do país, graças ao emprego que tenho (em uma das 5 companhias mais valiosas do mundo). Eu lido rotineiramente com líderes de equipe, quando não com diretores e, em geral, todos sofreram um bocado para estarem onde estão. E o que vejo e ouço na vivência com eles me garante: Eles não são mais livres ou vivem mais que o analista júnior. Comparar com o estagiário é até mancada. Não o farei mais.

Alguém vai me derrubar “do devaneio” que estou construindo. Vão me dizer “Tá bom… Mas o gerente passa as férias nas Bahamas e vai ao Aeroporto de Mercedes. Seu analista júnior não pode comer bife todos os dias da semana, ou vai à falência”.
O argumento é cruel; não posso deixar de reconhecer a obviedade de que meus gostos e meus sonhos só podem ser alcançados sendo o Engenheiro e jamais o Estagiário. Mostra o tipo de sociedade consumista em que nos moldamos. “Você é o que você tem e pode mostrar”, a maioria vai dizer. É uma realidade. Mas também é uma mentira. E eu vou tentar provar o erro que me parece existir nessa filosofia.

O primeiro aspecto a considerar é um tanto óbvio, porém, continuamente ignorado. O Estagiário realmente não vai às Bahamas. Não dá. Não com o que ele ganha. Mas eu tenho CERTEZA que ele se encontra “com os parças”, toda semana. E quando o dinheiro do goró (jovens, vocês ainda usam “goró”?) acaba, isso não importa. Um faz “o corre” do outro. E se ninguém tiver, não tem problema 2.0: Sentam na sala da casa da mãe de um deles, e jogam conversa fora. O Tang é bom. A conversa, melhor ainda.

O Gerente, o Diretor, realmente vão às Bahamas. A cada quantos anos? Dois? Três? Só quando o casamento está acabando? Quando pegaram a mulher no Tinder, cansada de se deitar sozinha? Vão levar os filhos também, aquelas crianças que eles não sabem nada a respeito, mas que sabem que trouxeram ao mundo. Eles verão e desfrutarão coisas que o Estagiário só pode sonhar. Por 7 ou 15 dias a cada 2 ou 3 anos.

Não consigo me decidir de quem tenho mais dó.

Não sou hipócrita: Tenho sonhos, gostos e hobbies caros. Tenho um padrão de vida que não pode ser adquirido com sorriso no rosto e vida bucólica. Conheci os EUA em várias partes, o Chile, a África do Sul de Sul a Norte. Não dá para fazer o que faço com mil e duzentos reais por mês. Simplesmente não dá.

Mas eu jamais me permito esquecer: A única coisa que faz valer a pena sair da cama para perder 10 ou 12 horas do meu dia enriquecendo acionistas, não é o dinheiro em si. É o que ele me permite fazer. Daqui, decorrem mais alguns fatos para você analisar – como eu faço agora: Ninguém sobrevive num emprego como o que tenho, trabalhando 8h por dia. Ninguém. Podem lhe contar a mentira que quiserem. Não dá. Os mais “pé no freio”, como eu, fazem 10h. Os gerentes fazem 12h. Os alucinados, esses já não sabem mais dizer ao certo. Outro fato é que, realmente, é mentira se alguém lhe disser que a empresa nos obriga a isso. Ela não obriga. Você apenas não tem condições de entregar o que o cliente final contratou e ainda se manter em dia com as obrigações como funcionário dela. A armadilha está montada. Ela não te pede isso. Apenas é impossível ser um profissional bom sem fazer isso. E os profissionais não-bons, não-duram (com o perdão do “trocadilho gráfico”).

Eu trabalho para viver ou vivo para trabalhar? Tem horas que a diferença é impossível de se ver a olho nu. Porém, é só se lembrar de algo doloroso de se encarar: Você nasceu em uma família, e cresceu com amigos. A carreira só veio bem depois na sua vida, lá pelos 16 ou até mesmo 20 anos. E você quer voluntariamente passar mais tempo com a última, em preterição aos 2 grupos primeiros?
Que você não se engane: Ninguém aqui está vendendo sonhos. Só pode descansar no galho alto da árvore, quem se deu ao trabalho de subir até lá. E se você nasceu pobre como eu, em uma periferia que nem asfalto tinha, a subida é uma merda, eu sei. Só que aqui mora o truque supremo do Diabo: Para que (e não por que) você quer ir até o galho mais alto? A maioria das pessoas com quem falei, não soube responder com grande clareza. Algumas ensaiam um “é pela vista”. Ao que retruco “e quem vai subir com você até lá para discutir aquilo tudo que se vê, e como foi a viagem até ali?”. A maioria desisti aqui. Alguns são o exército de um homem só: “Quem não aguentar a subida, não é digno do que nos aguarda lá no alto”. Ok, Rambo… É seu direito pensar assim. O mundo só pode ser separado em vencedores e perdedores, você me diz. Respeito. É tosco. Mas respeito.

Do meu lado, está bem claro: Não faz o menor sentido ter o melhor vinho de 2018 na minha adega, para abri-lo sozinho e tomá-lo inteiro, sem ninguém para comentar todos aqueles aromas e sensações. Isso [de tomar uma garrafa, solo] é coisa de alcoólatra; não quero ser um.

Cada um sabe qual é o seu WLB (Work-Life Balance, sigla da nave-mãe onde vendo minha vida), é bem verdade. Para mim, WLB é ter a ajuda do meu gerente para estar na faculdade, por mais 4 anos no mínimo, das 19h às 22h, segunda a sexta, no período tipicamente letivo do Brasil. Para outros colegas, WLB é ter milhas infinitas para viajar de graça. Nenhum dos dois está errado. É só cada um correndo atrás do que quer. Só que tem uma coisa: Eu já passei tempo demais em saguão de aeroporto, hall de hotel, e dentro de carros para saber que essas horas não voltam. Nenhuma delas, não importa como você as empregue, voltam, na verdade.

10 horas numa festa com os amigos, ou 10 horas dormindo. Ou ainda, 10 horas em uma UTI de hospital. São 10 horas. E nenhuma delas tem o mesmo preço. Marx all over again

Eu vou te contar o melhor que ocorreu em 2018, comigo: Eu passei 4 dias com minha segunda família. Aquela feita pelas amizades que forjei no caminho que já percorri. Nem todos estavam lá, verdade. A vida não deixa que nada seja pleno, perfeito ou eterno. É parte da ironia que nos maltrata e que também a deixa tão bonita. Não foi de graça, claro. Pagar metade de um salário-mínimo é um luxo, num país com 13 milhões de desempregados. Não sou idiota e entendo como eu pude fazer isso.

Mas quer saber?

Somos nós que criamos as prisões em que nos trancafiamos. Nós dizemos qual é o preço. Nós dizemos que para ver os amigos, rir, falar besteira, aos 33 anos de idade, precisa custar X vezes mais do que custava quando éramos todos estudantes pobres em uma escola pública por aí. Novamente, não sou idiota: Eu quero estar com eles, tomar boa cerveja, comer carne na brasa, ter café da manhã com todos os requintes que desejo. E tudo isso custa dinheiro… Mas esse não é o problema… O problema vem abaixo.

Estamos, todos nós, morrendo, o tempo todo. Nesse exato minuto, você e eu estamos mais perto da morte. E ninguém sobrevive a ela. Eu garanto. Só que o sistema que criamos (e se não criamos, no mínimo, sustentamos com cada escolha que fazemos) diz que a única forma de viver com conforto, corretamente, dignamente – use o adjetivo preferido – é vendo o cliente 40 ou 60 horas por semana, e vendo os amigos 3 horas por mês, ou indo com a mulher para as Bahamas a cada 2 anos, por 15 míseros dias. Seu filho deu o primeiro passo, e você estava fazendo hora-extra. E você diz “é por ele”. Bem, só tome o cuidado de não pôr tudo na conta dele. Não se assuste se um dia você chegar em casa e ele estiver com barba. A escolha foi sua, nunca dele. Se você for um completo estranho para aquele cara com 15 anos que ainda ontem você trocava fraldas, não diga que foi tudo por ele. Me parece um pouco covarde ou desonesto. Foi por você. Como meus hobbies são por mim. Se eu preciso ter uma adega com 30 garrafas dentro, não é pela adega. Não é pela minha noiva, nem pela minha mãe. É por mim. E tem um preço. O preço é medido em dias da minha vida. Dias e horas que não me pertencem, porque eu os vendo. Se vendo por um preço justo, a história que fiz e faço dirá.

Para todo o apaixonado pelo vil metal, pelo contracheque, pelos zeros que se acumulam na conta… Fica só uma sugestão: Tome cuidado para não gastar tudo que acumulou, sozinho e/ou numa cama de hospital. Ter um milhão é legal, claro. Olhar pro lado e saber que você não poderia estar melhor acompanhado (família, amor, amigos, cachorro, whatever) é muito melhor. Se você conseguiu os dois, te parabenizo e te invejo. Quem sabe um dia. Mas te garanto que conhecer a Savana africana com 30 é melhor do que conhecer com 60 ou 70, quando as costas já não aguentam mais a dor da estrada de terra. O tempo do garoto não custa o mesmo do velho, lembre-se disso.

Toda vez que você vende barato o que não tem preço (a.k.a. seu tempo nesse mundo), você está sempre dizendo que é pelos outros, ou pelo futuro, ou sabe lá em nome do que. Enquanto isso, o que escorre pelas suas mãos é a vida. A única que você terá aqui. Se houver outra, só tem um jeito de saber, e é um preço caro demais para se pagar e confirmar.

Eu disse que não ia vender sonhos. E continuo dizendo: Semana que vem, eu vou estar no trabalho. Os boletos continuam chegando. Da faculdade, do aluguel, do vinho. Eu quero tudo isso. Mas as prioridades têm de ser claras para mim. Eu não vou vender o tempo que sempre foi meu para conseguir mais dinheiro, para guardar mais, para ter mais bens que não vou utilizar (porque estarei fazendo hora-extra em algum lugar, para enriquecer alguém que não sou eu), para um dia, quem sabe, se a loucura do hospício que é o mundo adulto não tiver me roubado toda a saúde, eu, enfim, aproveitar isso tudo. Lembrando o que eu já disse: Miami com 30 anos é bem melhor que Miami com 60. E com 20, é melhor que com 30. A disposição, a aventura, a doçura das memórias; essas coisas não podem ser compradas.

Estamos todos em rota de colisão com o fim. A vida é agora. Longe de mim entrar na onda idiota do “Carpe Diem”, lema romano usado no fim do império, já na decadência, para justificar abusos e inconsequências. Quem me conhece sabe muito bem que esse não sou eu.

Mas 2019 será um ano que dedicarei a viver com menos. Eu vou enxugar os gastos, reduzir o que puder, sem tornar a vida enfadonha, sem tornar o emprego insuportável (eu vou para lá, por tudo o que ele me permite fazer fora de lá; nunca me esqueço dessa ordem) e, então, eu vou saber de quanto preciso para manter a roda girando. E em 2020, a meta é trabalhar menos.

O homem planeja e Deus ri, é verdade. Só estou compartilhando um plano. Planos mudam. Nem por isso, devemos deixar de fazê-los… Eles nos dão Norte para seguir nas horas mais escuras.

Mas eu sei o que faz a vida valer a pena. E não tem nada a ver com meu cargo, meu e-mail, ou meu currículo. Não que essas coisas sejam ruins. Pelo contrário: É o melhor lugar em que já trabalhei em toda a minha vida. O melhor gerente, a melhor equipe. Mas houve um tempo em que todas as horas da minha vida eram minhas, e como o estagiário, eu via constantemente as pessoas que fazem o mundo ser um lugar que vale a pena estar. É isso que eu quero. O caixão não terá cofre. Só vão lembrar de mim, as pessoas com quem eu me relacionei humanamente. Nenhuma empresa em que troquei o servidor de e-mails fará uma homenagem quando eu partir.

Agora, eu vendo minhas horas por um preço que não atinge 13% do valor que elas geram para minha companhia. Detalhe sórdido: Fiz a conta com o salário bruto, como se não houvessem impostos. E alguns dos meus colegas estão determinados a não ver os amigos, não ver os filhos, perder a mulher para o encanador… Alguns porque tem um plano, e o sacrifício é valido, com começo, meio e fim. Eles têm minha admiração, no entanto ela valha de nada. Porém, outros tantos o fazem porque disseram para si que “não há outra forma”. Pois, minha meta será achar outra forma. Porque estou morrendo. Todos estamos.

Memento mori, diziam os sábios antigos.

Eu me lembro. Eu realmente me lembro…

2017 acabou… 2018 será um Novo Ano… (Spoiler Alert: Mentira.)

É 31 de dezembro, e uma obsessão toma os corações e mentes dos meus parentes, amigos, e até do desconhecido com quem trombei no mercado, hoje…

… Ele escolhia um vinho e, ao me pedir licença, decidiu fazer votos de Feliz Ano-Novo ao gordinho desconhecido que havia incomodado (com razão, pois, eu o atrapalhava enquanto me decidia). No votos, fez questão de dizer que estava cheio de esperança e fé de que nós todos teríamos um ano brilhante em 2018.
Era o que ele sentia “no ar”. Eu sentia cheiro de Pinho-Sol, porque alguém fez o favor de derrubar uma garrafa no chão.
A encarregada da limpeza, assim como eu, sabia – pelo menos, naquele momento, em que trabalhava em pleno dia 31 de dezembro – que não tinha nada de diferente “no ar”. É um banho de realidade frustrante. E de Pinho-Sol, também. Para ela, 31 vai ser igual à 1 de janeiro – porque ela folgou no Natal inteiro, e vai trabalhar os 2 dias, o que me revelou conforme conversei com ela sobre a infelicidade de lidar com o vinho derramado…

Réveillon:
Do francês, “RÉVEILLER”, ou seja, “acordar”, herança da palavra em Latim, “VELARE”, ou “fazer vigília”.

Sim. É só isso. Nada além.
Não significa, por exemplo, “momento em que os ciclos universais se alinham e tudo na galaxia é reiniciado, para que você tenha mais uma folha em branco, nas mãos, ó ser mais importante do Cosmos: Você.”…

Quanto às reais diferenças entre “2017” e “2018”, fica ainda pior porque, essa medição do tempo (a.k.a.: ” Éon, Eras, Períodos, Épocas, Milênios, Séculos, Décadas, Anos, Meses, Semanas, Dias, Horas, Minutos, Segundos… Décimos (de seg.), Centésimos, Milésimos (e segue))… Essa medição de tempo é artificial.
Como quase toda observação científica que o homem realiza, “medir o tempo” é o jeito que a Ciência achou para “colocar em caixinhas” (= explicar por um modelo reproduzível) a degradação natural do Universo (e tudo [incluindo você] dentro dele) com o passar do Tempo (“Tempo”… Outro conceito humano)…

O problema é que o Universo está TÃO CAGANDO pra nossa medição, que ele SEQUER se dá ao trabalho de fazer a translação da Terra ser “perfeita”…
Bem, vamos lá… A Terra nunca “despencou” no vazio (“cima” e “baixo” no Espaço Sideral são conceitos inúteis… “Despencar”, portanto, é outro desses inúteis conceitos…)… Se ela nunca despencou, falar que a translação “não é perfeita”, é um pouco arrogante da minha parte…
Mas, em minha defesa, a “palhaçada” é  que a Terra leva 365 dias de 24 horas, MAIS 6 horas (Na verdade, o número preciso é 365,256 dias, o que dá uma sobra de pouco mais de 6 horas [6.144 horas]… MAS, QUEM ESTÁ CONTANDO,  NÃO É MESMO??? [Enquanto visto minha roupa branca nova, para a mais importante meia-noite do ano]), para fechar uma volta elliptical em torno do nosso Sol, uma estrela de classe espectral G (tipo G2V), informalmente chamada de “Anã Amarela” (e, antigamente, chamávamos de “Estrela de 5ª grandeza”…); de novo: Definições humanas, para coisas que estavam bem, muito bem mesmo, antes de nós classificarmos todas elas.

