A minha semana na Rio 2016 (Ou “Porque eu amo os Jogos Olímpicos”) – Parte 1

Arena Olímpica na Rio 2016
A visão da Arena Olímpica do Rio, no Parque Olímpico da Rio 2016, em nossa despedida, na noite de Sábado, dia 13 de Agosto.

Acabou. :-\

Bem, para mim, “o melhor” já tinha acabado no último dia 14, quando, com uma precoce – e, honestamente, inesperada – tristeza nostálgica, me despedi do Rio de Janeiro, deixando o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (o “Galeão”) e, me dirigindo de volta à terra da garoa.
Dizer “adeus” aos Jogos olímpicos, sempre me deixa um pouco chateado…

Os quase 9 dias que passei no Rio de Janeiro, em plena Olimpíada, foram uma das experiências mais marcantes da minha vida, em parte pelo meu forte carinho pelo Ju-Do (ou “Judô”), mas, também, pela minha ligação com os Jogos olímpicos, e a valorização que eu faço quanto ao evento.

Para provar que não é conversa de quem, “de repente”, virou o “fã número 1”, compartilho alguns fatos que justificam esse porquê.

Em rápido esforço, tento me lembrar da situação mais antiga da qual consigo recordar, na minha vida inteira. E lembro de 3 coisas:

  1. Ganhar uma estrela amarela que falava/cantava e piscava, dos meus tios maternos, em 1990.
  2. A chegada do meu irmão, em casa, em 1991.
  3. O acendimento da Pira Olímpica, pelo arqueiro para-olímpico (me recuso a escrever “paralímpico”), Antonio Reb0llo, em Barcelona, 1992; visto pela televisão.

Juro, por tudo que pode ser jurado, que essas são as 3 primeiras coisas mais marcantes que me lembro.

É óbvio que, em 1992, com 6 anos, eu não sabia nem que o arqueiro era Para-Olímpico, e muito menos que se chamava Antonio. Muito menos, sabia que era polêmica a história sobre se a flecha acendeu mesmo a Pira, e sobre toda a maluquice de terem 4 arqueiros (selecionados entre 200) de prontidão, e de que o nome do arqueiro saiu no último minuto, e de que ele foi instruído a errar o tiro, por segurança da platéia na abertura (mas, que acertou as pessoas do lado de fora do Estádio, sem nenhum cuidado maior). Nada disso, realmente, me importava.

Ao som do movimento mais conhecido de “Carmina Burana”, (que não é uma Opera, mas um conjunto de 254 poemas dos séculos XI~XIII, o que eu também não tinha a menor idéia, em 1992) chamado “O Fortuna”,(um dos 24 poemas musicalizados pelo alemão Carl Orff, sendo a peça clássica mais conhecida da Terra)  que narra a sujeição de todos nós à Roda da Fortuna, que inflige ora dor, ora alegria no destino dos homens; aquela era a coisa mais grandiosa que eu já tinha visto. Tal abertura dos Jogos de 1992, devia ser “o maior espetáculo da Terra”, eu pensava… Dos jogos em si, confesso que lembro muito pouco. Mas a abertura, ficou gravada para sempre.
Lembro-me também de perguntar para meu pai, qual era a “mecânica” dos jogos (não usei essas palavras, certamente), e lembro de receber uma resposta simples, mas bem válida: Os melhores do mundo, em cada esporte são chamados e, então, competem entre si, para saber quem é o melhor. Simples, um tanto quanto impreciso, mas marcante: Já eram os melhores. Restava saber qual era O melhor.

Em 94, o Brasil de Bebeto, Romário, Dunga e companhia, foi Tetra-campeão do Futebol Mundial, e isso, para um garoto de 8 anos, nascido no país do futebol, tirou um pouco do meu foco nas Olimpíadas. A prova disso é que, em Atlanta, 1996, eu praticamente não acompanhei os jogos. Aposto que os próprios adultos – baseado no que ouço dos mais velhos de hoje – da época menosprezavam as Olimpíadas, tendo em vista nossa histórica má performance nos jogos, e o alívio imediato de dizer “Podem ficar com seus jogos. Somos os reis intocáveis do Futebol”. Diante disso, a história de 1996 é, pra mim, um simulacro: Eu sei da história de 1996, da abertura, dos resultados e etc., não porque vivi e tive aquilo marcado em mim, mas, porque assisti depois de adulto, aos filmes oficiais do evento e etc.

Em 1998, o Brasil faria o papelão diante da França de Zidane, e machucaria um pouco do meu prazer de amar, só e somente o Futebol. Hoje, não posso não ser grato à Zidane, por isto. Triste seria minha limitação, até como ser humano, se só tivesse alegria no futebol, e não tivesse aberto meus olhos ao universo dos esportes que vão MUITO além do esporte bretão. No embalo que eu vinha, e tendo em vista minha ignorância à Atlanta-96, cercado pelo discurso dos mais velhos que em nada se alterava: “Nosso negócio é futebol. Deixa esse negócio de Medalhinha para os gringos.”, ou “Copa do mundo é MUITO melhor que Olimpíada”, o destino era a ignorância esportiva e o raso conhecimento de quem só assiste “se valer ouro”.

Sidney 2000

A derrota para Zidane me fez voltar a assistir, com seriedade, à Sidney 2000. Lembro da abertura, e lembro de várias competições.
Lembro de ouvir falar de “um tal” Tiago Camilo (sim, em 2000) que ganhara a Prata, no Judo. Carlos Honorato, trouxe outra. Nessa época, o Ju-Do não significava nada pra mim, mas eu já sabia, de tanto ouvir os comentaristas, que este era o “carro-chefe” do Brasil, em todas as edições dos Jogos, até então. Eu não poderia imaginar que eu ia me emocionar de conhecer um deles, 16 anos depois.
Os velejadores Robert Scheidt (prata) e Torben Grael (bronze), eram os queridinhos da mídia nacional, e estavam sempre aparecendo.
Na natação, o “monstro”, Gustavo Borges, era nosso sonho de Ouro, mas tivemos que nos contentar com o Bronze. O Xuxa (Fernando Scherer) estava presente também, e angariou outro bronze. A natação, ao lado do Ju-Do, sempre foi a modalidade onde mais depositávamos esperança de medalha. Nessa edição, trouxe uma.
Assistir os jogos e competições de madrugada, em canal aberto, era um grande desafio. Até porque, eu acordava cedo para ir à aula no outro dia. Pelo menos, o fuso-horário salvou os jogos de terem de competir com o Brasileirão, ou a Novela. Até porque, se competissem, iam ser sempre os últimos no “pódio” das prioridades da grade.

Quando alguém reclamar da performance do Brasil em 2016, lembre esse alguém que em 2000, só tivemos 12 medalhas (6/6), e nenhuma era de Ouro. Terminamos em 52º lugar no ranking de medalhas. Muito pior que nosso definitivo 13º lugar de agora, com 7/6/6 medalhas.

Tantas coisas ocorreram em 2000, em especial, em prol das mulheres, como mostrou o filme oficial de Sidney, recentemente reprisado na ESPN; como de costume, antes da abertura de novas edições dos Jogos. Eu não tinha consciência da importância de Sidney para muitas delas. Pesquise, e você também poderá se surpreender.

