O estranho momento em que precisamos militar contra os militantes…

Quando a repressão vem de quem mais deveria entender o valor da liberdade…

Uma mulher grávida entra pela porta de um Pronto-Socorro após o rompimento da bolsa amniótica, e exige que o procedimento de parto-Cesária seja realizado.

O médico, no entanto, contra-argumenta que a Cesariana desumaniza o nascimento, de acordo com o último Congresso da obstetrícia internacional e decide seguir com o Parto normal.

Se esta cena ocorresse e, baseado somente na informação dada (ignoremos possíveis questões de risco à vida, e etc.), todos nós (eu, incluso) diríamos que houve violência obstétrica.

Então, por que não vemos violência em proibir que alguém com orientação sexual diversa do comum (“comum” que não: Não é sinônimo de “certo”…), peça ajuda profissional para que seja feito o caminho B, ao invés do A?

É difícil não avaliar – com pesar, acrescento –  que se você não está nadando em favor da corrente de uma dada militância, você só pode estar contra ela.
Esse tipo de falsa dualidade levou a tanto confronto e momentos deploráveis da história humana; e não vejo porque será diferente dessa vez, se continuarmos assim.

Militâncias que, tantas e tantas vezes, falam sobre “amar mais”, “compreender mais”, “aceitar mais”… Mas não admitem que alguém seja gay e não milite verborragicamente por onde passa; ou seja gay, mas, não queira sê-lo.

Não é diferente da militância que não admite uma mulher que quer ser dona de casa e cuidar dos filhos, ou da militância que não admite que um negro case-se com uma branca, ou que uma “não-negra” (seja lá o que isso quer dizer) use uma peça de moda com inspiração afro-cultural.
Não quero causar o terror mas, o pesquisador da penicilina (Alexander Fleming) era branco… Acho que vai ser ruim se trilharmos esse caminho em mão dupla…
O Smartphone na sua mão é resultado, muito provavelmente, de uma centena ou um milhar de patentes de origem majoritariamente asiática (indianos, japoneses e etc.)… Já pensou se eles decidem que não posso “me apropriar” (mesmo pagando por isso) do que eles criaram? (editado em 2021: Entendo que a questão da apropriação cultural é maior do que esse utilitarismo, mas essa discussão é comumente utilizada da mesma forma falaciosa que as hipóteses acima).

E seriam só suposições e hipóteses, não fossem todas essas narrativas corroboradas pelo árido deserto da realidade.
Todos os episódios que descrevi aconteceram publicamente e, não é difícil achar essas notícias tristes de como movimentos com causas absolutamente legítimas como os direitos LGBT+, da Mulher, dos Negros e enfim, representantes de todos que não estão no controle do poder político, sócio-econômico, financeiro e etc., repetem-se, em suas vertentes mais radicais (gosto de supor assim), tão infelizes e repugnantes quanto aqueles que eles dizem enfrentar (os homofóbicos, machistas, racistas e etc.).

Eu já falei sobre o conceito de “Efeito-mola”, explorado na Sociologia com nomes mais pomposos mas, basicamente, é a ideia de que a opressão de uma parcela da sociedade causa efeitos semelhantes aos descritos pela Física quanto à pressurização de uma mola e suas decorrências, e leva a efeitos colaterais maiores do que a medida ideal quando “a mola é liberada”.
O mesmo efeito-mola vale para a outra parcela da sociedade que apreciava seu status-quo e se sente ameaçada – sob qualquer aspecto – diante de conquistas de grupos que passam a exigir que estes grupos privilegiados convivam de maneira mais igualitária, ou cedendo espaços de maneira mediada pelo Estado (políticas afirmativas, etc.), para o primeiro grupo.

Enfim, o que resta é o choque de N* grupos que, por sentirem-se reprimidos pelos mais variados motivos e méritos, muitas vezes vão além do que um individuo sóbrio e  isolado de uma comunidade que catalise suas opiniões, consideraria “razoável”.