Defendo-me, de novo, (os tempos de hostilidade virtual tornam o indivíduo covarde, ao ponto de se defender previamente de quase tudo que ele possa imaginar que vão acusá-lo, mais tarde) dizendo que não sou contra o árduo e valoroso trabalho científico, feito por gerações, para estabelecer padrões, sistemas, regras de classificação e tudo aquilo que nos ajuda a entender o Universo em que vivemos…

A crítica aqui é bem mais simples e bem menos pretensiosa do que desmoralizar todo o sistema de classificação do Tempo, das Estrelas, das dimensões espaciais (e da po@#$@# toda)… A real crítica é:

Não há NADA de mágico, místico, cósmico, e/ou significativo, universalmente perfeito e engendrado…

…para suportar a ideia de que “um novo Ano se inicia, a partir da meia-noite”. E, no lugar da palavra “Ano”, coloque a semântica de “ciclo”, “fase da raça humana”, “nova etapa da sua vida” e etc….

Se você acha que “tudo vai ser diferente”, somente porque “2017 acabou”, ou porque você supõe (incorretamente) que a Terra perfez uma volta completa em torno do Sol, saiba que você se engana em dose dupla.

A Terra não terminou de dar uma volta ao redor do Sol.

Sua vida não vai mudar “um milésimo de segundo” na Bússola imaginaria que a norteia, só porque agora, o calendário de 2017 tem sua última folhinha arrancada, e começa 2018…

Existe um sem número de boas razões para se medir o Tempo, como a importância disso para a Agricultura, nosso modelo de Medicina (da gestão de uma gravidez, até o tratamento contra as Neoplasias e etc….). Tudo isso é balizado com o Tempo em mente.

Mas, por outro lado, existe essa insana tara de que “o ano que vem” vai mudar sua vida, só porque antes era um número impar, e agora vai ser um número par.

“Em 2018, vou emagrecer”… “No Ano Novo, eu assumo o controle da minha carreira”… “Ano que vem, o Brasil vai sair da lama”…
Desculpe-me pela sinceridade e indelicadeza: Quanta bobagem.

O tedioso momento “Paulo Coelho”, e a arte de escrever auto-ajuda em 15 minutos…

…me forçam a dizer algo que é bem óbvio mas que costuma ser a última coisa a ser lembrada: Sua vida – ou algum aspecto dela – não vai mudar de estado “A” para “B”, só porque você se vestiu de branco, comeu lentilha, tomou Champagne (eu não tenho dinheiro para Champagne de verdade… Vou tomar espumante mesmo), pulou ondinha, queimou fogos, abraçou as pessoas que não viu o ano todo… E zaz…

A Mastercard adora isso.
A Vivo também.
Na verdade, a Publicidade sabe como brincar com almas e mentes, em um período tão emocional como as festas de fim de ano, e é por isso que as peças publicitárias de fim de ano são cheias de chavões como “Começar o ano com quem você ama: Não tem preço”, ou “Em 2018, viva mais o sim, e menos o não”, ou ainda “Abrace as novas idéias, e abandone os preconceitos em 2018″…
BULL…SHIT…

Se você ama alguém, melhor amar sempre que possível (mas, não o tempo todo, porque isso não é normal, nem sadio e, de novo, isso não é um comercial de TV), porque é muita presunção sua, achar que ela(e) (ou você!) vai estar viva(o) até a próxima queima de fogos… Se você esperou até o Ano Novo pra notar como essa pessoa muda sua vida (ao ponto de fazer o Novo Ano ser diferente do anterior, só por estar presente), você é muito TAPADO(A).

Se você quer combater preconceitos que você tem e exercita contra os outros – em tempo, ponto pra você por querer mudar isso – pelo amor de qualquer coisa que você acredite: Comece ontem… Comece mês passado. Não espere o Ano Novo, não… É um desserviço o que você está fazendo com os outros e com você…

Se você quer emagrecer… Esperar o Ano Novo é uma dupla roubada:

a) As academias estarão fechadas no dia 1 de janeiro (a menos que sejam de donos retardados e sem humanidade pelos funcionários e suas famílias).

b) Você esperou a época do ano em que mais se come, e em que mais se come pratos de alta caloria para, em seguida, entrar em um regime forte… Significa que seu corpo foi mimado com 4 mil Kilo-calorias numa Semana-Ceia constantes, e agora você espera que ele trabalhe com 1.800 KCal, daqui pra frente… Genial da sua parte…

Todos os exemplos acima, se resumem em uma explicação AGRESSIVAMENTE caricata de livros de auto-ajuda – que eu detesto, por motivos que não tenho como defender aqui, sem misturar demais – :
A única forma de mudar sua vida, os rumos, os aspectos, os resultados e os caminhos dela; é se você quiser mudar suas atitudes, suas opiniões, suas ações e, no fim, você mesmo.

Eu disse que fedia à auto-ajuda… Fazer o que, se é a mensagem correta… Mas isso não promove a auto-ajuda à emissária da verdade… Até um relógio mecânico, quando quebrado, está certo 2 vezes por dia…

E esse é todo o ponto que me motivou a escrever hoje…

Vejo todos esperançosos com 2018… Fazendo o mesmo que fizeram em 2017, que já faziam em 2016, e que já tinham feito em 2015…

A ilusão não é má (por exemplo, o menino que crê no Coelho da Páscoa, ou a menina que acredita na Princesa), exceto quando essa ilusão desvia o foco do iludido para longe do que realmente causa o que o incomodou, em primeiro lugar…

2017 não me engordou uma grama…

…foi bem mais (tipo… 100%) o hábito de comer hambúrgueres deliciosos (mas gordurosos) + ficar no sofá vendo TV, ao invés de ir pra Academia, o que realmente me arrebentou na luta com a balança (“luta” que eu não travei… Não era minha meta emagrecer neste ano; muito embora, estar em dia com o peso seja sempre bem-vindo, não me propus à isso, em primeiro lugar).

Eu prometi ler um livro por mês; sai até do convívio diário com as redes sociais sob a idéia de estudar mais, de ler mais os grandes autores… E terminei lendo apenas 4 dos 12 livros que deveria ter lido… 4 é melhor que zero, claro… Mas, 4 está bem longe dos 12 que eu me propus…

“Em 2018, vou ler os 12!”… Bem, EU (e não 2018) poderia ter quebrado um galho para essa meta e, ao invés de passar 1 hora escrevendo esse texto, ter iniciado “o primeiro livro de 2018”, já em 2017… Preferi procrastinar por aqui…

E é por este tipo de coisa que o Brasil (e a sua e a minha vida) vai seguir sendo uma porcaria em 2018…

…porque, mesmo com 47 mil mortos nas vias públicas brasileiras em 2017 (fonte) – mais que as guerras da Síria e do Iraque mataram no ano que se encerra – a cada 10 veículos vistoriados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), 6 foram multados por infrações graves como cintos de segurança quebrados, pneus carecas, ou embriaguez ao volante (mais combos de criança sem cadeira de segurança no banco de trás, e sem cinto), conforme matéria que foi ao ar na Globo News, ontem.

Assim sendo, o simples desejo de que “o Mundo seja melhor”, contanto que você não precise fazer um único esforço nesse mesmo sentido, é o que mantém as engrenagens da realidade em que vivemos, idênticas, ao longo dos anos. As datas em si, são meras espectadoras da nossa estupidez.

Os políticos do país em 2017, seguem sendo os mesmos em 2018.
As pessoas jogando lixo na rua, pichando muros, ouvindo “música” (à empresa Vivo e sua peça publicitária: Não, não é Cultura. É Lixo, mesmo. Fede. Muito.) alta e incomodando toda a vizinhança, seguem agindo assim.
Você segue sem ir pra academia, e eu sigo sem ler os livros que prometi e queimando tempo nesses posts que – quase – ninguém lê.

Os lunáticos no poder, mundo afora, seguem lunáticos, e com poder (Trump, Kim Jong-Un, Maduro, ISIS, Bashar al-Assad… a lista é enorme), também em 2018…

Tudo está garantido para que 2018 seja idêntico ao ano que termina, hoje – ou pior, a considerar o ano de eleições para a presidência da Republica do Brasil, e as opções que vão se destacando…

Alguns vão ler esse post como um post negativo… Pessimista.
Eu, autor dele, por outro lado, enxergo como uma visita ao espelho: Nada muda em 2018. Nada. A não ser que eu mude primeiro.

Esperar por 2018 ou 20xx (onde “xx” é o seu número predileto) é tão lógico e/ou eficiente quanto descobrir um câncer mas, esperar que ele melhore em 3 ou 4 anos, e suspender as visitas ao médico, até lá.
Boa sorte com essa estratégia!

Ao pensar no porquê lutamos tanto contra mudanças; no estilo de vida, na alimentação, nos horários e atividades,  nas regras trabalhistas (não ouso significar, neste momento, que são boas ou más), nas regras da previdência (idem à anterior), na nossa relação com a Lei e com a Ordem, na nossa conduta um com o outro…
Ocorre-me o que aprendi em uma das leituras sobre psicologia: Mudança SEMPRE causa dor.
E a única forma de empurrar um ser humano saudável no caminho da dor, é se continuar no caminho atual causar mais dor do que trilhar o novo caminho (que seria a mudança, neste caso).

E é por este e outros motivos, que até para cima de uma mudança artificial, e sem respaldo algum da natureza (lembre-se que a Terra não fechará mais 1 ano sideral, hoje, à meia-noite), tentamos – sem sucesso – empurrar a nossa responsabilidade de assumir o que deu errado, e tomar as medidas que precisam ser tomadas para não persistir no erro.
Pensando bem, coitado do Ano Novo: Já nasce com o peso das expectativas de todo o mundo (literalmente) nas suas costas… Expectativas que deveriam recair sobre cada um, e não nele.

Para encerrar, atribui-se erroneamente à Einstein, a frase:

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

Mas nem pela incorreta atribuição, a frase deixa de ser verdade. E é essa reflexão que desejo a você, não em 2018 mas, imediatamente.

Porque, disse Paulo Coelho (agora sim, corretamente atribuído): “Há verdades mais verdadeiras que a própria verdade”. E essa é uma delas:

Se você acha que 2018 vai ser diferente, mas pretende fazer tudo como sempre fez até aqui, você é insano(a).

Feliz 2018!

PS: Não se engane: Tendo sentido ou não, eu vou aproveitar a grande festa de Ano Novo com amigos e pessoas queridas, sem dúvidas! Espero que você faça o mesmo. 

Uma pizza interminável, amarga e indigesta…

No Brasil, estima-se que são consumidas  entre 1 e 1.5 milhão de pizzas diariamente, nas mais de 36 mil pizzarias do país.
Só em SP, são 1 milhão de pizzas por dia…

É claro… Pelos números, essa pesquisa não incluiu Brasília…

A charge mostra Senado e Câmara, em Brasília, como um forno de pizza.
Infelizmente, não achei os dados do autor da Charge, para o devido crédito. A imagem, contudo, não poderia ser melhor para ilustrar o respeito que as casas legislativas inspiram…

Este é um post expresso: Não tenho o tempo necessário para pesquisar e redigir e, talvez, não devesse escrever se não posso fazê-lo do jeito certo. Aliás, este é o principal motivo de se passar tanto tempo sem coisas novas por aqui. Mas, tem horas que você precisa dizer algo, ainda que não seja o melhor que pode dizer.

E, mais uma vez, o Legislativo (com letra maiúscula, para representar o tamanho esperado de um poder democrático) brasileiro fez o que faz de melhor: Manchou qualquer espaço que ainda resistia branco, com o molho da Pizza que faz tão bem desde o fim da Ditadura.

De Dilma para cá, o que mudou?

Ainda que diante de toda a nojeira que vemos em Temer, Aécio, PMDB e PSDB… Eu continuo acreditando que o impeachment de Dilma era necessário.

O país estava congelado no meio do impasse político que Dilma e sua linha autoritária gerava com os demais Poderes; a economia naufragava – com os investidores internacionais fugindo aos montes – nos planos que só a presidente e seu alto escalão acreditavam; a casa legislativa não funcionava com ela (e o Executivo precisa do Legislativo para mudar qualquer coisa no país…) e, no fim das contas, a relação Dilma/Poder estava completamente disfuncional.
Ela era delirante nas declarações finais de seu governo, e expunha o Brasil, enquanto nação, ao ridículo nos fóruns econômicos e políticos, mundo à fora.

Tá certo: Tenho que confessar saudades das pérolas que só ela sabia fazer… O vento ensacado, o dia das crianças-animais, saudando a mandioca, a aritmética complexa do preço do gás… Enfim…

Mas, quem apostava que o problema era o Partido dos Trabalhadores, tem que reconhecer o óbvio “ululante” (porque essa palavra eleva a seriedade do que escrevo):
No aspecto moral, nada melhorou, realmente, desde que Dilma se foi. De certa forma, a coisa ficou pior:

Com Dilma, os ratos se atacavam e se destruíam, num espetáculo horroroso, mas fundamental para mostrar ao brasileiro comum, desligado do dia-a-dia de Brasília, a triste dureza da realidade política dos Poderes que guiam o destino desta nação e, em última instância, de cada um dos seres que tiveram a sorte (boa ou ruim) de nascer aqui. Foi uma época de muita efervescência social

Sem Dilma, os ratos “fecharam” com as ratazanas. Estão unidos, na missão de estancar, não a desonestidade, o crime, a safadeza… Mas, tudo e todos que possam combater seu estilo de vida. Estilo criminoso, sujo e imoral de vida; cabe acrescentar.

Ontem, só mais um capítulo pra uns; mas, eu não vi assim: Quando Aécio sai pela porta da frente de uma grave acusação apreciada no STF – porta negada à Delcídio, então Senador, em situação parecidíssima – eu vejo que o Mal (com letra maiúscula) voltou a se organizar em Brasília.
E quem vota contra, não necessariamente o faz pelo melhor futuro ao país: Faz para se vingar, faz para dar o troco, e que se dane o certo, o moral, e etc. Há quem falte à sessão, por motivos legítimos, ou só para se livrar da responsabilidade…

Sempre foi podre:

Desde a retomada democrática, pós-diretas, com Sarney (sim, há mais de 30 anos, ele já era raposa velha nesse galinheiro, e ainda hoje, dá as cartas aqui e ali), depois com Collor que não chegou a ver o fim do seu mandato.