Em 2002, o Brasil, novamente, ganha a Copa, e eu volto a oscilar entre o que vivi em 2000, torcendo por dezenas de atletas, em diferentes modalidades, e o reacendimento da chama que dizia : “Brasil, o país do futebol”.

Atenas 2004

Mas, com 18 anos e bem mais consciente, não me deixei levar e assisti, tanto quanto pude (já que não tinha TV à cabo), a Atenas-2004. Emocionante retorno dos Jogos ao seu berço original, uma abertura fantástica e rica em cultura (afinal, era da Grécia que estávamos falando!) e mesmo com toda a dificuldade de depender da rede Globo para assistir, tive a “sorte” de não ingressar na Fatec-SP de primeira, o que me permitiu ter mais tempo para ficar em casa, e ver os jogos mais de perto.

Em 2004, arrasamos nossa marca anterior, terminando em 16º colocados, com 5/2/3 medalhas. Até a Rio 2016, a nossa melhor atuação, sem dúvida.
Tivemos nosso Volleyball masculino, brilhando, com Nalbert, Giba, Dante, Mauricio, Sérginho e tantos outros, com o Ouro no peito.
Tivemos Scheidt e Grael, agora, com o ouro reluzente, pendurado neles.
Tivemos Rodrigo Pessoa com aquele, 100% inesperado, ouro no Hipismo (Hipismo? No Brasil?).
Tivemos as meninas do futebol, com Marta em campo, chegando na final, e ficando com a Prata.
Tivemos Leandro Guilheiro e Flávio Canto, no Ju-Do, com 2 bronzes.

Mas, acima de todos esses nomes, pódios e rankings, tivemos Vanderlei Cordeiro de Lima: Sem sombra de dúvidas, o brasileiro que melhor representou o Brasil, para  o mundo, nas Olimpíadas de 2004. Liderando uma prova de maratona, e perto do fim que o coroaria com o Ouro, Vanderlei foi atacado por um Cristão lunático Irlandês. Perdeu tempo, ritmo, força, mas, nunca desistiu.
E mesmo ficando com o Bronze, quando deveria ser Ouro, sorria como um menino feliz, ao entrar no Estádio onde a prova se encerrava. Um exemplo que, na época, eu não conseguia entender (por que ele não esmurrou o ex-padre? Eu matava o cara de porrada se me levasse a chance clara de Ouro, como levou), mas que tocou o mundo do desporto, e fez com que o COI o presenteasse com a medalha “Pierre de Coubertin” (o patrono da moderna Olimpíada). A maior honraria que um atleta olímpico pode receber. Muito maior do que um Ouro e entregue, até hoje, a somente 18 pessoas… Eu só soube disso depois, e se ele tivesse agido como eu, jamais teria ganhado essa honra.

2004 foi o nosso melhor momento, e eu tive a sorte de ver, tanto quanto pude, essa festa mundial do esporte.

Em 2006, o Brasil, do melhor futebol do mundo, voltaria a cair para a França, com uma Seleção que, no papel, deveria ser o Estado da arte. Na prática, contudo… Deu no que deu.
À essa altura, eu estava mais e mais convencido de que o Futebol recebia muito amor do brasileiro, por pouco “resultado” de performance (não títulos, necessariamente). Para mim, no auge da polarização, “atleta de verdade” era Vanderlei, que treinava no chão de terra, e não com as chuteiras mais caras do mundo, como Ronaldo Fenômeno.
Claro que, hoje, diante do que eu sei, percebo o quão bobo era o meu comentário: Eram todos Atletas com A maiúsculo. Por suas biografias no esporte, seus caminhos, tropeços e recomeços. Cada um, no entanto, exposto à uma realidade bem diferente de incentivo – o que não: Não pode ser colocado como culpa do atleta, em si.

Em 2007, iniciei meu treinamento no Ju-Do, graças ao convite do amigo, Fernando, e logo descobri que aquele era meu lugar nos esportes. Eu me sentia muito à vontade (o que não quer dizer que eu era bom. Apenas que amava aquilo). Assistir ao PAN de 2007 foi um “esquenta para o que estava por vir”. É claro que eu queria assistir, muito mais pelo Ju-Do, mas o PAN tinha uma cara de “mini-olimpíada” e, num dado ponto, eu já estava torcendo por 5 ou 6 modalidades.

Beijing (Pequim) 2008

Chegou 2008 e Beijing (Pequim, se preferirem) também. Muitas pessoas assinavam TV à cabo, para ter mais filmes, mais canais com cultura útil, e etc. Eu assinei só para poder ver as Olimpíadas. Não me envergonho. Aliás, no meu primeiro emprego com carteira assinada, eu fiz questão de pagar a cara TV à cabo brasileira, com aquele salário de 622 reais, e ainda, me desdobrei para aprovarem minhas férias no mesmo mês dos Jogos. A meta era só uma: Assistir o máximo de eventos possíveis.

Foi a minha primeira Olimpíada de “gente grande”. Chega da palhaçada de ter que ver a luta do Ju-Do no quadradinho menor da tela. Chega de perder o jogo de Vôlei no meio, só porque o técnico de futebol local estava dando entrevista. Agora, eu tinha quase um canal por modalidade, e todo o tempo do mundo. Eu estava muito feliz.

E que sorte! Foi a abertura mais sensacional, megalomaníaca, alucinógena, profunda (contar a história da China… Não faltou assunto) e cara (~R$300 mi), da história dos jogos.

Em 2008, a China foi um monstro na competição, engolindo todas as medalhas que apareciam. A performance Chinesa atropelou EUA e Rússia, sempre tão tradicionais, sem muito apuro.

O Brasil teve 3/4/9 medalhas, ficando em 23º lugar.
Tivemos o Vôlei femino, Maurren Magi, e Cielo, trazendo a mais dourada medalha para casa.
Tivemos a prata na Vela, no Vôlei masculino…
Tivemos Katleyn Quadros, Guilheiro e, novamente, Camilo, com o Bronze no Ju-Do…

Enfim, 2008 foi o ano em que, definitivamente, eu passei a amar mais a Olimpíada do que o Futebol. E isso apenas se ratificou, nos eventos seguintes.

Londres 2012

2008 foi um ano muito difícil para o mundo. A crise dos mercados devastou o velho continente, e claro, engolfou a Grã-Bretanha e, obviamente, a Inglaterra. Não tenho toda essa memória, então, talvez esteja falando bobagens, mas, não lembro de um caso de cidade-sede dos Jogos, com tantos protestos contra sua realização.
O temor do Londrino era que gastassem tanto dinheiro que a cidade – que é o coração econômico da terra do Chá das 17h – viesse ao colapso financeiro inexorável.
Surpreendentemente, e em total oposição – podemos dizer: em um irônico Yin e Yang – à Beijing, a abertura de Londres foi, totalmente cost-smart. Os valores gastos na abertura de Londres (cerca de R$120 milhões) foram muito enxutos para os padrões Olímpicos, mas a execução foi primorosa o bastante para que os expectadores não ficassem horrorizados ao comparar Beijing 2008 (que custou quase R$300 milhões) e Londres 2012. Palmas para os britânicos.

Mais uma vez, no meu segundo emprego com carteira assinada, eu “me virei nos 30”, e fiz minhas férias casarem com os jogos. Eu tinha que estar totalmente disponível para um evento que só ocorre à cada 4 anos. Pecado era não ter tempo de assistir nada.