Não há dúvidas – ao olhar para a História – que “o razoável”, algumas vezes, pode significar até mesmo ir às armas e lutar até a morte.
Pergunte aos judeus, vitimados pelo Nazismo, se eles teriam entrando de bom grado nos trens que conduziam ao extermínio se soubessem disto antes (no começo da agressão). Teria sido “razoável” matar os soldados alemães com todos os meios – inclusive os bestiais – nessa situação…

Mas, em tempos de Paz entre os Estados (e sociedades), a reação dos grupos LGBT e coligados, e a mobilização das celebridades contra a medida do Juiz Federal, Waldemar Cláudio de Carvalho, só demonstra para mim que não há razoabilidade, nem no grupo dos Cristãos que acham que a orientação sexual diversa do comum é coisa de Satã, nem nos grupos LGBT+ que acham que um Gay é, por alguma lógica estranha a meu entendimento, obrigado a amar sua condição de maneira incondicional e incontestável.

Comparo essa incoerência à tentativa de ressuscitar o suicida para, depois, executá-lo por “homicídio de si mesmo”.

A cena seria tragicômica no encontro do cidadão que deseja a liberdade de tratamento com os representantes do movimento:
– VOCÊ TEM QUE SER FELIZ SENDO GAY, SEU FILHO DA P#@%&! (Enquanto espancam o sujeito para que ele “aceite” sua condição e seja “feliz”).

O episódio me dá pesar, ainda mais porque de todas as Ciências ligadas à saúde humana a Psicologia é mais humana de todas elas. Como também, a mais nova, e a que mais precisa pesquisar, crescer e descobrir mitos e verdades sobre o que se sabe da “cabeça” humana, até aqui. É assim com toda Ciência ainda na “infância”.
É o cerne da Psicologia, independentemente de vertentes e interpretações, tentar compreender sem emitir julgamento, cada ser humano, de maneira muito individual, mesmo quando o individuo é interpretado em um contexto e prisma determinado por um dado momento ou espaço social/histórico/cultural.

Em resumo, é quase que “do contrato social” da Psicologia com a humanidade, individualizar o “paciente” (eles não gostam desse termo) e compreender que por mais que ele possa ter um quadro parecido com o individuo anterior, ele é algo totalmente novo e único.

Resumindo: A psicologia deveria ser a primeira a dizer que, por mais não-natural que seja, o Gay tem total direito de não querer sê-lo, e as ferramentas disponíveis para mostrar a ele o que ele é e não é, serão usadas para que ele atinja a coisa que mais pode trazer paz a um individuo: Auto-conhecimento.

Talvez, por circunstâncias-mil, seja simplesmente impossível que ele deixe de sê-lo. Mas, não se começa um acompanhamento psicológico só se o resultado final for o que o cliente desejava.
Até porque, o resultado final desse acompanhamento é sempre imprevisível, devido aos N desdobramentos que cada consulta causa. A verdadeira missão da Psicologia é fazer o individuo se entender, compreender os processos que o transformaram e o edificaram enquanto entidade e personalidade, a fim de que ele, eventualmente, fique em paz com o que é e com o que deixa de ser.

A principal contra-argumentação ao que exponho até aqui é que esse indivíduo só odeia sua orientação porque é reprimido, sofre/sofreu preconceitos, nasceu e cresceu em um lar opressor à sua orientação e etc.
Enquanto tudo isso pode ser absolutamente verdadeiro; novamente, somos nós, Sociedade (ou parcela da Sociedade), proibindo que o individuo, sem fazer mal a qualquer outra pessoa, procure o resultado que desejava atingir. Tudo para que nós – e não ele – nos sintamos satisfeitos (e fiquemos sossegados de que nenhum gay tentou deixar de sê-lo).