Depois, com Itamar e FHC que estabeleceram as bases do “modus-operandi” atual do grande balcão de negócios que Brasília se tornou. Não tinha Lava-a-Jato, mas não faltou escândalo, do mesmo modo. Teve Proer, teve privatização com muita propina na Telebras e Vale do Rio Doce, teve Precatórios. Recentemente, FHC admitiu que conhecia as irregularidades da Petrobras que foram levadas ao extremo no governo seguinte… Enfim… Pode até não ter havido barulho, mas não faltou motivos para ter. Faltou Poderes públicos sérios (MPF, PF, STF), faltou imprensa ativa e, principalmente, faltou sociedade ativa.

Depois vem Lula e Dilma, e todos se lembram muito bem de tudo que deu errado.
Para além de todos os esquemas, dou foco ao Mensalão, que literalmente comprava os votos de cada parlamentar para manobrar o legislativo ao gosto do presidente e de seu partido.
Dou foco porque, se o esquema não impressiona em cifras (diante do que a Lava-a-Jato nos mostrou), impressiona na meta: Acabar com a Democracia. Os “fazedores de lei” votavam de acordo com o que eram pagos, e o governo de Lula/PT conseguia o que quisesse, quando quisesse. Sem discussão de idéias, sem filosofia partidária, sem oposição real.
Para além do mar de escândalos, foi com Lula que acabamos por sedimentar o tal “governo de coalizão”. Esse modelo é o que sacramenta o “balcão”.
Ninguém faz nada em Brasília, sem ter certeza do que vai ganhar com isso. Quer meu apoio? Ótimo, qual cargo seu governo vai disponibilizar para mim/meu partido?

É CLARO que política, mesmo no idealismo de uma sociedade perfeita, se faz na conversa, na negociação e na concessão. É claro que não é crime abrir espaço para pessoas e organizações (partidos) que pensam política como você e seu governo, ou que pensam diferente, mas complementam e somam ao seu ideal .
Mas, quando isso é condição sine qua non para TUDO que você vai fazer através do Poder que lhe foi concedido pelo voto de cada coitado que acreditou em você… Nada de bom pode vir disto.
E aqui não é teoria: Basta olhar para o retrato atual da Política brasileira. Ele é um retrato construído, muito por conta desse balcão onde uma criança só deixa de beber água do esgoto, se alguém ganhar um Ministério.
Exemplo extremado, concordo mas, te fiz entender o problema, eu acho.

Ano que vem, vamos às urnas. Quem sabe, o Brasil cicatriza toda a rachadura social causada por tanta convulsão entre Tucanalhas e Petralhas, Defensores e Detratores, Coxinhas e Mortadelas…
Mas, não há nenhuma garantia: Sem material humano; sem candidato que consiga unificar os desejos de ambos os lados, de forma viável, e representando uma terceira via aos caminhos já trilhados; nada impede que a cisão entre nós cresça até um ponto insuportável.

O brasileiro tem vocação para gostar de histórias felizes, e a maioria acaba achando que, no fim, tudo vai melhorar e se pacificar por si só; mas, talvez, tenhamos entrado num movimento sócio-político inexorável.
Talvez, só nos reste dividir o país em 2 ou 3, como querem os Catalães na Espanha; não exatamente pelos mesmos motivos e precedentes, é verdade…

O que tenho certeza é que, independentemente da existência dessa “terceira via”, diferente de PSDB e PT (com o PMDB SEMPRE no bastidor do Poder), nós brasileiros, que nos dizemos conscientes da necessidade de transcender o crime, a desonestidade e a sujeira como o único meio de governar o Brasil, não temos o direito moral de votar em candidatos do PSDB, PT, ou PMDB (especialmente, deste último, que esteve no poder desde o fim da Ditadura, e joga para o lado que lhe dá Poder, acima de qualquer filosofia), para manter o mínimo da coerência.

Você que acha que o socialismo é o caminho e, independentemente do que penso disto, você precisa votar no candidato do PSOL, do PSTU, do PCO… Arranje algo novo.

Você que acha que o que resolve é a linha dura, o capital livre e etc.: Bem, você vai sofrer mais pra votar. Não existem partidos de Direita no Brasil, por excelência, com cartas de intenção comprometidas com os valores típicos da Direita e etc… Mas existem candidatos. Vai lá ver a lista do PSC, do PEN e, com muito cuidado para não votar em mais “mais do mesmo”, olhe para “outsiders” (termo pop na política) no DEM.

A mensagem final é que, haja o que hajar… Nós não temos o direito de votar em PT, PSDB e PMDB (reforço: sempre esteve no poder, desde Sarney em meados de 80) e, depois, falar em “renovação da Política”, ou que estamos “cansados” do baralho de cartas marcadas de Brasília.

ORAS… Se somos nós que pegamos “as cartas” sempre do mesmo baralho… Do que estamos reclamando???

Ou, pra fechar com a analogia de abertura: O forno está lá e, do forno, sai o que se bota pra cozinhar ali…
Mas, não há como se falar em pizza pior ou melhor, mantendo os mesmos pizzaiolos de sempre.
E nós insistimos neles (e tem MUITA GENTE querendo insistir mais), por tempo demais.

Bom, pra um post improvisado, já falei por tempo demais. Só quero acrescentar que as ratazanas estão organizadas, e a hora já passou e voltou, para que a sociedade civil se organize, e tire todas elas de lá.

“Ah, mas, e se tiramos o rato e colocamos algo pior?”.
Que seja: É melhor errar tentando algo novo, do que apostar no que, mais uma vez, se prova o mais absoluto erro continuado – estendido e repetido – de escolha de um dado povo.


Votaram para devolver mandato a Aécio:

Airton Sandoval (PMDB-SP)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cidinho Santos (PR-MT)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Dalirio Beber (PSDB-SC)
Dário Berger (PMDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Elmano Férrer (PMDB-PI)
Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE)
Fernando Collor (PTC-AL)
Flexa Ribeira (PSDB-PA)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Hélio José (Pros-DF)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino (DEM-RN)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Serra (PSDB-SP)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Telmário Mota (PTB-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zeze Perrella (PMDB-MG)

Votaram para manter afastamento de Aécio (26)

Acir Gurgacz (PDT-RO)
Alvaro Dias (Podemos-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Ângela Portela (PDT-RR)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
José Medeiros (Podemos-MT)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lasier Martins (PSD-RS)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Regina Sousa (PT-PI)
Reguffe (sem partido-DF)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Romário (Podemos-RJ)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Walter Pinheiro (sem partido-BA)

Não votou (1)

Eunicio Oliveira (PMDB-CE) – porque é presidente do Senado

Faltaram à sessão (10)

Aécio Neves (PSDB-MG) – Estava afastado por decisão do STF

Armando Monteiro (PTB-PE)
Cristóvam Buarque (PPS-DF)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Jorge Viana (PT-AC)
Gladson Camelli (PP-AC)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Rose de Freitas (PMDB-ES)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Fonte da lista de votação: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/10/17/estes-senadores-votaram-contra-decisao-do-stf-que-afastou-aecio-do-senado.htm

Quando se é refém em casa.

Esse é um post feito com raiva e desesperança.

Ele ocorre à partir das 3h da manhã do Sábado para Domingo, e ele só ocorre porque tive meu direito Constitucional de não ser submetido à tortura (art. 5, inc. III), violado, mais uma vez.

Sou refém. Refém da minha própria residência, não tenho outro lugar para ir, e é aqui mesmo onde sou torturado e submetido à tratamento desumano e degradante.

Às 3h da manhã, acordei ao som alto do que alguns chamam de “música”. Claro: Não era Beethoven, mas algum “MC”: Em geral, alguém medíocre, sem nenhum talento, idolatrado e seguido por pessoas igualmente, ou ainda mais, medíocres.
Na verdade, é ridículo discutir o que era: Ainda que fosse a melhor peça da música clássica, às 3h da manhã e em volume suficiente para me acordar, seria tortura da mesma forma. Exótica (se fosse Beethoven), concordo, mas ainda assim, tortura, degradante e desumana.

O mais insano quanto à narrar este fato cotidiano para muitos é que a maioria das pessoas que lerem, vão supor que moro perto de alguma “comunidade” (um nome ridículo, ao qual me oponho sempre, apoiado por gente que gosta do politicamente correto, para fazer um lugar desumano e indigno de qualquer cidadão honesto – a favela – parecer melhor e mais digno; já que desistimos, enquanto nação, de tentar resolver esse problema social de décadas, damos um nome que “ofenda menos” – e deixamos as pessoas seguirem vivendo no meio do esgoto, da violência e da precariedade).

O chocante é que não, não moro perto de uma “comunidade” (ou favela, como deve ser dito) mas em uma região recheada de condomínios, e apenas um minúsculo cortiço com uma meia dúzia de casas amontoadas por perto. E é este cortiço que aterroriza uma vizinhança inteira.

Vou pegar emprestado do Google.com, um mapa aéreo para que as pessoas possam ter noção do quão surreal é o que passo, vira e mexe:

vizinhanca
No primeiro balão à direita, onde eu resido. No balão do meio, o “T” onde meia-duzia inferniza a vizinhança inteira. No balão mais à esquerda, em cima, uma casa de repouso para idosos funciona ali…Pergunta: Como temos a falta de vergonha de deixar tão poucos afetarem centenas de pessoas?

Primeiro, peço que note a densidade de prédios e condomínios na área. Depois, perceba que 99% das casas tem dimensões e aparências típicas. Por fim, embora a imagem não coopere, veja que o “T” é a única área de construções irregulares, sem telhado ou acabamento, com lonas cobrindo o teto e etc.

Pois bem: É esse grupo de 6~10 casas/barracos que, regularmente, proíbe uma vizinhança composta por não menos do que centenas de famílias de ter paz (não perdi tempo levantando o número afetado mas, fique a vontade para extrapolar: Só o prédio em que moro, com 2 torres de 20 andares e 3 apartamentos cada, já garante 120 famílias atormentadas por um punhado de gente; todos os prédios ao redor do quarteirão são incomodados pelos infelizes que promovem verdadeiros “pancadões”).
Torturam com som alto, música de péssimo gosto (seria muito ruim, até com música boa, repito – só é “mais péssimo” com o que eles ouvem), gritaria, quando “a festa” não acaba em violência entre os próprios participantes, o que não é raro.
Não ligaria se matassem uns aos outros, mas a violência só serve para fazer as mulheres, envolvidas no “evento”, gritarem escandalosamente, acordando mais uma vez à todos.

Eu faço tudo, e tão somente o que posso: Abro o site da  Policia Militar, cadastro ocorrência por barulho (o famigerado Charlie-1*), e espero uma viatura que nunca veio, nas 2 vezes em que eu decidi acionar a força policial. E adianto o que penso:
É constrangedor remover policiais do verdadeiro serviço policial que deveria ser evitar crimes e ocorrências hediondas, para mediar uma conversa entre alguém torturado psicologicamente, e uma porção de bêbados sem nenhum grau de educação ou civilidade.
Se fossem pessoas equilibradas, eu não precisaria da Polícia como salvaguarda para a conversa ocorrer. Mas, inferno, se fossem pessoas equilibradas, eu nem precisaria da conversa, em primeiro lugar.

Mas, por mais constrangido que eu esteja em tirá-los da verdadeira missão deles, isso é tudo e somente tudo o que posso fazer dentro da legalidade.

E a Polícia não vem. Outra vez.
Podem estar realmente ocupados impedindo que pessoas percam o patrimônio ou até mesmo a vida, e eu prefiro pensar assim, mesmo que sinceramente, e conhecendo como a Força Policial encara esse tipo de ocorrência, eu saiba que eles não costumam vir por não ter nenhuma vontade de lidar com gente alcoolizada, e que pode ser perigosa (a famosa “desinteligência” [onde o policial é ferido em meio à uma briga] é comum nos C-1*) para, no fim, preencherem mais papel na delegacia, do que o dito cujo responsável pelo inferno na Terra…
No país em que o traficante (exceto no flagrante) sai pela porta da frente do DP, após assinar um termo, e antes do policial que faz um boletim civil e outro militar (2 papeladas), o que você acha que acontece com o sujeito que faz um pancadão?
É uma humilhação para eles, os policiais, mas também para mim, que tenho que ir até a delegacia para registrar a queixa, enquanto sou provocado pelo fulaninho que diz que “antes, até ia parar cedo mas, agora, vai tocar até às 8h da manhã”…

Depois de toda tortura à qual eles submetem todos nós, os mais temerários desejos e delírios sobre como “resolver” a crise surgem: Às 5h da manhã, morrendo de cansaço, mas, profundamente irritado e com o ruído ainda em curso, não posso deixar de narrar como seria prazeroso tratá-los via a única língua que eles respeitam: O tapa forte na orelha, o cano da pistola na cara, a pesada no equipamento de som, pago em 100 vezes na Casas Bahia, e vê-lo se quebrar em cem partes, enquanto solta fumaça do tipo que já diz:  “Este, nunca mais”…
O horror.

Censuro-me ferozmente, logo após idealizar essa busca por vingança.
O simples fato de eu conceber a cena, já merece reprimenda.
Mas que não se empolguem os falsos moralistas de plantão: Merece bronca, mas não por eles, porque quero mesmo que eles invertam os fios do aparelho e descubram uma propriedade oculta e catastrófica das bobinas dos alto-falantes, onde elas atingem massa crítica e detonam como TNT, mandando tudo pelos ares.
O que fazem comigo, e com minha família e com todas as outras famílias que moram no mesmo lugar, não me deixa um único milimetro de compaixão ou empatia.
Insisto: Não é por eles que me censuro. Não é porque eles merecem tratamento melhor. Até porque, riem de quem tenta tratá-los respeitosamente. Já vi destratarem o senhor que foi lá, sem reforço policial, exigir o respeito à sua paz.
Mas é por mim que me proíbo. É porque, embora profundamente irritado e raivoso por não ter o direito ao sono; embora exposto à tortura da privação do sono que eles me impõem, eu sei que eu sou melhor do que tudo isso que vocifero em pensamento contra eles.

Eu, quase que em um delírio solitário, brigando por valores superiores que visivelmente não são compartilhados pela sociedade em que vivo, sigo insistindo na quase caduca luta pelo Contrato Social; repúdio à volta do Direito Natural, da superioridade do mais forte, do retorno ao homem primordial e animalesco. Faço isso em toda oportunidade em que alguém quer “resolver no braço” alguma questão…
E como posso discutir isso e pregar isso, quando quero pegar a pistola, a toca ninja, e “resolver as coisas” eu mesmo? (Sinceramente, e com o pingo de frieza que bate entre a raiva e o sono; ao analisar o que escrevo, penso em quanto eu teria que me sujar pelo momento tosco da realização… Um conselho para todos (eu, incluso): Nunca saque uma arma, se você não tem a intenção absoluta de usá-la, ou você pode morrer com sua própria munição)…

E lendo os últimos 3 parágrafos, eu vejo de maneira desoladora e pesarosa: Eles venceram.
Sou mais parecido com eles, em meio a fúria que me causam, do que quero que eles sejam parecidos comigo, pela imposição da lei, com uso da força policial se preciso for e etc…
Estou proporcionalmente mais perto de desrespeitar o direito deles, como eles fazem comigo, do que conseguir que eles se curvem à lei, e respeitem o direito de todos pela via legal e moral.
Tragédia.