A transmissão de 2012 foi muito mais inteligente do que as anteriores, muito embora, 2008 não tenha sido ruim. No entanto, a maestria com a qual Londres foi televisionada, criou, em minha opinião, uma nova marca d’água na barra de qualidade da cobertura televisiva e jornalística do evento mundial.

Em 2012, o Brasil terminou em 22º, com 3/5/9 medalhas.
Mesmo sendo “fresco” na memória da maior parte das pessoas, relembro que Sarah Menezes trouxe o Ouro inédito no Ju-Do.
Arthur Zanetti detonou nas argolas, e trouxe a medalha dourada, também.
O Volleyball feminino de Jacqueline, Thaísa, Dani Lins, Sheila, Fabi, e tantas outras; mais um ouro.
Ainda tivemos a surpresa de Thiago Pereira na prata, com a Natação.
Os times de futebol e Volleyball masculino, mais uma vez, trazendo a prata pra casa.
E, talvez, a maior surpresa tenha sido Esquiva Falcão, com sua prata inesperada.
Kitadai, Mayra Aguiar e Rafael “Baby” Silva, o Bronze, no Ju-Do.
Scheidt sempre medalhando, e Cielo, também trazendo o Bronze para o Brasil.
E como não falar de Yane Marques e a inesperada medalha de Bronze no Pentatlo (Pentatlo? 🙂 )?

Em resumo, Londres 2012 foi fantástica, não por ter melhorado nossa marca no ranking, ou superado a melhor marca que continuava sendo Atenas, em 2004. Mas, foi o melhor ciclo olímpico para apresentar diversidade de esportes com potencial, e que mereciam a atenção e o apoio dos brasileiros.

Nesse sentido, eu acredito que Londres ajudou a “evangelizar” nossa população sobre a beleza de se assistir à uma Olimpíada, como nenhuma outra edição conseguiu fazer.

(Terminei de redigir esse texto às 4h18 da manhã, e ainda pretendo reler e, talvez, precise editar algo. Peço desculpas de antemão, caso tenha algum erro grosseiro de português ou de argumentação, mas, prometo corrigir mais tarde. No entanto, eu queria muito lançá-lo hoje, no primeiro horário. Daí, a pressa).

No próximo post, vou falar, exclusivamente, do que vi, ouvi, senti, vivi (vocês entenderam a idéia, né?) na Rio 2016, in loco, e pela TV.

Mas, por que – e, de novo – a França?

França: Território nas cores da bandeira e o símbolo de Luto por cima dele.
O território francês, nas cores da bandeira nacional, sob o símbolo do luto de uma nação que está, tristemente, se acostumando com o Terror. Fonte: Montagem própria com Wikipedia + Internet.

Começar o texto com uma pergunta que não pode ser respondida – ao menos, não com “‘A’ resposta certa” – não é a jogada mais inteligente…

Por outro lado, fazê-la, parece-me inevitável: Afinal: Mas por que, de novo, a França?

É preciso lembrar tudo o que já ocorreu – de ruim – no território onde os Gauleses viveram, e fazer menções à alguns aspectos que, talvez, e só talvez, possam explicar o porquê do Terror ter escolhido a França como seu novo alvo predileto.

O número de ataques à França não é pequeno. É o país desenvolvido, mais atacado pelo DAESH (ou ISIS, como preferir…), em todo o mundo ocidental, desde o começo da escalada do novo emissário do Terror.

O primeiro ataque da organização à França, ocorreu entre 7 e 9 de Janeiro de 2015, quando a sede parisiense da revista “Charlie Hebdo” foi alvo de 2 atiradores, os irmãos Kuachi, franco-argelinos, com pouco mais de 30 anos. Na mesma série, outro atirador na mesma faixa de idade, Amedy Coulibaly, tomou um comércio de donos Judeus. Ao todo, 17 pessoas foram mortas durante 3 dias em que a França ficou acuada e trancada, dentro de casa, enquanto as autoridades tentavam achar os terroristas.

Depois, em Fevereiro de 2015, um homem de 30 anos, esfaqueia 3 soldados que protegiam uma rádio Judaica em Nice. Sim, a mesma do lunático motorista do Caminhão da última quinta-feira.
Intrigantemente, o agressor tem o mesmo sobrenome do terceiro atirador da primeira onda de Terror. Não há divulgação concreta sob o parentesco dos 2 (mas, no caso da Charlie Hedbo, sabe-se que eram irmãos e nacionais descendentes de argelinos).
Sendo o primeiro terrorista capturado vivo (os 3 primeiros morreram), Moussa declara, em depoimento, “ódio à França, ao Militares, ao Governo, e aos Judeus e Infiéis”.

Após essas duas ocorrências, em Abril, outro Argelino, Sid Ahmed Ghlam, com visto de estudante, é detido em Paris, sobre suspeita de homicídio, e de estar preparando um atentado contra os trens da cidade, onde o objetivo seria “matar 150 infiéis, ou mais”. O alvo secundário era a Basílica Sacré-Coeur.

Mais tarde, em Junho de 2015, um homem é decapitado em Lyon, dentro de uma fábrica de combustíveis. O autor é o seu funcionário, Yassin Salhi, de 35 anos. Ele é nascido na França, com pai argelino e mãe marroquina. Depois da decapitação, envolto em bandeiras com símbolos do Islã, ele tenta explodir toda a planta, mas, sem sucesso. Foi capturado pelas forças policiais.

O ponto mais assustador é atingido em Novembro de 2015, quando Paris sofre uma série de ataques coordenados, com o pior ocorrendo na casa de Shows “Bataclan”. 130 pessoas foram mortas, e 350 ficaram feridas.
Salah Abdeslam, o único envolvido com o atentado a sobreviver nas buscas e confrontos policiais, se nega a comentar qualquer questão relacionada ao caso, após ter sido extraditado para a França, tendo sido capturado depois de uma longa operação no território belga. Com 26 anos, e de origem Belga, é o terrorista mais novo da lista, até agora. Com pais de origem Argelina, ele engrossa a lista de ligações com aquele país, e os atentados na França.

No mais recente episódio de Terror na Gália, o motorista Mohamed Bouhlel, tunisiano de 31 anos, atropelou e matou 84 pessoas (mais dezenas de feridos, em estado crítico), ao longo de 2 quilômetros, percorridos com um caminhão-baú, na Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses), onde a cidade de Nice comemorava a data histórica da Queda da Bastilha (14 de Julho) que é fundamental na história da Revolução Francesa.
O DAESH assumiu a autoria do ataque, mas, tudo ainda soa incerto. As fontes, versões e fatos vão se desdobrando, e os órgãos de inteligência ainda não sabem com quem Mohamed se relacionava, seus contatos no celular e no computador, e detalhes que ajudem a compreender a dimensão de seu ato.
Por ora, apenas um casal de Albaneses que ajudaram Mohamed com acesso à armamento, foram detidos, por SMS com conteúdo incriminador, trocado entre o marido e o Mohamed.
Entre a chance de blefe do DAESH, as alegações de algumas fontes de que trata-se de um ato de um desequilibrado mental que foi indevidamente capitalizado pelo grupo terrorista, nenhuma hipótese pode ser totalmente descartada, ainda.