Por que é tão difícil ter o mesmo respeito que temos:
Pela grávida que não quer passar pelo trauma do parto natural, ou o paciente terminal que quer manter algum resquício da dignidade e auto-tutelar o fim da vida diante da inevitabilidade do fim doloroso e degradante?

São questões muito, muito sensíveis e multi-facetadas. Cada novo ponto que tento trazer para provar que temos pesos e medidas diferentes, daria uma discussão inteiramente nova que poderia ser desdobrada em várias e várias outras, se estendendo quase que sem fim…

Para o (a) anônimo (a) que pretende se beneficiar do que eu considero um avanço democrático salutar no que diz ao respeito à liberdade de cada individuo, meu entendimento, da maneira mais simples e mais direta possível é que: Se você não está fazendo mal para ninguém a não ser – no máximo – pra si, e se o risco de suas decisões afeta só e somente você; você tem meu total apoio em todo caminho que decidir trilhar.

Do beijaço Gay na avenida mais badalada, a pedir ajuda profissional para tentar sentir tesão por peitos e bundas (se você for um homem homoafetivo, claro… Se fosse hetero, já sentiria.).

Sinceramente, meu caro anônimo Gay que não quer sê-lo: Acho que vai ser difícil você conseguir o que quer, porque, minha crença (e, portanto, é só uma hipótese) pessoal é de que como olhos verdes ou cabelos ruivos, sua atração por pessoas do mesmo sexo esta enraizada em seu DNA.
E, até onde sei, depois de Hitler, não há ninguém sério e com competência suficiente tentando combater as anormalidades (repito para os radicais: “anormal” é simplesmente o que não é “normal” (relativo a norma). E isso não é sinônimo de “certo” ou “errado”) de cor nos olhos e cabelos; então, não vejo como alguém conseguiria “consertar” seu gosto.
Pouco importa: No fim, o que realmente importa é você saber que tentou tudo que era possível e torço para que atinja a paz interior em algum momento dessa jornada, independentemente dos resultados.

Meu pai não me ensinou a gostar de mulheres. Nem era um assunto  que discutíamos, de tão reservado que ele era quanto a isso.
Quando os hormônios da sexualidade circularam pela primeira vez em mim, eu tive certeza que nada superava o prazer de estar com aquela deliciosa forma feminina, em toda sua beleza de curvas e volumes.
Claro: Por educação familiar de valores e postura, e senso de convívio social, os hormônios nunca foram suficientes para que eu “avançasse” nelas como um animal selvagem o faria.
Mas nunca houve dúvidas em mim do que mexia com meu lado animal e que todo ser humano tenta disfarçar e renegar, com mesuras e convenções de convívio. Talvez, um dia, provemos que é a mentira sufocante e omnipresente de que somos absolutamente diferentes dos animais, a causa maior de tantos distúrbios psicossociais e comportamentos inaceitáveis em nossa espécie…

E acredito, caro(a) anônimo(a), que este processo de descobrir o que lhe dava tesão na puberdade não foi diferente contigo mas, você sentiu tudo o que descrevi quando viu alguém do mesmo sexo que você (com os novos olhos da puberdade).
Não é o normal, mas está 100% longe de ser chamado de “errado”. É só e, somente só, diferente.
E “diferente” nunca será sinônimo de “ruim”, pra gente de boa fé.
Se você não está em paz e não quer ser diferente, eu lhe dou meu total apoio para que busque alternativas para ser “só mais um hetero”.
Independentemente das chances estarem contra ou a favor do intento, só lhe desejo que encontre sua paz.
A paz de quem fez tudo o que podia ter feito.

Por fim, eu pergunto: Qual é o limite da intervenção do Estado, e da Sociedade (ou grupos dela), sobre o indivíduo? Quanto da minha liberdade natural (ou original) eu tive de abrir mão para viver em sociedade? O Contrato Social que assinamos de forma tácita, pode exigir de mim minha completa e incondicional aceitação do que eu sou ou pareço?