Como podemos chegar tão baixo enquanto sociedade? Por que tão poucos tornam reféns, centenas?

Conversei com o porteiro, com quase 20 anos de condomínio e perguntei “Desculpe, mas, eu sou o único que reclama do comportamento deles?”. E o porteiro fez cara de sarro e disse “Vixi… Todo mundo reclama… Mas o pessoal tem medo de ir lá com a Polícia e ficar com inimizade… Aí depois pra sair na rua é complicado”…
Fico pensando “Como é que é? São 6 casas, não a favela da Rocinha! É gente mal educada, e sem respeito aos limites, mas nenhum deles é o Fernandinho Beira-mar!!!”…

Fica claro: A meia-duzia segue vencendo porque é fiel apóstola da teoria que “os incomodados que se mudem”.

Não pagam IPTU, nem compraram o terreno, mas, se fazem mais donos do pedaço do que todos os condomínios e todas as casas, às centenas, juntos. Porque, embora todos se incomodem, a maioria teme as consequências de defender o direito legitimo à paz e ao descanso.
E todos dizem pra si mesmos “alguém tem que resolver isso”, complementando, “contanto que não seja eu”…
Isso explica o Brasil em que vivemos numa centena de outras situações: Ninguém quer o trabalho (às vezes, imenso e cercado de dor de cabeça) de resolver, e todos esperam que alguém (outro) resolva.

Meu martírio está perto do fim: Primeiro porque o Sol já vem, e os vagabundos que assaltam a paz do bairro também se cansam.
Impuseram-me, mais uma vez, o amargo gosto da derrota de só poder dormir quando eles deixaram.
Segundo porque, em alguns meses, meu contrato expira, e vou me mudar. A vantagem suprema de alugar, acaba residindo na capacidade de não se ver condenado à convivência com bichos que não podem ser chamados de “cidadãos”.

Não o são, de fato. A Cidadania pressupõe a mínima observância à lei, e eles são incapazes disto.
Muitos tolos vão vir argumentar que eles foram marginalizados e, por isto, não podem dar o que não tiveram. Ao que respondo: E o que meu direito ao sono e à paz tem a ver com isso? Posso eu, tolido de uma das necessidades mais absolutamente básicas – que é o descanso – abdicar da minha obrigação de cumprir a lei e “ir lá resolver”??? Não posso.

De mais a mais, essa é a mentira suprema que torna tantos e tantos reféns de tão poucos: Que porque eles não tiveram apoio A ou B da família, da sociedade, do governo, ganham algum tipo de liberdade poética para não respeitarem o Contrato Social e o mínimo de regras para o convívio com outros indivíduos. Piada de extremo mau gosto.

Não importa o que eles não têm, ou deixam de ter: Enquanto dois erros não valerem um acerto, eles são os vilões, e eu sou a vitima. Pouco importa se moram mal, e eu moro no condomínio. Não os coloquei nessa situação, e nunca desrespeitei uma lei contra eles. Tudo o que espero é a reciprocidade. Em vão.

Há algo profunda e alarmantemente quebrado na Sociedade brasileira. Mas, se não posso dar um diagnóstico completo, uma coisa, eu adianto: O ditado “os incomodados que se mudem” é um câncer no coração do nosso povo.

Os incomodados – em todos os aspectos – têm que começar a reagir – por todos os meios necessários –  e parar de se mudar.
É, ironicamente, a única forma de mudar o país: O justo parar de se mudar, e exigir que mude o outro.

(PS: A zona parou por volta das 6h… Vou deitar, mas o texto só sai às 8h30)….

*obrigado pela correção, Guilherme!

O estranho momento em que precisamos militar contra os militantes…

Uma mulher grávida entra pela porta de um Pronto-Socorro, após o rompimento da bolsa amniótica, e exige que o procedimento de parto-Cesária seja realizado.

O médico, no entanto, contra-argumenta que a Cesariana desumaniza o nascimento, de acordo com o último Congresso da obstetrícia internacional, e decide seguir com o Parto normal.

Se esta cena ocorresse e, baseado somente na informação dada (ignoremos possíveis questões de risco à vida, e etc.), todos nós (eu, incluso) diríamos que houve violência obstétrica.

Então, por que não vemos violência em proibir que alguém com orientação sexual diversa do comum (“comum” que não: Não é sinônimo de “certo”…), peça ajuda profissional para que seja feito o caminho B, ao invés do A?

É difícil não avaliar – com pesar, acrescento –  que, se você não está nadando em favor da corrente de uma dada militância, você só pode estar contra ela.
Esse tipo de falsa dualidade levou à tanto confronto, e momentos deploráveis da história humana; e não vejo porque seria diferente, dessa vez, se continuarmos assim.

Militâncias que, tantas e tantas vezes, falam sobre “amar mais”, “compreender mais”, “aceitar mais”… Mas não admitem que alguém seja gay e não milite verborragicamente por onde passa, ou seja gay, mas, não queira sê-lo.

Não é diferente da militância que não admite uma mulher que quer ser dona de casa e cuidar dos filhos, ou da militância que não admite que um negro case-se com uma branca, ou que uma “não-negra” (seja lá o que isso quer dizer) use uma peça de moda com inspiração afro-cultural.
Não quero causar o terror mas, o pesquisador da penicilina (Alexander Fleming) era branco… Acho que vai ser ruim se trilharmos esse caminho, em mão dupla…
O Smartphone na sua mão é resultado, muito provavelmente, de uma centena, ou um milhar de patentes de origem majoritariamente asiática (indianos, japoneses e etc.)… Já pensou se eles decidem que não posso “me apropriar” (mesmo pagando por isso) do que eles criaram?

E seriam só suposições e hipóteses, não fossem todas essas narrativas corroboradas pelo árido deserto da realidade.
Todos os episódios que descrevi, aconteceram publicamente e, não é difícil achar essas notícias tristes de como movimentos com causas absolutamente legítimas como os direitos LGBT, da Mulher, dos Negros e enfim, representantes de todos que não estão no controle do poder político, sócio-econômico, financeiro e etc., repetem-se, em suas vertentes mais radicais (gosto de supor assim), tão infelizes e repugnantes quanto aqueles que eles dizem enfrentar (os homofóbicos, machistas, racistas e etc.).

Eu já falei sobre o conceito de “Efeito-mola”, explorado na Sociologia com nomes mais pomposos mas, basicamente, é a ideia de que a opressão de uma parcela da sociedade causa efeitos semelhantes aos descritos pela Física quanto à pressurização de uma mola e suas decorrências, e leva à efeitos colaterais maiores do que a medida ideal, quando “a mola” é liberada.
O mesmo efeito-mola vale para a outra parcela da sociedade que apreciava seu status-quo, e se sente ameaçada – sob qualquer aspecto – diante de conquistas de grupos que passam a exigir que estes grupos convivam de maneira mais igualitária, ou cedendo espaços de maneira mediada pelo Estado (políticas afirmativas e etc.), para o primeiro grupo.

Enfim, o que resta é o choque de N* grupos que, por sentirem-se reprimidos pelos mais variados motivos e méritos, muitas vezes, vão além do que um individuo sóbrio, e  isolado de uma comunidade que catalize suas opiniões, consideraria “razoável”.

Não há dúvidas que “o razoável”, algumas vezes, pode significar até mesmo ir às armas, e lutar até a morte.
Pergunte aos judeus, vitimados pelo Nazismo, se eles teriam entrando de bom grado nos trens que conduziam ao extermínio, se soubessem disto antes. Teria sido “razoável”, matar os soldados alemães com todos os meios – inclusive os bestiais – nessa situação…

Mas, em tempos de Paz entre os Estados, a reação dos grupos LGBT e coligados, e a mobilização das celebridades contra a medida do Juiz Federal, Waldemar Cláudio de Carvalho, só demonstra para mim que não há razoabilidade, nem no grupo dos Cristãos que acham que a orientação sexual diversa do comum é coisa de Satan, nem nos grupos LGBT que acham que um Gay é, por alguma lógica estranha à meu entendimento, obrigado a amar sua condição, de maneira incondicional e incontestável.

Comparo essa incoerência à tentativa de ressuscitar o suicida para, depois, executá-lo por “homicídio de si mesmo”.

A cena seria tragicômica, no encontro do cidadão que deseja a liberdade de tratamento, com os representantes do movimento:
– VOCÊ TEM QUE SER FELIZ SENDO GAY, SEU FILHO DA P#@%&! (Enquanto espancam o sujeito, para que ele “aceite” sua condição e seja “feliz”).

O episódio me dá pesar, ainda mais porque, de todas as Ciências ligadas à saúde humana, a Psicologia é mais humana de todas elas. Como também, a mais nova, e a que mais precisa pesquisar, crescer, e descobrir mitos e verdades sobre o que se sabe da “cabeça” humana, até aqui. É assim com toda Ciência ainda na “infância”.
É o cerne da Psicologia, independentemente de vertentes e interpretações, tentar compreender, sem emitir julgamento, cada ser humano, de maneira muito individual, mesmo quando o individuo é interpretado em um contexto e prisma determinado por um dado momento ou espaço social/histórico/cultural.

Em resumo, é quase que “do contrato social” da Psicologia com a humanidade, individualizar o “paciente” (eles não gostam desse termo), e compreender que por mais que ele possa ter um quadro parecido com o individuo anterior, ele é algo totalmente novo e único.
Resumindo: A psicologia deveria ser a primeira a dizer que, por mais não-natural que seja, o Gay tem total direito de não querer sê-lo, e as ferramentas disponíveis para mostrar a ele, o que ele é e não é, serão usadas, para que ele atinja a coisa que mais pode trazer paz à um individuo: Auto-conhecimento.
Talvez, por circunstâncias-mil, seja simplesmente impossível que ele deixe de sê-lo. Mas, não se começa um acompanhamento psicológico só se o resultado final for o que o cliente desejava.
Até porque, o resultado final desse acompanhamento é sempre imprevisível, devido aos N desdobramentos que cada consulta causa. A verdadeira missão da Psicologia é fazer o individuo se entender, compreender os processos que o transformaram e o edificaram enquanto entidade e personalidade, a fim que ele, eventualmente, fique em paz com o que é e com o que deixa de ser.

A principal contra-argumentação ao que exponho até aqui, é que esse indivíduo só odeia sua orientação porque é reprimido, sofre/sofreu preconceitos, nasceu e cresceu em um lar opressor à sua orientação e etc.
Enquanto tudo isso pode ser absolutamente verdadeiro; novamente, somos nós, Sociedade (ou parcela da Sociedade), proibindo que o individuo, sem fazer mal a qualquer outra pessoa, procure o resultado que desejava atingir. Tudo para que nós – e não ele – nos sintamos satisfeitos.

Por que é tão difícil ter o mesmo respeito que temos:
Pela grávida que não quer passar pelo trauma do parto natural, ou o paciente terminal que quer manter algum resquício da dignidade, e tutelar o fim da vida, diante da inevitabilidade do fim doloroso e degradante?

São questões muito, muito sensíveis e multi-facetadas. Cada novo ponto que tento trazer para provar que temos pesos e medidas diferentes, daria uma discussão inteiramente nova que poderia ser desdobrada em várias e várias outras, se estendendo quase que sem fim…

Para o (a) anônimo (a) que pretende se beneficiar do que eu considero um avanço democrático salutar no que diz ao respeito à liberdade de cada individuo, meu entendimento, da maneira mais simples e mais direta possível é que: Se você não está fazendo mal para ninguém a não ser – no máximo – pra si, e se o risco de suas decisões afeta só e somente você; você tem meu total apoio em todo caminho que decidir trilhar.

Do beijaço Gay na avenida mais badalada, a pedir ajuda profissional para tentar sentir tesão por peitos e bundas (se você for um homem homo-afetivo, claro).

Sinceramente, meu caro anônimo Gay, que não quer sê-lo: Acho que vai ser difícil você conseguir o que quer, porque, minha crença (e, portanto, é só uma hipótese) pessoal é de que como olhos verdes, ou cabelos ruivos, sua atração por pessoas do mesmo sexo esta enraizada em seu DNA.
E, até onde sei, depois de Hitler, não há ninguém sério e com competência suficiente, tentando combater as anormalidades (repito para os radicais: “anormal” é simplesmente o que não é “normal” (relativo à norma). E isso não é sinônimo de “certo” ou “errado”) de cor nos olhos e cabelos, então, não vejo como alguém conseguiria “consertar” seu gosto.
Pouco importa: No fim, o que realmente importa é você saber que tentou tudo que era possível, e torço para que atinja a paz interior, em algum momento dessa jornada, independentemente dos resultados.

Meu pai não me ensinou a gostar de mulheres. Nem era um assunto  que discutíamos, de tão reservado que ele era quanto à isso.
Quando os hormônios da sexualidade circularam pela primeira vez em mim, eu tive certeza que nada superava o prazer de estar com aquela deliciosa forma feminina, em toda sua beleza de curvas e volumes.
Claro: Por educação familiar de valores e postura, e senso de convívio social, os hormônios nunca foram suficientes para que eu “avançasse” nelas como um animal selvagem o faria.
Mas nunca houve dúvidas em mim, do que mexia com meu lado animal que todo ser humano tenta disfarçar e renegar, com mesuras e convenções de convívio. Talvez, um dia, provemos que é a mentira sufocante e omnipresente de que somos absolutamente diferentes dos animais, a causa maior de tantos distúrbios psico-sociais e comportamentos inaceitáveis em nossa espécie…

E acredito, caro(a) anonimo(a), que este processo de descobrir o que lhe dava tesão na puberdade, não foi diferente contigo mas, você sentiu tudo o que descrevi, quando viu alguém do mesmo sexo que você.
Não é o normal, mas está 100% longe de ser chamado de “errado”. É só e, somente só, diferente.
E “diferente” nunca será sinônimo de “ruim”, pra gente de boa fé.
Se você não está em paz, e não quer ser diferente, eu lhe dou meu total apoio para que busque alternativas para ser “só mais um hétero”.
Independentemente das chances estarem contra ou a favor do intento, só lhe desejo que encontre sua paz.
A paz de quem fez tudo o que podia ter feito.

Por fim, eu pergunto: Qual é o limite da intervenção do Estado, e da Sociedade (ou grupos dela), sobre o indivíduo? Quanto da minha liberdade natural, eu tive de abrir mão, para viver em sociedade? O Contrato Social que assinamos de forma tácita, pode exigir de mim, minha completa e incondicional aceitação do que eu sou ou pareço?

Mais importante: No fim do dia, vale a pena viver no meio de vós, se eu não tiver o último e derradeiro direito sobre eu mesmo e toda a extensão e representação do que compõe o “eu”?

Eu não sei. De verdade. Algumas vezes, parece que vale. Outras, parece que nada poderia ser melhor do que morar na caverna mais distante e mais solitária; só para não ter que assistir uns decidindo sobre como outros devem ou não devem ser, e do que o outro tem de ser para ser feliz.

Sei, contudo, de uma coisa:
Eu, não-militante e não-ativista, nem libertário, nem conservador, nem reacionário, estou muito mais confortável com os Gays que querem ser Gays, e os que não querem; com as meninas brancas com lenços afro, e com os atores que não querem “sair do armário”, ou saem sem alarde e sem bandeira.
Estou muito tranquilo com a mulher que quer ser CEO da maior empresa, e da que sonha com a chance de cuidar dos filhos e cozinhar a janta para o marido, até o fim da vida.