Não vamos falar sobre os ataques em Orlando, San Bernardino, e Boston (EUA), Bélgica, Iraque e Turquia, pois, falar da França já rende assunto o bastante. No entanto, parece evidente a escalada da violência do grupo terrorista e, não somente, algo pontual e localizado.

Alguns analistas apontam que, embora o DAESH mire em todo o ocidente, a França, por ser simbolo das Revoluções que pavimentaram o Iluminismo, a forte crença de seu povo em valores como Democracia, República, e Laicismo, é um contraponto absoluto à tudo que o DAESH prega e deve ser destruída, como prova maior da determinação dos terroristas.
De maneira mais objetiva (ou menos simbólica), podemos citar o tratado de 1916, Sykes-Picot, assinado entre França e Reino Unido, que acabou com o império Otomano, criando fronteiras artificiais (de onde surgiram, por exemplo, Síria e Iraque), destruindo a base do sonho de muitos radicais, sobre um Califado que dominasse todo o Oriente Médio, por vezes, referido como Oumma (Comunidade de crentes).
Todos esses motivos podem ser a real causa do porquê Abu Mohamed Al-Adnani, porta-voz oficial do DAESH, disse, em 2014, “Mate com pedras, facas, ou seu carro (…) em especial, os sujos e desprezíveis franceses”.

Jovens, homens, 30 anos, nacionais, com descendência islâmica.

Não se trata de profiling (preconceito), mas, como eu identifiquei, ao longo da história recente dos ataques à França, existe sim, um padrão de “recrutamento”.

A esmagadora maioria dos agressores tem a origem na Argélia.

A Argélia é um país entre o Norte da África e o Saara, e já foi colônia francesa. A colonização não foi nada pacífica (a França invade a Argélia em 1830, mas só toma o território, por completo, no meio do século XX), e, para não chegar às 8000 palavras, eu vou resumir dizendo que houve um “mini-apartheid” aos moldes dos colonizadores holandeses, na África do Sul.

Só ao fim de vários conflitos é que a França estendeu direitos de cidadania aos Argelinos muçulmanos (por anos, eles não eram considerados cidadãos, e os índices de analfabetismo – por exemplo – eram agressivos para essa parte da sociedade).

A independência Argelina só ocorre no fim do século XX, e é pavimentada através de muito terrorismo. A guerra civil é uma realidade entre tropas francesas, a FLN (Frente de Libertação Nacional), e a  OAS (Organização do Exército Secreto).

A FLN representa parte da sociedade reprimida pelas décadas de opressão dos colonizadores, e o OAS é um braço radical do Exército Argelino, guiado por um general Islâmico, sendo que o terrorismo é a arma de ambos. Depois, OAS e FLN se enfrentam, com mais terrorismo.

Em 1962, Charles de Gaulle, presidente francês, se vê forçado a assinar armísticio com essas organizações, onde reconhece a independência da Argélia, e garantia de direitos aos franceses, ainda residentes na Argélia.

Ao fim do processo, apenas 1% de Cristãos restam no território e, o novo governo, formado pela FLN, edita decreto que restringe o culto ao Cristianismo, e a perseguição aos Cristãos começa. Terrorismo, como se percebe, é o triste meio pelo qual a Argélia é constituída, ao longo de sua história recente.

E a França está no epicentro disso tudo, por todos os seus atos e medidas com sua ex-colônia.

Mais que isso, o processo, em larga escala, contínuo, de imigração da região do Maghreb (o noroeste do continente Africano) para a França, e a criação de “ghettos” ao redor de Paris, onde essa população é “estocada” – na falta de palavra melhor – só aprofunda a gigantesca cisão com o sentimento de pertencimento desses indivíduos, dentro do território francês. Antes de supor a culpa dessas pessoas, é bom lembrar que a França bancou e patrocinou essa imigração, para fins de reconstruir a nação no pós-guerra, onde o país encontrava-se devastado pela ocupação alemã, e demais desdobramentos históricos.

A França é mais vulnerável ao terrorismo?

Difícil de responder (comparado à quem?), embora tudo indique que não.

A França é a quinta maior economia do mundo (PIB nominal), sendo a segunda maior, dentro da Europa.

A França também tem o terceiro maior orçamento militar do mundo. Mas, em contrapartida (para compreender o risco à que está exposta), também é o país mais visitado por turistas, no mundo todo. Por ano, são 82 milhões deles. Para ter uma idéia do que isso representa, a população regular da França é da ordem de ~65 milhões. Significa que, praticamente, “outra França + 1/3” entra e sai das fronteiras do país, todos os anos.

Como líder mundial, a França pode se orgulhar de ser uma das nações fundadoras da União Europeia, além de possuir a maior área e a segunda maior economia do bloco. Também ajudou a fundar a Organização das Nações Unidas, além de pertencer ao G8, ao G20, à OTAN, à OCDE, e à OMC.

Acredito que, diante do exposto, fica difícil supor que a França não invista valor considerável na manutenção de sua Segurança Nacional, ou que seja imatura em lidar com imigração, controle de fronteiras, e etc. Ela investe muito (o 2º maior investimento), e ela lida com um volume de estrangeiros, sem igual (sua própria população + 1/3).

Mas… O terrorismo nas fronteiras francesas, não é aquele “terrorismo regular”, hollywoodiano, que tanto nos acostumamos a imaginar com os filmes da década de 80 e 90.

Como o perfil dos agressores bem demonstra, a gritante maioria é de franceses (e não de estrangeiros, viajando com a missão de perpetrar os ataques, furando barreiras e controles de imigração…), descendentes de pais com outra nacionalidade (em especial, argelinos). Portanto, a guerra travada contra o terrorismo, não consegue gerar um “escudo protetor” no país, porque seus inimigos nasceram e estão lá dentro, desde sempre. Não há barreira ou proteção a ser superada.

Na minha opinião, a recente política externa da França, com fulcro na relação às suas colônias, começa a cobrar um alto preço. Especialmente, a forma como esses imigrantes foram tratados – renegados aos ghettos parisienses – parece gerar a condição perfeita de mágoa, não-pertencimento, frustração, segregação, e ausência de identificação com os valores nacionais, tornando esses indivíduos, alvos perfeitos para o recrutamento da organização terrorista, o DAESH.

O que pode ser feito?

Cansativo fazer um texto para o qual as respostas são vagas, ou imprecisas, e onde não há consenso.

O que a grande maioria dos cientistas políticos e professores de Lei vão dizer (não sem oposição respeitável e considerável) é o seguinte:

  1. A guerra ao DAESH precisa ser feita e levada, em seus territórios de domínio. Se colocar homens em solo, talvez (e só talvez, já que pode não haver real alternativa), venha a ser má idéia (como outras forças de ocupação já demonstraram ser, antes), continuar lançando bombas teleguiadas, não fará nenhum efeito na força do grupo terrorista. Não funcionou, até agora.
    A guerra precisará ocorrer porque, atualmente, o poder físico e territorial do DAESH mantém o grupo armado, alimentado, organizado, com moral e poderoso. A idéia de que o DAESH estava acabado, com os recuos no território Iraquiano, foi enganosa e descolada da realidade. Na verdade, a aceleração dos eventos de Terror, e o número de ataques, sugerem exatamente o contrário: O DAESH tem ficado cada vez mais poderoso e tem células em diversos países. Estima-se que, atualmente, o DAESH está atuando em 50 países, seja por meio de territórios dominados, ou países alvos de ataques.
  2. A guerra ao DAESH não se resume à ação militar. O DAESH criou um novo tipo de Terror, onde o agressor não atravessa fronteiras, mas, para desespero das autoridades, nasce e vive, desde o princípio, no seu alvo. Essa capacidade mobilizante, e de propaganda que atinge, principalmente, homens jovens, por volta dos 30 anos, residentes nos países-alvo, e com descendência de famílias de fé Islâmica, precisa ser estancada e combatida. O discurso e a retórica do DAESH precisa deixar de ser tão contundente nos corações e mentes dessas populações. E se é tão efetivo, é sinal de que essas populações estão desassistidas e isoladas da sociedade desses países; motivo pelo qual à mensagem é tão efetiva.