Estou muito mais confortável do que a massa mais ativa de qualquer movimento que diz representar os Gays, os Negros, as Mulheres…

Reconheço meus preconceitos, sem dificuldades, e entendo o quão longe de estar em paz com todos, eu ainda estou. E esses preconceitos às vezes morrem e provam o quão ignorante e pouco evoluído eu ainda sou.
Outras vezes, de pré-conceitos, evoluem para conceitos formados e embasados, sem que eu abra mão deles.
É assim com este assunto.
Aliás, assunto que precisa ser mais discutido. Preconceito não é crime, nem deveria ser. Um pré-conceito é simplesmente um conceito que você forma, antes de realmente conhecer algo.
E ele pode estar certo, ou errado. A verdadeira questão é o que você faz para validar seu preconceito, e como se comporta quando descobre que ele não é verdadeiro.

Ainda assim, eu  sinto que consigo respeitar mais, e tolerar mais, todas essas pessoas e todas as possibilidades que cada um deles pode decidir ser e parecer, muito mais que os militantes mais extremos dos movimentos que saem “em sua defesa”.
Gente que não consegue superar a cegueira e a paixão “à Causa” (“paixão” que, aliás, vem do grego “Pathos”, a mesma raiz para “patologia”, “excesso” ou “doença”).

Cegueira, em nada diferente, dos preconceituosos e conservadores que acham que seu jeito é o único jeito certo. Que seu deus é o único verdadeiro e, sua mensagem, a única correta.
A fronteira da extrema-esquerda é, de fato, a extrema-direita.
Estado Islâmico e Pastores que chutam imagens.
Racistas e Ativistas que agridem uma pessoa de cor distinta que se dispôs voluntariamente a honrar e ostentar a cultura de outro povo em seu corpo.
São todos iguais.

Já era muito trabalhoso lutar contras as mentes pequenas, atrasadas, que pregam conservadorismo extremo, e valores pessoais e religiosos como sendo universais. Mas, tudo valia para que ninguém fosse perseguido ou oprimido por pensar, agir ou ser apenas diferente de mim ou do que eu penso.
E agora, isto…

Estranhos e cansativos os tempos à frente, em que teremos que militar contra as militâncias.

Amor não é Doença. É a Cura.Pelo menos, a mensagem não deixa de ser verdadeira, não obstante tudo isto…

TEDx São Paulo – Educação!

Hoje, in loco, no Allianz Parque, onde ocorre TEDx São Paulo, e o tema é a Educação

O assunto mais importante e mais carente do Brasil, sendo debatido ao longo do dia, por especialistas da área e gente que se dedica ao que, verdadeiramente, muda o mundo: Mudar o mundo pelo conhecimento. Ensinar é o mesmo que Ensignar, ou seja, marcar com signos, quem se ensina. Quando ensinamos alguém, marcamos e somos marcados.

Pra quem não pôde vir  ou não sabia, dá pra assistir tudo ao vivo, pelo facebook.com/TEDxSP. 
Aproveitem!!!

Precisamos exigir a saída de Temer? “Sim” ou “Com Certeza”?

Temer é acusado de forçar o silêncio de Cunha, e Aécio de cobrar 2 milhões de
Temer e Aécio: A Corrupção não tem um partido. – Fonte: Commons.Wikimedia.org

Este é um post expresso. Uma chamada urgente à responsabilidade de cada um de nós, quanto ao “não-direito” de relaxar e “dar de ombros” ao gravíssimo quadro que se anúncia contra o atual presidente da República e seus “novos” – velhos – amigos.

Sem nenhuma materialidade profunda, muito embora a lógica não permita outra conclusão,  muitos de nós apoiamos ou, ao menos,  não nos opusemos ao Impeachment de Dilma.

Agora, tão logo se comprove o teor do que o delator denunciou (e, mantenho o friso no termo “comprove“, já que deveríamos ter aprendido algo com a “escola Base” e, mais recentemente,  com a operação “Carne Fraca”), não há nenhum espaço para exigirmos menos do que o impeachment de Temer.

Toda e qualquer desculpa como:

  •  “o Brasil não aguentará outro processo de impedimento”
  • “a Economia não vai receber bem isso”
  • “São todos iguais,  pra que tentar mudar?”

– São assinaturas de hipocrisia nas costas de cada um que justificar o silêncio, por este caminho. Dilma não contou com nenhuma benevolência ou apatia. Por que Temer contaria com isso?

Esse é um momento crítico na vida política, social e moral dessa Nação. Tudo está corroído e a sujeira é omnipresente. Só resta, se quisermos não viver sempre com vergonha, encararamos a dolorosa missão de investigar todo o nosso modelo político  e processar cada um dos réus.

Essa é a nossa única chance de mostrar que não toleraremos mais a postura 100% corrupta de Brasília que, sempre devemos lembrar,  não é nada diferente do dia-a-dia do povo que os elege.

Ainda assim, são momentos como esse que separam um povo realmente buscando uma vida pública decente, daqueles que só usam frases cheias de ufanismo e um falso patriotismo para substituir quem não está atendendo aos interesses excusos de grupo A ou B.

SE provado,  o vídeo de Temer não deixa espaço algum para o questionamento: A nossa exigência mínima seria a renúncia imediata e a continuação do processo penal por corrupção.

Caso contrário: Impeachment.  Dessa vez, sem a palhaçada de não suspender direitos políticos.

Quanto a Aécio: Era a prova que faltava para quem achava que a corrupção era exclusiva de Lula e PT. A Corrupção na política brasileira não é de um partido.  É do sistema inteiro e de todos os partidos que partilham o poder como um doce do qual nunca se cansam de se lambuzar. E sempre haverá a dúvida: Os únicos partidos não citados na Lava-Jato são os que não participam do poder; às vezes, com 2 ou 3 deputados eleitos. Seria porque são éticos, ou é a simples falta do que negociar?

É obrigação de qualquer sociedade séria, lembrar seus políticos à quem eles servem, o que é servir o público e de onde o poder que usurpam realmente emana.

Qualquer atitude diferente dessa, comprovará o que muitos desconfiam: Que houve um golpe,  o poder foi tomado pelos velhos lobos da política,  à favor de uma classe média ressentida e vingativa, e contra os mais fracos e miseráveis.

E pouco importa se essa é a mais pura verdade ou não. Só importa o que parecerá ser. A apatia (ou sua ausência) vai confirmar (ou desmoronar) essa hipótese.

E Lula, com todos seus crimes mais do que certos (basta analisar o enriquecimento expresso [e muito provavelmente ilícito] de sua família),  vencerá o pleito de 2018, com essa narrativa. Fortemente reforçada pela atitude preguiçosa e apática que muitos já esboçam (mas, não devem).

A reação deverá ser forte.  Ou mereceremos, para sempre, o pior.

E o pior não tem limites.

E o assunto é: Ransomware (e porquê veremos esse episódio outras vezes…)

Foto da banda "Hanson's" com modificação para pirataria, tapa olhos e um papagaio.
Teria o grupo de loirinhos do fim dos anos 1990 (chatos bagarai, devo acrescentar) descoberto que eram melhores hackers do que músicos??? – Fonte da imagem: Wikipedia.org

 

Disclaimer 1: Se você é um profissional de TI, notará que farei diversas simplificações e generalizações que, óbvio, não refletem a complexidade real dos sistemas, protocolos, métodos de ataque, metodologias de gestão e etc. Tenha em mente, contudo, que esse texto foi escrito para que qualquer um acompanhasse o raciocínio que quero desenvolver, e que este não é um blog de TI; logo, a precisão será preterida diante da facilidade de compreensão.

Na semana que passou, os Hanson’s tiveram uma oportunidade de ouro para um grupo fora de qualquer holofote: 5 minutos de fama gratuita e inesperada, até a pesquisa no Google Bing, revelar que não: Ransomware não é uma cria tecnológica dos mocinhos famosos no fim dos anos 1990.
A piada é ruim, eu sei mas, eu vi muita gente escrevendo “hansonware”… Faz parte da realidade do mundo em que todos escrevem o que querem; como estou fazendo agora…

Ransomware é um dos vários tipos de Malware (ou, como chamávamos antigamente, “Vírus de computador”) que vem causando um estrago monumental na vida das empresas e pessoas que utilizam computadores conectados à Internet (virtualmente: qualquer computador que tenha real serventia no mundo de hoje), sem as devidas atualizações (que deveriam ser) rotineiras e (são) gratuitas).

A palavra inglesa “Ransom” significa “Resgate”, como aquele exigido por sequestradores em troca de suas vitimas. “Ware” é a terminação comum da Tecnologia, e pode ser genericamente traduzida como “categoria” ou “tipo” ou, semanticamente, “parte/porção”… Ou seja, Hardware é a “parte” física do seu computador (a placa de vídeo, o mouse, o processador). E Software, a porção virtual (o sistema operacional, o programa de edição de fotos, o navegador de Internet; e o “vírus”).

Um Ransomware, é o tipo de Malware (já que causa dano), na categoria de “sequestro de dados”.
Todo Software que faz mal ao seu computador, está na grande categoria dos Malwares (Malicious-Softwares). Eles podem parar o sistema operacional, roubar dados seus (como senhas e login [nome de usuário]), alterar o funcionamento de certas funções e programas, espionar o que você faz e etc.

A chave para diferenciar um Ransomware de outros tipos de programas mal-intencionados é que os Ransomwares têm o poder de criptografar seus dados (ou seja, embaralha-los, de tal forma que você não possa mais utilizá-los) e cobrar a “decriptografia” (ou, “desembaralhamento”), caso você esteja disposto a pagar uma quantia (neste caso, em dinheiro virtual [porque é mais difícil de rastrear]) aos donos do programa maldoso. Não é possível remover a criptografia à força. Afinal, é pra isso que ela serve: Proteger seus dados de qualquer um tentando obtê-los, na marra. Mas, geralmente, você é o dono da chave de decriptografia. Não neste caso.

Antes de seguir com minha argumentação, eu sou compelido a garantir que ninguém considere-se desavisado das minhas ligações com a empresa em questão; do fato de que este texto é mera opinião, 100% particular e, jamais, uma opinião de minha empregadora, e etc. Então, lá vai.

Disclaimer 2: Sou funcionário da Microsoft Corporation; a criadora e mantenedora do Windows e diversos outros produtos. Atuo no time de atendimento presencial ao cliente, e não tenho nenhum poder, relação, decisão, influência, quanto ao episódio comentado. Logo, não sou ciente de todas as decisões da Companhia, nem de todos os seus aspectos, contradições, motivos, colaterais e etc.

A opinião contida nesse post é de minha inteira responsabilidade. Nada, absolutamente nada do que escrevo aqui, pode ser copiado, citado, ou retransmitido como sendo a opinião da Microsoft, de seus empregados, ou porta-vozes. Não tenho autorização, nem o conhecimento necessário para emitir opinião em nome da empresa, especialmente, no que tange ao assunto Segurança, já que não é minha área de especialização.

Esta opinião, como toda e qualquer opinião, é passível de erros e má-interpretação dos fatos e, portanto, não deve ser entendida ou tratada como o mais fiel retrato de uma verdade irrefutável sobre o caso, os acontecimentos, os envolvidos, as consequências, e tudo o que cerca e decorre deste assunto.

Ninguém, nem meu gerente imediato, nem a liderança da companhia, nem nenhum canal interno ou externo, solicitou, autorizou, endossou, apoiou, ordenou, pediu, foi informado/consultado, ou de qualquer outra forma, influenciou na elaboração desse conteúdo, sendo exercício da minha livre escolha e livre expressão de pensamento. Portanto, recae sobre mim, e só sobre mim, qualquer efeito que tal opinião possa causar.

There you go… Agora, você sabe que quem escreve deste lado aqui é o Rodrigo, filho da Raquel (mais uma vez, feliz dia das mães, mãe!) e nada mais. Porta-voz só d’ele mesmo, e de mais ninguém.

Existe algo bem curioso nesse post, também: É a primeira vez que eu falo de Tecnologia da Informação (TI), por aqui. Acho que isso dá a entender que minha área me interessa menos que a crise na Síria, talvez? Espero que não; só gosto de muitos assuntos, mesmo…

De quem é a culpa?

Bem, esse é o primeiro defeito da TI (antes fosse da TI), no Brasil: Nós nos preocupamos muito mais em achar em quem botar a culpa, do que em entender porquê o problema ocorreu. Aí, demite-se quem não conseguiu jogar a culpa no próximo da fila (se existir um próximo), e o real problema se mantém ali; não corrigido, até a próxima ocorrência.

E, como sempre digo: Falo “no Brasil” porque é à este país que minha experiência se resume. Neste caso, experiência profissional. Não posso falar dos outros países.
São 14 anos, desde que comprei a “Bíblia” do Windows Server 2003 do Julio Battisti e, com ela, iniciei minha profissionalização em Sistemas Operacionais para “Servidor”, escolhendo a área de Infraestrutura dentro da TI, como minha especialização de carreira. Já lia sobre tecnologia em 1995, mas, esse foi o primeiro livro “sério”.

Se você não for da área, precisa saber que TI é como Medicina. Talvez, tenhamos bem mais ramificações do que os médicos, já que mexemos em sistemas diferentes com arquiteturas diferentes. Todos os seres humanos tem o aparelho digestivo, o sistema respiratório, mas, sistemas da informação podem ser absolutamente diferentes, até mesmo no desenho interno do Hardware (RISC vs CISC, Mainframe vs Baixa Plataforma, e etc.), como gerenciam memória, como avisam quando há algo errado e, por aí vai. Logo, o número de especialidades dispara.

Eu escolhi Infraestrutura. Mesmo dentro da “Infra”, existem as pessoas de Redes, Banco de Dados, Segurança… E cada uma delas sabe de sistemas e conceitos que a outra não domina (em geral). Para além da Infraestrutura, ainda existem equipes de Desenvolvimento e Qualidade de Software, Equipes de Processos e Padrões, Áreas de Controle e Auditoria, e etc.

Enfim, exatamente como um Endocrinologista não sabe fazer uma operação no Cérebro, o mesmo vai ocorrer se você colocar um profissional de Programação para cuidar do seu Firewall (um programa que controla acesso à uma rede). Ele vai fazer o melhor que pode; pode até entender o conceito geral de um Firewall (talvez, tenha a capacidade de programar um “do zero”) mas, ele não treinou pra administrar aquilo (e administrar é bem diferente de criar ou instalar; saber um, não garante o outro), não entende os jargões e os conceitos da área, e vai fazer muitas escolhas erradas.

TI ou bode expiatório?

Bom, tudo isso pra dizer que: Toda vez que algo na TI não sai como se esperava, é comum que o pessoal de Infraestrutura tenha que se explicar, antes de todo o resto. Isto porque eles estão ali para manter as coisas funcionando: Rede, Servidores, Segurança, Sistemas. Tudo.
Para que você, com seu cliente (Notebook, Smartphone, PC), possa usar os serviços que a TI deveria oferecer. Da Internet ao e-mail, e até uma simples troca de senha. Tudo depende de que a Infraestrutura esteja fazendo sua parte.

Mas, antes de você entender porque está tudo errado quando se procura um único culpado numa crise como esta (que já afetou não menos que 200 mil computadores, em mais de 70 países, pelos últimos relatos), você precisa entender como nós estruturamos a operação de um departamento de TI. E conhecer os 3 pilares:

Os 3 pilares da Gestão de TI: Pessoas, Processos e Tecnologia
Os Pilares da TI: Pessoas, Processos e Tecnologia – Fonte: Linkedin.com

A idéia não é formar ninguém em Gestão de TI. Mas, você precisa entender que a TI só funciona direito quando isso tudo está no lugar, e operando da forma correta. Se você acredita na seriedade disso ou não, não me importa, mas, em uma grande parte dos clientes brasileiros, isso é só um sonho muito distante e, também por isso, somos tão amadores na gestão dessa área.

O pilar “Pessoas” é o pilar mais ignorado no Brasil. Infelizmente, e diferentemente de várias profissões, qualquer um, qualquer um mesmo, pode se chamar de administrador de Sistemas. O problema é que a TI é feita de Pessoas, de ponta a ponta. O sujeito que programou, a sujeita que testou, o sujeito que implementou e configurou, e a sujeita que vai administrar. Se qualquer elo dessa corrente não souber o que está fazendo, não é surpresa que o Sistema resultante tenha falhas. Algumas, catastróficas.
Quem utilizará o sistema final, provavelmente será uma pessoa, certo? Mas, ela também não é treinada, e expõe à risco, toda a rede em que encostar.

Depois, vem o pilar “Processos“. Bem, sabe quando você chega em casa e instala um novo programa no seu PC, sem maiores considerações? Talvez, porque seu amigo disse que era bom, ou talvez porque você viu em um site de Tecnologia e está a fim de testar?
Bem… Se sua TI é séria, lá não funciona assim. Há um processo para o Software ser escolhido. Levanta-se o tipo de função que ele deve atender. O candidato é comparado com vários outros disponíveis no mercado, ambientes de teste são criados para validar que ele cumpre o que promete; e vários fatores são analisados como custo, facilidade de uso, suporte do fornecedor, integração com o ecossistema. Não é uma decisão fácil, nem leviana.
Tudo isso está desenhado em um Processo de adoção de novas tecnologias. E há outro Processo para o descomissionamento, ou seja, a “aposentadoria” do dito cujo.
Todos os processos tem a função de regular a TI, para que nada aconteça de forma abrupta, e que todos os riscos (ou a maioria deles) estejam identificados e as contra-medidas, documentadas.
No entanto, os Processos também ficam velhos. Precisam ser revistos com melhores práticas, com metodologias novas que ajudem a medir e instrumentalizar o ambiente. Às vezes, são redesenhados, e às vezes, têm que ser descartados e escritos do zero.

Por fim, e só por fim, vem o pilar “Tecnologia“. Aqui é onde entra o Software e o Hardware em si, suas peculiaridades, o conhecimento necessário para gerenciá-los, seus requisitos, suas arquiteturas, troubleshooting (investigação de problemas), e etc.

O pilar “Tecnologia” só funciona quando os outros 2 pilares estão funcionando direito. A Tecnologia não consegue corrigir os outros pilares. Aliás, nenhum pilar corrige um problema inerente de outro.

Toda essa longa explicação pra explicitar um único aspecto: Existe método, existe ciência e existe uma correlação fixa entre esses pilares. Não se administra ambiente de TI por “feeling“. Não se administra TI (se você quer que dê certo, claro) baseado no que você fazia desde que eu era um bebê (como você gosta de lembrar, como se isso fosse algum tipo de credencial, numa area que se transforma e descarta conhecimento velho, todo mês).

Não importa se você usava o DOS 1.0. Isso não lhe torna apto a cuidar de um ambiente baseado em tecnologia de 2016. O que te torna apto é estudar, investir tempo e dinheiro no aprendizado do novo sistema/arquitetura/conceito de gestão.
Se você parou de estudar há mais de 2 anos, se você não tem um método processual de gestão, uma forma de constatar os fatos e situações com mais de uma fonte… Enfim, você não tem condições de gerenciar sua TI. Sinto muito, mas é a verdade.

Pior do que isso: Você não arruma a deficiência de um pilar, mexendo com outro, repito. Ou seja, se seus usuários não têm treinamento para lidar com um e-mail suspeito e clicam em links de desconhecidos (Pilar Pessoas: Treinamento), você não vai resolver esse risco NUNCA via Tecnologia (por exemplo), mesmo que compre o Antivírus mais caro do mercado (Pilar Tecnologia: Aquisição).

Infelizmente, isso é o que mais vejo: Não há processos na empresa, não há treinamento para o usuário ou administrador, mas, o gerente de TI acha que comprando a versão 2.0 PlusPlus do Software, todos os problemas desaparecerão. Só que não…
Cria-se um novo problema (dos grandes): Aprender sobre o novo Software (na empresa que não tem processos e não treina seus funcionários no que já tinha antes)…

Pensando em tudo isso: De quem é a culpa?

Eu não tenho coragem de falar que a culpa da contaminação é do analista de Segurança. Ele pode ter avisado o gerente da necessidade de Patching. Mas, há sempre uma explicação “muito boa” para não atualizar (de “o software legado não funciona” à “time que tá ganhando não se mexe”).

Ele pode não ter treinamento e ter entrado numa vaga de SI (Segurança da Informação), porque a empresa contrata mal e prepara mal seus profissionais de TI.

Em resumo, é muito fácil demitir o “cara da SI”. É muito fácil demitir o cara do Firewall… Mas se a área de TI é tratada de forma desrespeitosa; se ela é sempre encarada como um custo – muito embora, a empresa não consiga funcionar um dia sem a rede de computadores – como vamos estar preparados para lidar com as novidades de um sistema, e com os riscos que sequer conseguimos mapear (quando haverá o próximo ataque? Quais serão os vetores de ação? E quais são as contra-medidas?)?

Isso ocorre em empresas que não vendem TI para seus clientes, mas, ainda mais triste, ocorre em empresas onde o serviço principal ao cliente final é, sim, a Tecnologia.
Não está ligado à um tipo de empresa, mas sim, à um tipo de pensamento. O pensamento de que manter a TI é caro, e de que tudo que não se gasta em Tecnologia vira lucro.

O mais insano desse pensamento, tão arraigado em empresas médias, grandes, nacionais, internacionais, privadas ou públicas, da área de TI, ou não… É que o sujeito que toma essa decisão, corta todos os custos que mantém os pilares bem, remove dinheiro de treinamento, não compra o produto novo na hora certa, não mantém processos revisados por uma equipe competente, e ainda assim, se sente, esquizofrenicamente, no direito de cobrar resultados como se tivesse pago pelo serviço de alto nível.

“Tem que suar a camisa!”… O problema é que a área de Tecnologia não se comove com bordões. O malware não se assusta com frases de efeito. Treinamento, pessoas preparadas, e sistemas atualizados, não são alcançados e mantidos com palavras inspiradoras.

Para ter os melhores médicos, você tem que pagar os melhores salários. Os hospitais sabem disso. Mas, isso é uma piada das grandes, na área de TI.
Se você, profissional (com ss) dessa área, negar um serviço porque ele não é humanamente executável por mil reais (responsabilidade, conhecimento, experiência, treinamentos [caros]; tudo isso entra no seu preço), não há nenhuma novidade que surgirão 5 ou 6 “proficionais” (com c) atrás de você, todos dispostos a pegar o projeto. E assim, o mercado de TI segue se deteriorando.

Enquanto o protecionismo e a reserva de mercado são péssimas para o consumidor e para a competitividade, o canibalismo que impera na TI remove qualquer brio dos profissionais da área, e demove qualquer um de gastar com treinamentos (já que não é um investimento – você não vai poder cobrar por saber mais e melhor), para ser melhor e fazer melhor o próprio trabalho.

Dizia um colega de trabalho, lá nos idos de 2008:

Quem paga banana, merece trampo de macaco…

Não muito fino, não muito elegante. Mas, por Buddha, como a sabedoria disto é profunda.

A lei fundamental da vida: Tudo que nasceu, um dia vai morrer. Inclusive na TI…

Você nasceu. Você cresceu, ou está crescendo. E um dia (com sorte, bem distante de hoje), você fechará os olhos uma última vez.
Bem… Triste… Forte… Mas…

Não há nada dessa lei da vida que não se aplique à TODOS os pilares da TI.

As Pessoas? As pessoas morrem.

Os Processos? Os processos morrem.

E a Tecnologia? É; ela morre também.

E é ai que a TI no Brasil vai para a várzea, de novo.

Para muito coordenador, gerente de TI, CSM, PjM, CIO, CFO, CEO (e todas as siglinhas que elouquecem o moço dos charts de Plano de Carreira do RH), os Softwares que eles adquiriram um dia, TÊM DE SER ETERNOS

Essa expectativa não sobrevive à realidade. Ela é 100% surreal. Quer ver como?

O Ransomware que gerou todo esse caos na Terra, e que é o motivo de eu estar escrevendo, usa uma falha num protocolo chamado SMB (falha também presente no seu dialeto, o CIFS) em sua versão 1.
O SMB (Server Message Block), é um protocolo criado em MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO… E adotado pela Microsoft, em 1990… Esse protocolo permite a cópia de arquivos entre máquinas, a capacidade de imprimir em uma impressora conectada na rede e outros detalhes. Repito: Foi criado em 1984…

Bom. Olhe pra toda a tecnologia ao seu redor… Tela touch, WiFi, HDTV, Forno de Microondas… Quer saber? Nada disso existia em 1984.
Mas, a exigência dos que entendem que o erro é da Microsoft – embora a falha afete qualquer sistema com essa versão do protocolo – (e são muitos os que culpam a Microsoft) é que esse protocolo de 1984 continuasse perfeito e seguro, 32 ANOS depois de sua criação. O protocolo veio antes mesmo da Internet existir, abertamente; ela era um projeto de laboratório, tanto quanto era o SMB/CIFS na IBM.

Por que ninguém tirou um protocolo tão velho do ar?

Olha, não posso falar de cada caso; teria de conhecê-los de perto. Mas, via de regra, não foi por falta de aviso, recomendação ou pedidos.

Em geral, o cliente vai se defender dizendo que a aplicação legada dele depende disso. Ou vai dizer que, se está funcionando, não vê porquê desabilitar. “Transtorno”, eles dizem.

Estamos na versão 3.0+ (usada no Windows 10 ou Server 2016; basicamente, uma versão com melhorias e novas funções em relação ao Windows  8 e Server 2012). Mas, o SMB v1 continua lá, porque o mercado é extremamente chato se você não garantir uma retrocompatibilidade com 3 ou 4 versões anteriores. E paga-se o preço disso, óbvio.
Algumas vezes, nós “forçamos” a barra e dizemos “chega! Não vamos mais suportar um negócio com 30 anos”. Mas, mesmo assim, sempre surge um “caso de negócio” ($$$) que dá um jeito de ser a exceção… E onde passa um boi, passa uma boiada.

Enfim… Seja qual for a resposta de porquê o protocolo foi mantido pelas empresas, agora vemos um preço alto pela não-manutenção. A falha de segurança explorada pelo WannaCry, foi corrigida em Março deste ano. E as empresas não conseguiram agendar a correção à tempo.

Não precisaria dizer, mas isso não é algo aceitável. Diga o que quiser. Você não larga a sua porta de casa, 2 ou 3 meses, sem fechadura. É exatamente o que as empresas afetadas fizeram com seus servidores e clientes. Pra piorar o descaso: A troca da fechadura (a aplicação do patch) era de graça…

Sei que todos querem arranjar um culpado, mas, com toda sinceridade do mundo, para todo gerente e responsável por departamento de TI, caçando alguém para culpar: Eu sugiro o espelho mais próximo.

Não há nenhuma desculpa aceitável para não fazer o patching management de atualizações Critical, o mais rápido possível (se for possível, no mesmo dia em que ela foi publicada – porque se você foi informado sobre elas, os hackers também foram).

O documento é antigo (2012) mas, segue: Security Bulletin Severity Rating System

Critical Updates: Microsoft recommends that customers apply Critical updates immediately.

Fim de papo.

Mas, vamos analisar o caso do servidor com aplicações legadas, que não pode sair do ar. É a desculpa de grande parte dos grandes clientes que não atualizam o Sistema Operacional (e, portanto, saem de um ciclo de vida de DEZ ANOS, e ficam sem correção gratuita).

Se você seguisse o PDCA para seus Softwares, não teria porque sofrer…

Imagine que você  é o gerente de TI da empresa Pomposo.com (pra quem é de TI, o nome é familiar)… A demanda é por um Software que faça a ligação do sistema de atendimento ao cliente, com o calendário dos Smartphones.

Você pode usar o PDCA (Plan-Do-Check-Act) para lidar com todo o ciclo de vida do produto. Você usaria o PDCA até para escolher o primeiro produto.

O mais trágico e cômico é a SIMPLICIDADE  do PDCA, e ainda assim a sua eficência em gerir ciclos de vida, e mesmo assim, o não-emprego dele nas TIs que preferem método algum de gestão (vai que dá!) do que adotar algo simples, mas funcional.  Há coisa mais complexa, robusta, para gerir o projeto, o ciclo de vida e etc.? Claro que há, mas se você não consegue usar o básico de gestão, vai querer algo difícil pra ter um nome vistoso de processo, mas não saber como usar?

Voltando ao PDCA da solução:

Plan: Quais são os Softwares que fazem a função CRM <—> Calendário?
Do: Montar PoCs (Proof of concept) para testar os produtos competidores.
Check: Fazer um grupo de usuários testar as opções e pedir feedback sobre usabilidade e preferências; avaliar a verba do projeto e o custo de cada plataforma; estimar o hardware para as soluções mais bem cotadas… Etc.
Act: Comprar o Software vencedor.

Ok. Esse foi o ciclo de escolha. E agora? Agora, um novo PDCA é criado para instalar, testar, liberar e mudar o ambiente do status de projeto para produção.

E depois? Depois, um novo ciclo PDCA surge para cada atualização do produto.

Depois? Desde o dia um, existe um PDCA cuidando do ciclo de vida desse produto. Avaliando o feedback dos usuários, o parecer do fabricante, o risco de descontinuidade, e agindo para ter a reserva financeira necessária, para quando chegar a hora de aposentar a solução. Essa hora SEMPRE vai chegar. Não é aceitável que sua TI não se prepare para esse dia.

Fazendo o PDCA de cada produto (e pode ser um grande PDCA, ou vários mini-PDCAs), nenhuma TI é pega de surpresa (até porque, se você for pego de surpresa, 10 anos após o lançamento do produto que, agora, perde o suporte, eu tenho que desconfiar da sua capacidade de gestão; sinto muito se isso te ofende).

O PDCA é sempre cíclico, então, o fim de um ciclo gera um outro, até que aquele ciclo de vida (que nasceu, cresceu e, um dia, perecerá) se encerre. E nasce outro, para o que vier pela frente. Sempre assim. Vale pra pessoas, processos, bem como para a tecnologia.