De um ponto de vista histórico, o radicalismo islâmico tem sido sustentado, muito por conta do abismo no desenvolvimento social desses povos. A miséria do indivíduo é justificada como fruto do seu distanciamento da lei de Allah.
A distorção do Corão – não obstante o fato que seu texto seja, por vezes, patrocinador da guerra abençoada (embora, ela possa ser interpretada, de forma light, como uma “guerra” só no campo da fé e das idéias) – para justificar a Jihad, tem o poder de arrebatar aqueles que estão completamente descrentes de uma chance de vida digna.
Vale dizer, também, que tal radicalismo não é exclusivo do Corão. A Bíblia do Cristianismo, em seu Velho Testamento, justifica atrocidades não muito distantes do que pregam os radicais do Islã.

A diferença é que o ocidente continuou seguindo em frente, e chegou no século XXI (com seus defeitos e qualidades, cabe enfatizar).
As sociedades do Oriente Médio, no entanto, parecem ter parado no século XI, e ainda vivem os dilemas e valores das épocas das Cruzadas européias: Sociedades com castas claras e intransponíveis, hierarquias familiares, e dogmas inquestionáveis, a submissão da mulher ao status de objeto e propriedade e, por fim; o triste conceito de que, em nome da fé, não há limite, nem ato que possa ser execrado, diante da aprovação de uma deidade – que, curiosamente, só pode ser ouvida por alguns indivíduos que nunca se matam, mas mandam outros para a morte.

Como fica a Rio 2016?

Quantas vezes já citei esse evento? Bem, pode parecer sensacionalismo, mas, não é brilhante, nem exige uma mente maligna e genial, perceber que o evento que concatena dezenas de países, será um alvo muito tentador ao DAESH e outras organizações que propagam sua ideologia pelo Terror (exempli gratia: Al-Qaeda).

Para se ter uma idéia, vamos à breve análise:

A Copa de 2014, no Brasil, teve ~350 mil pedidos de credenciamento, entre autoridades, delegações, jornalistas, profissionais envolvidos com os jogos, e etc.

A Olimpíada de Londres, em 2012, teve ~420 mil.

A Olimpíada do Rio, já tem 460 mil pedidos de credenciamento. Destes, 11 mil foram indeferidos.
E já sabemos: Nesse mar de gente, 4 deles estão, comprovadamente, envolvidos com o terrorismo internacional.

Não quer dizer que um ataque ao Rio é inevitável. Mas, quer, sim, dizer que o alvo interessa.

Pessoal, esse é um post “utilidade pública”.

Está em vigor, desde já, o novo procedimento de inspeção da ANAC (Agência Nacional da Aviação Civil).

O que isso significa?

Bem, eu sempre me programava para chegar 1h, antes do meu vôo doméstico. Isso não vai funcionar mais.

Eu gastei 30 minutos a mais, só para passar pela inspeção (raio-x, revista e verificação), em um vôo e horário vazio, com baixo volume de passageiros no aeroporto.

Em horários de pico, os passageiros estão levando até 2h só para passar da entrada do aeroporto, até os gates de onde partem os vôos.

O novo procedimento inclui o tradicional raio-x da bagagem de mão, revista corporal “frente e verso”, inspeção minuciosa de todos os compartimentos das malas e mochilas levadas à bordo (eles estão abrindo todas, sem amostragem), e separação do notebook, da bagagem principal.

A operação será mantida ao longo de toda a duração dos Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos do Rio de Janeiro.
O motivo do novo procedimento é o alto nível de ameaça terrorista ao país, por conta dos jogos.

Mais informações: http://www.anac.gov.br/noticias/procedimentos-de-inspecao-no-transporte-aereo

O Brasil e a Segurança: A barbárie será, um dia, só um capítulo de nossa História?

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Foto de Andréa Farias / Agência O Dia / Rio de Janeiro

Bar·bá·ri·e
sf
1 Multidão de bárbaros.
2 Ação própria de bárbaros; atrocidade, barbarismo, crueldade..
3 Hábito de bárbaros.
4 Falta de civilização; atraso, barbarismo, grosseria, selvageria.

– Michaelis Online

Bem, não é preciso ser genial para perceber: O Brasil é um lugar muito inseguro.

“Uau! Parem as prensas! Já foi muita revelação para o meu fraco coração…”. ¬¬

Bem, eu acho que preciso ser mais enfático, mesmo: O Brasil é um lugar muito inseguro, comparado à países em guerra… Acho que melhorou, (a compreensão da desgraça) né?

Segundo o Atlas (também conhecido como “Mapa”) da Violência de 2016 (curiosamente, você não vai achar o estudo no site do IPEA [o link está “quebrado”, às vésperas das Olimpíadas, mas, isso pode ser só mais uma teoria conspiratória infundada, da minha parte], contudo, ele foi encontrado aqui:
http://infogbucket.s3.amazonaws.com/arquivos/2016/03/22/atlas_da_violencia_2016.pdf), o Brasil perde 59 mil e 500 indivíduos para a violência, todos os anos, com base no ano de 2014. Não há – ainda – consolidação dos dados para 2015 e 2016, o que é esperado para um estudo de consolidação estatística, feito por um órgão público.

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Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica e MS/SVS/CGIAE – Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM

Em termos de taxa média, são 29,1 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes, e isso é relativamente importante para não tornar o número, puro golpe midiático.

Explico-me: Se você mora em um país com 324 milhões de compatriotas (demografia dos EUA), a morte de 2.6 milhões de indivíduos por ano é absolutamente regular (dados, também, de 2014). Se seu país tem menos de 2 milhões de habitantes (como na Irlanda do Norte), por outro lado, 500 mil mortos anuais são 25% de toda a população – e seu país vai falir, ou ficar vazio (não necessariamente nessa ordem), em pouco tempo.
A taxa média nos ajuda a comparar laranjas com laranjas, e bananas com bananas, portanto.

Então, para te fazer perceber a estupidez do nosso número, aqui vai um TOP-5 macabro: Países com conflitos deflagrados (em guerra), os mortos em 2015, e a taxa para cada 100 mil habitantes.

País – População – Mortos em 2015 – Mortos/100 mil habitantes

Síria (Guerra civil[2011] + DAESH [ou “ISIS”]) – 17 milhões – 55.219 – 323,58

Afeganistão (desde 1978, em guerra) – 35.6 milhões – 36.345 –  102,09

Iraque (desde 2003) – 37.1 milhões –  21.433 – 57,77

Somália (em guerra civil, enfrentando insurgentes e engolfando até o Quênia, desde 1991) –  55.9 milhões* – 4.365 –  7,81
*Somália e Quênia somados, já que os mortos estão em todos os lados.