 

Ciclo PDCA de 1 até N. O ciclo consiste em realizar as ações em circulos, até achar a resposta: Plan-Do-Act-Check
O ciclo PDCA é  simples, mas, fundamental para a gestão de ambientes em infraestrutura, em uma operação bem gerenciada de TI. Pode parecer muito bobo/rústico mas 90% da TI brasileira, não entrega nem isso. – Fonte da imagem: Wikipedia.org

E, no fim do dia, eu sempre vou ter muita dificuldade de aceitar a validade de qualquer tentativa de manter um Software no ar por mais de 10 anos, quando o gerente de TI, o Diretor, ou qualquer outro manda-chuva, não suportam ficar com o mesmo carro por mais de 2 anos.

O carro envelhece em apenas 2 anos, embora o conceito de estradas não tenha mudado muito nos últimos 30… Mas, o Software não pode envelhecer em 10… É isso? Gente competente mandando na Tecnologia, hein?!

A maior mentira que uma empresa pode contar para si, é que a TI precisa mais dela, do que ela precisa da TI.

É insano dizer isso. Porque deveria ser óbvio que algo está errado.

Mas, eu passo boa parte do tempo, convencendo empresas e BDMs (Business Decision Makers) de que eles precisam levar a infraestrutura a sério.

“Levar a infraestrutura a sério” não tem relação direta com a questão “Custo”. Dá pra levar a sério, por exemplo, tendo documentação e processos, primeiro, e depois, sim, pode haver custos, mas não é uma relação causal direta.

É claro: Não posso deixar de me espantar com uma empresa que troca Smartphone da versão 2016 para 2017, de todos os Diretores e Gerentes, enquanto mantém 4 mil servidores com Windows Server 2003. É evidente que quiseram agradar quem “assina o cheque”, mas também fica claro que não há ninguém realmente consciente à frente da TI, para “fazer um barulho” sobre as prioridades erradas da empresa.

Sinceramente, é uma vergonha que alguém apresente que a TI teve um investimento de X, no ano Y se, na verdade, gastou com gadgets (tranqueiras) para os engravatados, escolhendo deixar uma parte da sua operação com equipamentos sem garantia. Sua empresa distribui brindes, e ignora a Tecnologia; essa é a “política de TI” dela.

Embora eu entenda que uma padaria possa ignorar sua rede feita com um Hub e 3 máquinas compradas em um feirão de velharias; a impressão que o mercado brasileiro passa, muitas vezes, é de que há “donos de padaria” demais, em cargos importantes, tomando decisões que na melhor hipótese, são mal embasadas.

Algumas empresas não conseguem emitir uma nota fiscal de forma manual. Outras, param estradas quando seus sistemas de informática param. Outras só tem dinheiro entrando no caixa de forma virtual: Nada de notas, nada de cartões, nada de moedas. Tudo virtual.
Mesmo assim, tantas empresas nesses grupos, se dão ao luxo de fingir para si mesmas que podem prescindir de sistemas de informática, atualizados e seguros, operando 24 por 7…

Eu entendo, claramente, que uma empresa que vende carne moída, precisa mais de bois e moedores, do que precisa do novo Windows 10. Faz sentido.
O que não entendo é que, se nenhum boi entra na fábrica sem que um computador emita uma ordem, o computador não é mais importante que o boi moído, mas, é tão importante quanto.
Se ele parar de um lado, do outro, não sai mais carne moída. DA MESMÍSSIMA FORMA que seria, caso faltasse boi, ou moedor.
Como uma empresa pode priorizar um se, para produzir, não pode faltar qualquer um deles?

Antes fosse só a empresa de carne moída. Essa realidade está arraigada na cultura das principais organizações com que já trabalhei. A pequena, a média e a grande. A indústria e o comércio. A privada e a pública. Todas elas têm um ou mais representantes (empresas) que têm esse tipo de pensamento bizarro com relação à área de TI.

Dependem severamente dela para produzir no volume que produzem, entregar o que entregam, na velocidade em que o fazem, com a qualidade que executam… Mas acreditam que podem se dar ao luxo de não cuidar da área que faz tudo isso ser possível, com mais eficiência, com mais precisão, com menos margem de erro humano, com eficiência processual, e tudo mais.

Desligar sistemas: Quando eu acho que é hora de baixar as portas.

No Brasil, assim que o ataque começou, muitas empresas decidiram desligar os sistemas.
Isso é pânico, e um sintoma do despreparo.
Novamente, se ofendo seus sentimentos, sinto muito. Mas, estou aqui pra dizer o que tem de ser dito.

Vamos analisar com calma: Qual a meta central de um Hacker (ok, deveria ser “Cracker”, mas não vamos complicar)?
Parar os sistemas de uma empresa, organização, órgão público… Essa é a meta central dele. Ou ele faz pelo divertimento, ou faz pela ameaça que força sua organização a fazer algo (como pagar bitcoins).

Como você, profissional (espero que com ss) de TI, quer combater o hacker?

Parando o sistema?

Por que não demito você e contrato o hacker? Ele tem ferramentas melhores e mais divertidas para parar o sistema, que eu esperava que meu departamento de TI fizesse de tudo para manter no ar…

Outros lugares, também por desespero, cortaram a Internet da rede já afetada. O que equivale a desligar um sistema, se sua empresa precisa da Internet para gerar dinheiro.
Pena que, no caso desse Ransomware, parar a rede piorou a infecção. Ele foi projetado para acelerar a contaminação, se a conexão com a internet for cortada.

Portanto, a falta de preparo, e o desespero de quem não sabia o que estava fazendo, levou a parada de sistemas importantes, e acelerou a contaminação.

Novamente, tem muito dono de padaria, sentado em cadeira de TI. E muitos deles, com o cargo de “chefe”.

A Microsoft tomou uma decisão corajosa, mas…

Quando a crise tomou forma, a Microsoft já havia corrigido o problema, meses antes.

No entanto, como qualquer empresa séria, a Microsoft possui ciclos de vida de seus softwares.

Por exemplo, o Windows Server 2016, lançado ano passado, já tem data de término de suporte. É! Isso mesmo. O cliente instalando o Windows Server 2016, hoje, já sabe – se estiver fazendo isso direito – que em Novembro de 2027, a Microsoft não fará mais nenhum tipo de manutenção no sistema operacional. São DEZ ANOS, mais uns quebrados, para recuperar o valor investido no SO, e aproveitar tudo que  o sistema pode proporcionar.
Aqui, a fonte da data: https://support.microsoft.com/en-gb/lifecycle/search?alpha=Windows%20Server%202016%20Standard

E isso é, e foi, verdade para o Windows Server 2003 e XP. O mesmo para o Windows 2000.
Alguns clientes contrataram o que chamamos de “CSA” (Custom Support Agreement), e estenderam o tempo de suporte para o 2003, mas, mesmo esse tipo de contrato tem limites, e não vale mais, por exemplo, para o Windows 2000.

Ainda assim, dado o tamanho da crise, e o risco de um servidor 2003 existir em uma rede com sistemas novos, a Microsoft tomou uma postura inédita, e liberou o patch para todo mundo, com ou sem o CSA. Nem preciso dizer do imbróglio político-jurídico que isso pode significar, e não tenho o conhecimento necessário para discorrer sobre.

Mas, de uma coisa eu tenho certeza: Criamos um problema grande para nós mesmos.

A mensagem que as empresas mais preguiçosas ouviram foi: “Quando a casa cair, de verdade, a Microsoft vai quebrar a própria promessa, e socorrer a gente”. Essa foi a mensagem. E o que fazer com os efeitos colaterais que esse patch venha a causar em sistemas que estão sem update há anos? De quem é a culpa?

Já tinha cliente exigindo correção para o Windows Server 2000. Um sistema com DEZESSETE ANOS de criação. Ano que vem, o servidor desse cliente já pode tirar a CNH. É absolutamente ridículo e vergonhoso que uma TI não tenha tido “tempo” para atualizar esse sistema. Não há uma desculpa valida. Nenhuma:
Argumentos: Custo, dificuldade, complexidade, retorno do investimento, questões legais…
Resposta: DEZESSETE ANOS.

Eu só aceito uma TI usando um sistema com 17 anos de idade, se os gerentes e Diretores tiverem um Smartphone com 17 anos, e usarem uma TV de tubo (CRT) em casa, também.

E o Windows Server 2003 e XP? Bom, não tem 17 anos… SÓ TEM QUINZE… Realmente… Aí é diferente…

Pra encerrar…

Vamos passar os próximos meses, de forma frenética, apagando os incêndios e lidando com os colaterais desse ataque.

As TIs vão demitir um pobre diabo que, ou não é profissional da área, ou tentou avisar mas não foi levado a sério.

Os indivíduos que tomam as atitudes e decisões, não serão responsabilizados na maioria dos casos; e como cortam custos o tempo todo, continuarão bem cotados com o CEO e o CFO, e continuarão a tratar a TI como um custo.

A falha desse Ransomware em si, será remediada e fechada. Mas, honestamente, quanto tempo até o próximo patch não ser aplicado porque “afeta o software legado”, ou simplesmente porque “não temos verba para patching management”?

Se você acha que esse ataque do WannaCry/Crypt é revolucionário, é porque, ou não é da área de TI, ou porque é novo demais: O “Conficker” atacou milhares de computadores, também muito tempo depois da Microsoft ter corrigido e liberado a correção para todos os sistemas.

Não há nada de novo. A TI continua sendo tratada com desdém e, de tempos em tempos, alguém descobre um jeito de usar a vantagem para alcançar algum objetivo pessoal.
No Conficker, parar os sistemas. No WannaCry/Crypt, dinheiro (parando os sistemas [ou informação], até que você pague para tê-los de volta).

Mais triste que isso, é ouvir de colegas de profissão que “se usasse Linux, isso não teria acontecido”. Demonstra que a imaturidade é o padrão da área.
Só existe um motivo pelo qual o Ransomware foi feito para Windows: Porque ele é o produto mais utilizado no mercado. Se todo mundo usasse Linux, os Hackers fariam programas maliciosos para Linux.
Mais do que isso, se uma empresa não consegue manter no ar um sistema gráfico como o Windows, com Wizards e tantos programas embarcados para a manutenção, o que dizer do uso de Linux e um zilhão de configurações mantidas diretamente em arquivos de texto (“entra lá no /etc e faz o hardening pra mim”)???

O mercado não tem competência para proteger um sistema gráfico e amigável. O que faz alguém pensar que esse mesmo mercado, com essa mesma mentalidade, poderia proteger um sistema mais complexo (e, não por isso, menos eficiente ou com menor qualidade. Só diferente…)?

Pra fechar, não há nada de novo. O malware pode ser inédito, roubou tecnologia da poderosa NSA norte-americana e etc… Mas, o roteiro de como a contaminação se deu, não é novo para ninguém com um pouco de memória.
E é por isso, e porque a TI continua sendo gerenciada por gente que não sabe lidar com Tecnologia (que muda rápido, e exige que você mude também), que esse problema vai se repetir, logo logo.
Não esse ano, já que todo mundo vai fingir que se importa com a TI (como sempre fazem, logo depois de uma crise). Mas, logo, tudo isso cai no esquecimento.

A TI funciona todos os dias na sua empresa, e eu costumo dizer que você mede a qualidade de uma TI, quando o usuário nem se lembra que tem alguém cuidando do computador dele e de tudo que esse computador depende.

Mas, ao mesmo tempo, quando ela atinge esse nível, alguém que não entende nada de Tecnologia, decide que ela gasta demais, e demite gente competente para pôr estagiários no lugar. Para de pagar cursos e atualização ao time, e não compra mais o Software sucessor, na época certa. Está tudo estável, porquê continuar gastando???
Esse indivíduo nunca vai entender que é por tudo que ela “gasta” (investe) e “gastou” (investiu) até ali, que foi possível atingir esse status maravilhoso e ideal de “invisibilidade”.

E, na verdade, vendo quanto $$$ ela devolve aos cofres da empresa (quanto custaria emitir notas manualmente? E se o fechamento financeiro fosse manual? E se tivéssemos que viajar de avião, ao invés de fazer uma reunião online?), a TI é mesmo um investimento.

Quando gerenciada por gente competente, claro…


Post Scriptum: Notei que gastei muitas palavras xingando aqueles que lascam diariamente com o orgulho e o brio da minha área profissional. Mas, eu preciso ajudar quem precisa. Então, vou responder a pergunta que ainda é fragmentada nos noticiários.

Se você utiliza o Windows 10, por enquanto você está seguro, porque o Ransomware “WannaCry” não consegue contaminá-lo sem ação do usuário. Claro, se você baixar o vírus e executar, não tem sistema seguro o bastante pra você.

Para qualquer sistema, no entanto, do XP ao Windows 10, o Windows Update é o único jeito de fechar a brecha de segurança explorada.

O boletim MS 17-010 precisa estar presente, ou versão mais nova que ele.
> Verifique se o Windows Update está com o status correto (algo como “Seu dispositivo está atualizado”).
> Execute esse comando, dentro da janela Executar (tecla bandeira do Windows + letra R):
> C:\Windows\System32\control.exe /name Microsoft.WindowsUpdate

É possível tentar atualizar manualmente (caso você desconfie da mensagem do Windows Update, ou queira distribuí-lo individualmente, numa rede, por exemplo):

Updates para sistemas em inglês: Windows Server 2003 SP2 x64, Windows Server 2003 SP2 x86, Windows XP SP2 x64, Windows XP SP3 x86, Windows XP Embedded SP3 x86, Windows 8 x86, Windows 8 x64

Updates para sistemas em outras línguas: Windows Server 2003 SP2 x64, Windows Server 2003 SP2 x86, Windows XP SP2 x64, Windows XP SP3 x86, Windows XP Embedded SP3 x86, Windows 8 x86, Windows 8 x64

Mais informações sobre o Ransomware: https://www.microsoft.com/en-us/security/portal/mmpc/shared/ransomware.aspx

MS17-010 Security Update: https://technet.microsoft.com/en-us/library/security/ms17-010.aspx

Então, Greve… Mas, “Geral”??? Meh…

Imagem de manifestantes conclamando greve geral na Avenida Paulista - Março de 2017Manifestação de movimentos sindicais e partidos políticos, ligados ao pensamento de Esquerda na Avenida Paulista, em São Paulo, no mês de março de 2017. Crédito: Romerito Pontes/Flickr

As principais cidades do Brasil amanheceram com sua força de trabalho impactada pela convocação de uma “Greve Geral”; convocação realizada pelos sindicatos e partidos tradicionalmente ligados à Esquerda, como CUT, Força Sindical, APEOESP, PSTU, PCdoB e PT.

No entanto, a greve não foi tão “geral” como esperavam seus organizadores, nem tem o apoio da maioria dos trabalhadores afetados pelas reformas da Previdência e do Trabalho; o alvo principal do movimento grevista, ou, assim eles dizem…

Via de regra, “Greve Geral” era pra ser um negócio de maior impacto. A população como um todo, de empregadores à empregados, da iniciativa privada à pública, e enfim,  todo o extrato social envolvido na geração de riqueza do país, precisaria concordar com a paralisação e suas bandeiras, para conseguir PARAR o país, de fato.