África (continente enfrenta o Boko Haram desde 2009) – 235.6* – 11.651 – 4.95
*Nigéria + Camarões + Níger + Chade somados: Todos sob ataque dos insurgentes.

Então, comparando a taxa nacional de mortes violentas para cada 100 mil habitantes, compensa continuar enfrentando o Boko Haram, ou morrendo de fome e na facada na calamitosa Somália. Você está mais seguro lá, do que aqui.

Em números absolutos, isso fica ainda pior. Nós matamos, violentamente, 59.5 mil brasileiros/ano. Isso é 7.7% acima do país com a guerra mais violenta no momento; a Síria. Portanto, matamos uma Síria por ano, mais 8% arredondados. Compensa, pelos 8% a menos de risco, ficar por lá.

E só ficamos “bem na foto” (se é que se pode dizer isto), pela média nacional… Se olharmos a taxa de mortos/100 mil habitantes nordestina, compensa (no, primeiro caso, por MUITO) ficar até mesmo no Iraque:

Alagoas: 63/100 mil;

Ceará: 52,2/100 mil;

Sergipe: 49.4/100 mil.

“Legal, estou convencido: Somos um país muito violento. Mas, o que tem de novo?”

Esse é, sem sombra de dúvidas, o maior problema: Não há nada de novo.

Sequer nos chocamos. Sequer nos apavoramos. Somos, enquanto sociedade, cidadãos, pais, irmãos, amigos, colegas; entorpecidos, anestesiados para “a Síria que morre” violentamente por ano, em nossa pátria. Melhor não citar “a outra Síria”, morta no trânsito brasileiro, anualmente, também.

A guerra do Vietnã durou 12 anos para os EUA (que entrou em 1963), e matou pouco mais de 58 mil norte-americanos. E o choque social dessas 58 mil mortes, ao longo de mais de uma década, pode ser sentido em movimentos sociais e frentes nacionais contemporâneos, ferrenhos em criticar a política externa norte-americana atual; horror e revolta provocada e mantida pela morte de militares, ao longo de uma Guerra de 12 anos e que já completou 36 anos de fracasso.

12 anos de combate. 58 mil militares mortos.

Matamos mais que isso por ano (crianças, mulheres, jovens e, não só militares [não que a vida de alguém valha menos, em função de sua profissão, claro]), sem remorso, sem susto, sem piedade, sem horror; conformados, calados, resolutos, resignados, apáticos… Nada mais nos comove, enquanto nação, enquanto sociedade civil; sociedade civil que é parte tanto da solução, quanto do problema.
Matamos sistematicamente, no que parece um macabro compromisso com a sustentação desses números, ano após ano, como se fosse um record a ser mantido e superado. Nosso maior desafio anual. Sabe como é: Com a gente, o negócio é deixar a meta aberta e dobrar!

Mas, “tristemente”, temos um desafiante nos destronando, e é hora de matar mais, porque o brasileiro não desiste nunca!

No momento, lamentavelmente, a coroa é da Venezuela com 90 mortos por 100 mil habitantes/ano. Oficialmente, o país que não está – declaradamente, ao menos – em guerra, mais violento do mundo.

Um tema pra lá de comum, quando esses números aparecem é:

“Ah, mas, no Brasil, a polícia mata demais! Quem mais morre são os negros, os pobres, os desassistidos e marginalizados!”.

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Foto: André Gustavo Stumpf – PM-DF

O mote, acima, tem uma porção de informações comprováveis, e outra porção de mitos, desinformação, e intenções questionáveis. Já adianto…

Verdade é que de 2013 para 2014, a letalidade policial subiu 37,2%.
Estima-se que ~3 mil pessoas foram mortas pelas forças policiais em 2014. Isso representa, no entanto 5% do total de mortes registradas no período. Embora pudesse ser perto de 0% e, embora possamos aceitar uma conspiração no sentido de que esse número está sub-notificado (aceitemos 10%, então, para a alegria dos opositores ao trabalho policial brasileiro; não obstante os dados de SP, RJ, sejam considerados realistas até por entidades ligadas à bandeiras típicas dos Direitos Humanos), ainda há que se falar em 90% dos 53 mil mortos, que não vêm da prática ruim do policiamento.

Mais: Para cada 4 pessoas mortas em confrontos com a Polícia, um policial morreu. A população do Estado de São Paulo? 43 milhões (segundo o SEADE). E a população da Polícia Paulista (PM, Civil, Cientifica)? 138 mil. Faça as contas da taxa por 100 mil, você mesmo, e diga-me quem deveria estar mais aterrorizado.

Também é verdade que jovens negros têm muito mais chances de morrer do que jovens de outras etnias (147% a mais, segundo o Atlas/2014). Mesmo considerando que mais da metade da nossa população é de negros e pardos (51%, segundo o Censo 2010), 147% a mais de chances, não é um número relativizável.

No entanto, o que se ignora é que educação é um fator preponderante de exposição à morte pelo crime. Grupos de jovens de 21 anos, de qualquer etnia e cor de pele, com menos de 7 anos de estudo formal, têm 16,9 vezes mais chances de morrer violentamente, do que aqueles que estudaram. Não é muito difícil supor, então,  que há uma grande abstenção escolar (maior do que nas demais etnias), entre os grupos de etnias afro-descendentes.

E, oras: Se mais da metade da nossa população é de negros e pardos, e se a Polícia “só” tem autoria em 5% (convencionamos 10%, para agradar os que acham o número sub-notificado), então é bastante provável que negros e pardos estejam matando negros e pardos, ou, o número de Carecas do ABC seja estrondosamente maior do que apontam as autoridades.
Brincadeiras (de mal gosto, eu sei; como os números que ignoramos) à parte, a guerra entre gangues rivais não é ficção. É a realidade periférica da nação.

Pedro Paulo Soares Pereira, “vulgo” Mano Brown, vocalista dos Racionais MC’s, em uma entrevista ao “Roda Viva” da TV Cultura, em 2007, declarou que para ele, o Brasil convive com 3 grandes enfrentamentos:

  1. Os ricos contra os pobres.
  2. Os negros contra os negros.
  3. Os brancos contra os negros.

Não obstante a minha discordância com os critérios dele para montar a lista, não posso negar que ele está muito mais envolvido com a conscientização do combate à violência, ao menos na periferia de São Paulo, do que eu estou. Deve, portanto, ter algum pesar em assumir essa consideração, tão triste para um líder (oficialmente ou não) do movimento de Consciência Negra.

Vou propor um rápido exercício: Só 5% dos 59 mil brasileiros morrem em confronto policial, então, pelo menos outros 50% têm que, seguindo a lógica, ser fruto do confronto entre os próprios criminosos. E outros 45%, imagino, entre criminosos e população. Não há, no estudo, números separados por “criminosos mortos” e “pais de família mortos”.
Toda essa divisão (exceto pelos 5% mortos pelas forças policiais), é arbitrária, claro.

Logo, tirando o que é morte por confronto com a polícia, não temos como saber quem morre mais:  Cidadão por bandido, ou bandido por bandido.
Então, antes de mais nada, longe de ser “bonzinho e amável”, o brasileiro é um indivíduo violento, só pela simples reflexão dos números expostos, até o momento, e sem falar da violência estatal.

Para dar “mais alento” à todos nós, fica o “calmante” de que para toda a criminalidade registrada nas delegacias, não são apurados mais do que 8% dos crimes.
Desses 8%, 2% são homicídios.

Eu vou diminuir – só um pouco – nossa vergonha, e não vou contabilizar o fato que juntando a estatística de mortos pela violência, e do mortos no transito brasileiro, matamos 2 guerras da Síria/ano.
Em resumo, sem falar de doenças, velhice, acidentes domésticos (todos estes, grandes ofensores da mortalidade nacional), só o crime e o trânsito superam os 100 mil mortos por ano, com facilidade e margem folgada.

A Segurança Pública como um “braço” da Segurança Nacional.

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Foto: Wikipedia.org – Forças Especiais em revista, no 7 de Setembro.

O capítulo “Segurança Nacional”, no Brasil, é bem complicado, controverso e feito de avanços e atrasos mensuráveis em décadas, em atos sub-sequentes.

Por “Segurança Nacional” quero significar aquela que se faz para proteger a Nação de agressores externos e internos, quanto aos interesses do Estado que, por sua vez, representa a sociedade que o empodera, e os interesses desta última, deve defender.

“Segurança Nacional” ≠ “Segurança Pública”

A Segurança Pública, de acordo com a nossa Constituição (art. 144), é assunto destinado aos estados. Daqui, já desdobra-se um dos efeitos dos anos de Ditadura: A desconfiança dos estados, em relação a uma Federação (União) intervencionista, levou os constituintes a garantirem a autonomia estadual quanto ao assunto, no Pacto Federativo.

Portanto, a organização, investimento, e políticas públicas que pautam as polícias civis, militares e órgãos correlatos, é do Chefe do Executivo Estadual (Governador[a]). Já a Polícia Federal é de responsabilidade do Chefe do Executivo Federal (Presidente).

Assim, temos essas situações bizarras de um Estado informatizando suas delegacias e interligando sua polícias com GPS, sistemas de câmera e OCR de placas de carro e etc. (SP), e um Estado onde as novas turmas de Policiais Militares são dispensadas ao meio-dia, todos os dias, por falta de dinheiro para pagar o almoço dos alunos (RJ). No entanto, mesmo sem a carga horária esperada, pode apostar que estes últimos estarão nas ruas, sem nenhuma reposição da carga perdida.
É claro que, sob a lupa, nem SP, nem RJ, têm seriedade no investimento (não só de verba, mas de qualidade e planejamento) que fazem para a Segurança Pública. Mas, essa “liberdade administrativa” total, gerou um desequilíbrio difícil de transpor, aprofundado por anos, e que gera aquele triste mapa do começo desse artigo.

A Segurança Nacional, no entanto, é uma política muito mais abrangente, e essencialmente, mais militarizada.
Segurança Nacional que, aliás, inexiste em nossa lei Federal, e muito menos na Constituição.
Não vou contar a longa história (acreditem, é bem mais longa do que vou expor). Vamos ficar com a curta:

A idéia de “Segurança Nacional” aparece, no Brasil, no pós Segunda Guerra Mundial. Especialmente, os militares de carreira com grau de oficialato, foram mandados para os Estados Unidos da América que treinou e ensinou o conceito norte-americano nesse assunto.
É bom contextualizar que o pós WW-II, é o começo das tensões entre URSS e EUA, e isso leva às páginas da bem conhecida Guerra Fria. Assim, os EUA, abertamente, ajudaram países a “resistir” ao avanço comunista, e esse programa de treinamento de militares era uma das faces desse portfólio.

Dessa leva de militares de carreira, formados nos moldes das escolas dos EUA, nasce a ESG (Escola Superior de Guerra), instituída pela lei 785/49, e diretamente ligada ao Ministério da Defesa.
Não respondendo á nenhuma das 3 forças armadas, mas, formada por todas elas, a ESG tem a missão atual de prover Altos Estudos de Política, Estratégia e Defesa, sendo um órgão de puro desenvolvimento Acadêmico (inclusive para civis), e não tendo desenvolvimento de táticas e exercícios militares práticos em seu currículo. Puras estratégia, política, diplomacia, e inteligência compõem a grade dos cursos.

A ESG tem uma história muito polêmica, pois, era considerada uma Escola de formação do pensamento conservador de Direita. É dessa escola que surge o embasamento para o Ato Institucional nº 1 que, entre várias medidas arbitrárias, tem a agressiva medida de mudar a eleição presidencial para o modelo indireto, colegiado (embora as pessoas apenas se lembrem do nome “AI-5” [que não é uma divisão ou um grupamento, mas, uma lei], é o AI-1 que inicia, legalmente, a ditadura no Brasil).

Mas, é também essa linha de pensamento que fundamenta a ESG, que fundamentaria o capítulo de Segurança Nacional da Constituição de 1946, e mais tarde, a própria ESG aumenta o entendimento de “Segurança Nacional” na CF/1967 (inclusive, com pena de morte para os crimes contra ela),  e que estabelece os padrões de atuação, engajamento, e estruturação da proteção Nacional, bem como dos órgãos de inteligência, como o finado SNI (Sistema Nacional de Inteligência), sendo um órgão que, a despeito do seu triste emprego ditatorial, era muito avançado e organizado.

Com a redemocratização brasileira e, tendo em vista a grande fobia militar dos constituintes de 88 (que excluíram o capítulo de Segurança Nacional, e substituíram pelo atual capítulo III, “Segurança Pública”), culminando com a ascensão de Collor, em 1990, o presidente (que viria a ser impedido) decreta o fim do SNI. O fim do órgão não é só um momento de vácuo administrativo e executivo, mas, gera tal desordem na Inteligência brasileira que os operadores do Sistema deflagraram uma crise (que ficou conhecido como Escândalo dos Arapongas, na década de 90) onde espionavam candidatos e oposição, a serviço dos poderosos de Brasília.

Atualmente, o termo “Segurança Nacional” aparece apenas uma vez na CF/88, e sequer dá-se o tom do que ele significa para nossa Nação e para a própria lei. É mera citação, vazia e sem contexto.

Como não temos Segurança Nacional – nem o conceito, nem a lei, nem “nada” – as idéias são difusas, espalhadas, pontuais. Não há um grande plano, esquematizado, construído ao longo dos governos, e incrementado conforme a evolução do cenário global, das ameaças regionais, e dos objetivos do Estado Brasileiro. O que interessa é o agora. O que interessa é a Urna, no próximo turno.
E que Deus salve essa terra, de seus inimigos e vilanescamente interessados. Porque nós, povo, não temos nenhum compromisso respeitável com esse capítulo.

Para não passar total vergonha, podemos citar o SISFRON, projeto elogiado e estudado em países como os EUA, patrocinado e mantido pelo Ministério da Defesa Brasileiro, e que junta um tripé de vigilância, inteligência, captação e triagem de dados e informações, mais o emprego de grupamentos e equipes especializadas, nas áreas de fronteira mais perigosas do Brasil.
Atual e lamentavelmente, o programa só existe na fronteira com a Bolívia e Colômbia. Devido ao forte “tremor” político, o programa perdeu espaço, pauta, destaque, investimento e orçamento.
Seu futuro é, agora, incerto. Mesmo sendo internacionalmente elogiado, o programa que seria um grande aprendizado à Segurança Nacional, não tem prestígio em uma Nação onde população e políticos, só sabem discutir segurança de uma maneira remediativa, pontual, midiática e sensacionalista.