Isso não acontece, na minha humilde opinião, não porque as bandeiras anti-reforma não tenham força entre os trabalhadores de modo geral. Mas, muito mais, por uma total descrença nessas organizações, seus representantes, e as figuras políticas que cada lado suporta.

Como paralisar o país, de fato, quando a CUT leva – para desconforto de outros comandos de Greve, como a Força Sindical – o ex-presidente Lula para discursar em seus palanques, como o fez no último 15 de março???

Como esses movimentos são incapazes de compartimentalizar suas frentes e ideais (campanha na hora da campanha, reivindicação na hora de reivindicar, e etc.), tudo se contamina e, por mais que a “bandeira da vez” do movimento possa ter sua razão de ser, ninguém “de fora” adere, para não ser confundido com tudo de mau que permeia e se dissemina pelos tecidos desses movimentos.

A mídia, claro, vai vender isso com toda a força que puder. O dia será de imagens de bloqueios rodoviários, confronto entre Policiais e manifestantes, depredações, e todo o repertório típico.
E isto ocorre porque… Bem, porque você (nós) assiste (assistimos) e consome (consumimos)… E a mídia é “all about IBOPE”…. Noticiar já não basta. É preciso manter você entretido. Quanto mais caos, melhor… Então… Sim: As imagens vão ser repetidas em looping, por todos os ângulos e quanto mais bagunça, melhor (para quem vende isso, claro).

Toda meia-verdade é, também, uma meia-mentira…

Parece um título no padrão “jogo é jogo e, treino é treino” mas, vou “forçar a amizade” e dizer que isso é um pouco maior.

O governo Temer está certo em dizer que a Previdência precisa de reforma. Não importa qual a sua opinião, e não importa “de que lado você está”, o problema da Previdência é matemático e está cheio de fatos que o comprovam.
E você não precisa de um bacharelado em Economia para saber o que acontece quando sai mais dinheiro do que entra, em um dado caixa. Essa é a situação da Previdência. E não é passível de opinião. Basta olhar para os números.

A reforma que segue sendo discutida via PEC 287/16 não vai – como de costume nas reformas do nosso país – implementar metade do que foi previsto nela. Não há cacife político para enfrentar os sindicatos e as classes trabalhistas que são estrondosas em atacar a reforma. Mesmo assim, você precisa saber o porquê de reformar, da forma mais enxuta possível:

  1. O brasileiro está vivendo mais. Bom pra ele; péssimo para a Previdência.
    No Brasil, segundo o IBGE, temos ~10% da população superando os 65 anos. A título de comparação, no Japão, um dos países com melhor estimativa de vida, 25% deles superam a marca.
    No entanto, a Previdência Brasileira consome quase 10% do PIB do nosso país. Isso equivale a assustadores ~50% de despesa primária da União (aquela que afeta o endividamento líquido), todos os anos.
    Imagine um orçamento em que metade paga direitos à pessoas que já não geram riqueza (Não significa que eu pense que elas não merecem. Mas, as contas não se importam com minha opinião, e seguem no vermelho).
  2. A Previdência tem Superavit (sobra dinheiro). #SQN
    Eu sei que você já ouviu isso: Não há dívida na Previdência. Ela recebe mais do que gasta.
    Infelizmente (para todos nós), isso não é verdade, especialmente porque você precisa olhar como a Constituição Federal compõe o fundo previdenciário.
    Também, é preciso dizer que a Previdência Pública opera em regime de repartição simples. Quer dizer que não há aplicação do dinheiro (como ocorre no VGBL ou PGBL), e ela só se mantém saudável se houver mais receita do que despesa.
    Segundo a CF/88, a seguridade social agrupa a previdência social, a assistência social (mesmo para quem nunca contribuiu com o fundo) e a Saúde. Suas receitas são contribuições de empregados e empregadores, a contribuição social sobre o lucro líquido, a COFINS, o PIS-PASEP e um percentual sobre as loterias federais.
    Ora! Se o que cada trabalhador e empregador pagam é mais que suficiente para manter a Previdência de todos os aposentados, por que então, o fundo tributa toda a sociedade com COFINS, PIS-PASEP e Loterias, desde sua constituição??? Porque sempre se soube que a conta não fecharia com o que se arrecada de cada trabalhador contribuinte (que, mais tarde, será um beneficiário). 🙂
    E não se engane, dizendo que o problema está nas outras 2 partes que consomem o fundo: A Previdência consome 58% do montante arrecadado, deixando 42% para a Saúde e a Assistência Social dividirem.
    Há, também o argumento dos desvios e corrupção… Certamente, a caixa d’água da Previdência lembra mais uma peneira, com tantos vazamentos e esquemas, mas, pra não entrar numa discussão enorme, o déficit da Previdência em 2016 foi de 257 bilhões de Reais (se considerar os cálculos otimistas do governo, “só” R$151 bi). Para falar de um mega-esquema de corrupção, estima-se que o rombo total da Petrobrás chegue à casa dos 20 bilhões.
    Mesmo que o sistema previdenciário seja inteiro revisto (e deve, de fato, o ser), ainda faltarão “alguns” bilhões de Reais para que a conta feche. A reforma parece, portanto, inevitável. Não é culpa, somente, da corrupção.
  3.  Quer pagar quanto (e como)?
    Não viva de sonhos: COM reforma ou SEM reforma, todos nós pagaremos pelo déficit. O dinheiro não será impresso (se for, vai dar m$@%&*).
    E do que adianta gritar “tenho direitos!”, se o caixa estiver vazio? Se a Previdência falir, não importa o que você acha que merece. Não há dinheiro pra te pagar. Vamos ver se a ideologia gera notas de 100 reais, do nada.
    Sem a reforma, o governo vai fazer o que sabe fazer de melhor: Aumentar impostos, criar novos, ou ambos (“ambos”, me parece o mais provável). Vamos pagar de qualquer forma.
    Se não criar/subir impostos, vai emitir mais títulos de divida pública e aprofundar o endividamento do Estado. E vamos todos, como Nação, pagar juros a quem quiser comprar os títulos. Em algum momento, mesmo que não agora. Não há como o Estado brasileiro dar calote. Não, sem virar a Somália ou a Venezuela.
    Se não fizer nada disso, resta ao governo imprimir dinheiro mesmo, o que significa “Inflação”: Você sai com seus mil reais que, por terem sido impressos sem geração de riqueza atrelada, agora valem 100.
  4. “Os Militares de fora da PEC da reforma”, foi uma decisão correta, sim.
    Não vou me estender muito mas, você precisa saber que a CF/88 trata da Previdência de servidores públicos civis, por simples pressão classista.
    Durante a composição da CF/88, seus sindicatos e seus parlamentares cederam à pressão e incluíram proteção com status constitucional para essas classes.
    Mas não é o caso dos militares. Os militares têm sua aposentadoria regulada por lei ordinária, e não pela Constituição, e isso é ótimo.
    Na verdade, deveríamos lutar (eu e você, que não temos regalia [eles preferem o termo “Prerrogativa”; é menos vergonhoso] alguma como quinquênios, licença Premium, readaptação e tantas outras firulas que fazem a aposentadoria, de fato, chegar bem mais cedo para o setor público, mesmo que não no papel) para que toda a regulamentação de aposentadoria do funcionalismo público fosse removida da Constituição.
    Estar lá significa ter mais proteção contra reformas, mais mecanismos de impedimento à reformas, e mais trabalho para se corrigir qualquer desvio. Incluir militares na PEC seria dar à eles todo esse respaldo que servidores públicos civis já contam.
    Ou seja: Militares teriam mais proteção à sua aposentadoria. Não significa que os militares não devam ter seu modelo de aposentadoria revisto (por que diabos parece sensato que a filha de um militar ganhe pensão se for solteira?) mas, não, não nessa PEC e não agora.
  5. Se o remédio amargo não for tomado agora, ele vai amargar ainda mais, logo ali na frente.
    É uma ilusão tremenda, típica do endividado crônico, fingir que se não encararmos o problema agora, e o escondermos por debaixo dos panos, ele se resolverá sozinho. Como em todo problema crônico, o tempo é amigo do monstrinho que vai crescendo em baixo da cama.
    Podemos não reformar agora. Podemos fazer como fizeram os últimos governos brasileiros, com anuência da sociedade, claro.
    Podemos empurrar essa situação até o limite, quando ela consumir 70, 80% da despesa primaria da União.
    Podemos.
    Mas, uma hora, com direito garantido por lei, e decisão favorável do Juiz, seu pai, sua mãe, seus tios, e até você, vão bater na porta da Caixa Econômica e vão encontrar a conta zerada. Pode espernear, tacar fogo em pneu, parar o transporte público. Não vai ter verdinhas. Ponto.
    Se não isto, então, impostos novos vão aparecer para cobrar de você, de qualquer forma, o que a reforma não corrigiu e não equalizou. E com mais impostos, é mais difícil rastrear pelo que você está pagando, e mais difícil de melhorar a tão criticada regra tributária brasileira que impede novos empregos e afunda o país em atraso e desemprego (também).
    O problema não irá desaparecer. Irá piorar.
    Não precisa ser genial pra saber disso: Deixe seu financiamento imobiliário atrasar, e volte daqui três meses para ver se a dívida melhorou. Talvez, você já esteja sem um teto, até lá.
    Por que seria diferente com as contas públicas? Ainda com dúvida? Pergunte ao compatriotas cariocas, como anda a vida no Rio…

Mas, qual é a meia-mentira?

Bem, eu disse que toda meia-verdade é também, uma meia-mentira.

A meia-verdade: A reforma da Previdência é tão necessária quanto a reforma Trabalhista. Não há como negar que a primeira precisa ser feita para salvar o modelo de Previdência pública, e a segunda continuará a agredir a geração de empregos, se não for feita.

A meia-mentira: Todos vão pagar o preço, como uma sociedade unida o faz, em momentos difíceis. Eu riria, não fosse a dor da úlcera de saber que só nós, os sem privilégio político ou de classe, vamos pagar o preço.
Nós, da “classe média”, aquela que o último governo classificou como “ganhando mais que R$1.164,00 mensais” (SAE 2014).

Os políticos: Não, eles não vão pagar o preço. Continuam nos melhores hotéis de Brasília, continuam com vale-paletó, vale-combustível, vale-torradeira, vale-máquina-de-lavar… Cobram o favor, a obrigação, o que deviam fazer e o que não deviam. Cobram pra ficar quietos, para falar, para serem bons e ruins. Cobram para tudo. E, claro, nunca farão nada que vá contra a sua capacidade de se grudar ao poder, e sugar tudo de bom que há nele, como carrapatos que parasitam um animal… O mais triste é que, nessa analogia, o “animal” sofre de síndrome de Estocolmo, e até luta para manter certos carrapatos mais famosos, se alimentando dele…

Os sindicalistas: Não, eles também não vão pagar o preço. Continuam com fartos salários, pagos via imposto sindical (recentemente removido, e um motivo real de tanta indignação dos sindicatos com o governo, bem mais do que a estória do “Nenhum direito a menos”), via lavagem de dinheiro, corrupção, frutos de acordos espúrios com os Empregadores das cadeias mais poderosas da Indústria nacional, e representantes de todas as esferas do poder Estatal… Comandam uma massa de manobra gigante, cega, barulhenta e violenta…

Os funcionários públicos: Não, eles também não vão. Já mostraram que mandam no país, sequestram o poder público em benefício da classe e benefício próprio; fecham, proíbem, atrapalham, atravancam toda a vida em sociedade, em todos os seus aspectos, caso sejam contrariados. Se, por um lado, são trabalhadores como quaisquer outros da iniciativa privada, por outro, detém funções com a qual a vida em sociedade não se sustenta sem, como o esparadrapo no pronto-socorro, a escola pública que precisa conceder o diploma, o passaporte que precisa ser emitido para se trabalhar e estudar, a Lei que precisa ser mantida, e tudo mais para qual o monopólio Estatal não pode, por inúmeras razões, receber as benesses da competição privada. Sabem o que sequestram, e sabem quem e o que fazer de reféns para manter tudo como está. Conservadores como qualquer partido de Direita, mas, com a desculpa de “lutar pela manutenção de direitos”…

Você, eu, todos aqueles que não tem poder visível (demonstrável) de eleger e remover do poder; alguém que, sem mérito ou conhecimento, decide os rumos do Estado brasileiro e de nossas vidas… Nós, sim, vamos pagar (todos) o(s) preço(s).

Então, essa é a meia-mentira. A de que somos iguais perante a Lei se comparados com todos esses outros, e que todos nós vamos pagar solidariamente, os custos da reforma de algo que foi quebrado não por um ou por outro, mas por todos até aqui. Não vamos… Ou melhor, só nós vamos…

Se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come…

O xeque-mate está ali na esquina.

Você não gosta nada da reforma, seja porque não vê necessidade, ou porque não concorda em ser o único a realmente pagar o preço dela (fato com o qual eu concordo, também).

Por outro lado, a única turma fazendo barulho contra, é a turma que se alimentou das entranhas do poder – grosso modo – na última década.
Uma turma que usa o idealismo e o sonho de um mundo socialmente mais justo de seus filiados menos influentes e mais fiéis à causa, para fazer uma tropa de choque para-militar que quebra patrimônio público e causa a disrupção de serviços e direitos elementares (como o ir e vir Constitucional; superior ao direito de Greve, só pra constar) de todos nós, em nome dos interesses de alguns poucos caciques que deveriam estar presos pelo que fizeram e fazem, mas seguem “dando as cartas” no dia-a-dia do Poder, e discursando em palanques.

Eu, do fundo do coração, acredito no instituto legal da Greve como instrumento legitimo e digno, sim, de controle e equilíbrio das forças que o Capital confere – inegavelmente – ao Empregador; poder que esvazia-se no empregado.
Mas, de modo algum, eu teria coragem de reclamar de pagar essa conta sozinho, inflando os números em uma avenida, para que Lula ou qualquer outro safado subisse num palanque, na minha frente, e em desrespeito ao código eleitoral, fizesse pré-campanha para a Presidência em 2018, com eu, ali, dando quorum, ao menos visual, para as bobagens e mentiras que ele gosta tanto de dizer (Os safados da dita “Direita” [embora eu sofra em achá-la às claras, por aqui]… Os Aécios, Renans, Alckmins e todos os outros; estes não precisam do palanque, agora… Estão felizes como tudo segue e só por isso, não vão às ruas como o ex-presidente vai).

Estamos numa cilada. Vamos pagar a conta sozinhos. E não tem bandido e mocinho, mas só bandidos, pedindo nosso apoio ou repúdio, não em nome dos verdadeiros valores de igualdade e justiça social, mas, para atender à interesses completamente privados.

Esta é, ao meu ver, a estarrecedora situação da representatividade de cada um de nós, diante do Poder público, nos dias de hoje. E explica porquê é tão difícil entender para que lado “a corda puxa”, e para que lado ela vai chicotear.

Mas, deixe-me fazer uma única previsão final: Como sempre, essa corda vai chicotear para quem, proporcionalmente, recolhe mais impostos, e recebe menos benefícios do Estado… Nem o magnata do Petróleo, nem o miserável do programa assistencial…
Ela vai acertar bem no meio do nosso extrato social. Bem em nós. Como de costume.
E eu nem precisei de uma faculdade para prever isto.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