A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) que foi recentemente instituída no ano de 1999, por FHC, tem seus acertos e melhorias, mas, não é preciso ser genial para saber que inteligência – do ponto de vista militar – é algo mantido com dinheiro. Inteligência não dá votos, em um país que não tem nenhum interesse no assunto.

Afinal, como todos sabem– e se não sabem, não deviam falar com a propriedade que demandam, sobre o assunto – o crime organizado brasileiro é totalmente baseado no tráfico de drogas e armas.
O “senhor do crime e seus asseclas”, nos morros desse Brasil à fora, não mantém seu controle com pistolas .380 (as únicas à disposição da população para auto-defesa, de forma legal) mas, com armas que, por vezes, sequer o Exército brasileiro possui.
A porosidade da nossa fronteira é conhecida para qualquer um que acompanha as apreensões de drogas e contrabando em geral. São dezenas de toneladas anuais.
A droga é a mercadoria do Morro. E a droga é a moeda que faz o caixa, o capital do crime. E a droga não é feita aqui (via de regra).

Então, quando pensamos em Segurança Pública de qualidade, ela é, na verdade, uma necessária decorrência de uma política séria, embasada, e de longo prazo, sobre o assunto “Segurança Nacional”. Sufocamos o contrabando internacional, e as drogas param de abastecer os morros, e as armas de longo alcance ficam sem munição e reposição.

Já vimos que, como programa, projeto de Estado (e não de governos que se sobrepõem e se recusam a continuar as idéias boas dos antecessores) a Segurança Pública é minada pela “liberdade administrativa”, como me referi, anteriormente.

E agora, com a completa ausência de um plano previsto, elaborado e amparado em lei, para falar em Segurança Nacional e começar a combater a origem do dinheiro do crime (as drogas que entram por todas as fronteiras nacionais), e a força que este emprega em sua manutenção territorial (as armas de grosso calibre e letalidade de “nível militar”, também, “imigrantes” em abundância, via fronteiras), fica bastante claro que a solução para a violência, no Brasil, está muito, muito distante.

O Brasil, diante das Olimpíadas, e a missão aterradora de fazer um evento pacifico, diante das ameaças do DAESH, e de uma ameaça bem mais presente: O crime do Rio.

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Colagens do DAESH, Comunidades do Rio ocupadas, e os Anéis das Olimpíadas. Imagens com reuso e modificação, para fins não-comerciais, autorizados.

Não quero me estender nesse tópico, mas, sinceramente, como um dos futuros expectadores dos Jogos, estou severamente preocupado com as Olimpíadas do Rio, a iniciarem-se em 4 de Agosto de 2016.

Mais do que com minha própria segurança, não consigo deixar de ver a falência de estratégias de Defesa e Segurança Nacional com décadas de bagagem, como é o caso da França, da Turquia (esta que, ao contrário da Europa, vive com a violência terrorista há muito tempo) e pensar: Como um país tão imaturo em, praticamente, tudo… Estamos prontos para enfrentar as ameaças externas e internas, à segurança e integridade de um “mini-mundo” a estadiar no Rio, pelos próximos 2 meses???
A França acaba de sofrer mais um atentado em seu território, e não faz nem um ano do Massacre na Casa de Shows de Paris. A Turquia lida com carros-bomba, regularmente. A estratégia de Defesa e Inteligência das duas nações (em especial, da França), está ano-luz do que engatinhamos por aqui. E não foi suficiente.

O Chefe do Estado Maior, Almirante Ademir Sobrinho, fez questão de demonstrar profunda tranquilidade com as informações disponíveis, e ratificou que as agências norte-americanas, europeias, e até Israel, trabalham ativamente com a ABIN e as Forças Armadas brasileiras, para detectar qualquer ameaça aos jogos. Mas, saberia a CIA, ou o Mossad, como monitorar as favelas da Maré, ou o Complexo do Alemão?
A pacificação do Rio falhou, miseravelmente, e basta ver o resgaste cinematográfico, recentemente perpetrado no Hospital do Rio, ver as faixas das organizações Policiais no saguão dos aeroportos, mais as recentes declarações de Eduardo Paes à jornais estrangeiros, para saber que, não: Não está tudo bem.

Polícia Interligada, Inteligência, Melhor armamento, Treinamento… É isso? Essa é a solução para a violência cotidiana, no Brasil?

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Foto: Wikipedia.org – Criança em lixão no Distrito Federal.

Não… Infelizmente, diferente dos vídeo-games de simulação, colocar delegacias, aumentar a verba da Segurança (Nacional e/ou Pública), abrir acadêmias de Inteligência… Nada disso; nada disso resolve o índice de “sucesso” do crime no Brasil.

A teoria básica para um Estado bem-sucedido, é fundada em três pilares:

  • Educação Pública, de qualidade, do fundamental ao médio (procurem os dados da nossa performance no PISA; é para morrer de desgosto).
  • Saúde Pública, Universalizada, ou, pelo menos, saúde privada, plenamente acessível (procurem o teste que o SUS idealizou [IDSUS] e em que ele mesmo não passou).
  • Segurança, em toda a sua complexidade e dimensão (releiam o post :-p ).

 

O Brasil é péssimo, em todos esses aspectos. Quero ver algum contra-argumento. Sério: Quero ver. Por favor, me animem com alguma boa notícia, em algum desses temas… É sério: Vou ficar grato.

Quando penso nas fileiras de candidatos às carreiras das Ciências exatas (famosas por gerar tecnologia, patentes, indústria, empregos)…
Quando penso no perfil estudantil da maior parte dos candidatos às carreiras de professorado (os piores alunos são esmagadora maioria dos que querem lecionar, no Brasil)…

Mas, principalmente, quando penso nos salários das profissões disponíveis para quem tem uma escolaridade tão triste, como a grande maioria da periferia… E comparo com o dinheiro (e o poder) que o tráfico e o crime oferecem à todos eles…
Colocando-me nos calçados (quando tem) de um menino, cujo pai é inexistente, e a mãe é uma viciada em crack; frequentando uma escola falida, com uma quadra esburacada, livros didáticos com erros de matemática, português, grafia de palavras… Professores com dificuldades de ler e compreender um texto…
Quando penso nesse menino… Nessa menina… Não consigo ver como pode o Estado Brasileiro; como pode a lei brasileira do Estado legítimo, ser o caminho escolhido para trilhar, desse futuro “projeto de problema social”.

Não: Não estou a fazer NENHUMA abonação, atenuação, ou sequer relativização sobre o certo e o errado: Obrigação de cada cidadão é de fazer o bem e ponto, independente da história de vida, pois, não existe Estado; não existe Nação, não existe nenhuma dessas construções sociais, sem a presença de cidadãos responsáveis, honestos, dedicados ao bem; exatamente o que esperam do país em que moram.

Mas, isto tudo dito e ratificado… Insisto que, não vejo como convencer um jovem engolido por esse mundo nefasto em que nasceu e cresceu, e como convencê-lo da validade de jamais desistir do bom caminho.

Afinal, diante da total privação de esperança, o homem deixa de temer o mal.

Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois, quem não espera o bem, não teme o mal.

– Nicolau Maquiavel

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