Mais importante: No fim do dia, vale a pena viver no meio de vós se eu não tiver o último e derradeiro direito sobre eu mesmo e toda a extensão e representação do que compõe o “eu”?

Eu não sei. De verdade. Algumas vezes, parece que vale. Outras, parece que nada poderia ser melhor do que morar na caverna mais distante e mais solitária; só para não ter que assistir uns decidindo sobre como outros devem ou não devem ser, e do que o outro tem de ser para ser feliz.

Sei, contudo, de uma coisa:
Eu, não-militante e não-ativista, nem libertário, nem conservador, nem reacionário, estou muito mais confortável com os Gays que querem ser Gays e os que não querem; com as meninas brancas com lenços afro, e com os atores que não querem “sair do armário”, ou saem sem alarde e sem bandeira.
Estou muito tranquilo com a mulher que quer ser CEO da maior empresa, e com a que sonha com a chance de cuidar dos filhos e cozinhar a janta para o marido até o fim da vida.

Estou muito mais confortável do que a massa mais ativa de qualquer movimento que diz representar os Gays, os Negros, as Mulheres…

Reconheço meus preconceitos, sem dificuldades, e entendo o quão longe de estar em paz com todos eu ainda estou. E esses preconceitos, às vezes, morrem e provam o quão ignorante e pouco evoluído eu ainda sou.
Outras vezes, de “pré-conceitos”, evoluem para conceitos formados e embasados sem que eu tenha motivo para abrir mão deles.
É assim com este assunto.
Aliás, assunto que precisa ser mais discutido. Preconceito não é crime, nem deveria ser. Um “pré-conceito” é simplesmente um conceito que você forma antes de realmente conhecer algo.
E ele pode estar certo, ou errado. A verdadeira questão é o que você faz para validar seu preconceito no mundo real, e como se comporta quando descobre que ele não é verdadeiro.

Ainda assim, eu  sinto que consigo respeitar mais e tolerar mais todas essas pessoas e todas as possibilidades que cada um deles pode decidir ser e parecer, muito mais que os militantes mais extremos dos movimentos que saem “em sua defesa”.
Gente que não consegue superar a cegueira e a paixão “à Causa” (“paixão” que, aliás, vem do grego “Pathos”, a mesma raiz para “patologia”, “excesso” ou “doença”).

Cegueira em nada diferente dos preconceituosos e conservadores que acham que seu jeito é o único jeito certo. Que seu deus é o único verdadeiro e, sua mensagem, a única correta.
A fronteira da extrema-esquerda é, de fato, a extrema-direita.
Estado Islâmico e Pastores que chutam imagens.
Racistas e Ativistas que agridem uma pessoa de cor distinta e que se dispôs voluntariamente a honrar e ostentar a cultura de outro povo em seu corpo.
São todos iguais.

Já era muito trabalhoso lutar contras as mentes pequenas, atrasadas, que pregam conservadorismo extremo, e valores pessoais e religiosos como sendo universais. Mas, tudo valia para que ninguém fosse perseguido ou oprimido por pensar, agir ou ser apenas diferente de mim ou do que eu penso.
E agora, isto…

Estranhos e cansativos os tempos a frente, em que teremos que militar contra as militâncias.

Amor não é Doença. É a Cura.Pelo menos, a mensagem não deixa de ser verdadeira, não obstante tudo isto…

Brasil: A Sociedade Decadente

O que acontece quando um povo perde a capacidade de entender (e dominar) o que lhe fez – e faz – prosperar?

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:THOMAS_COUTURE_-_Los_Romanos_de_la_Decadencia_(Museo_de_Orsay,_1847._%C3%93leo_sobre_lienzo,_472_x_772_cm).jpg
A obra de Thomas Couture, “Los Romanos de La Decadencia”, retrata a Decadência (em maiúsculo, como uma entidade) atingindo a sociedade romana, com sua acepção mais clássica e arraigada em nossa interpretação: Os excessos humanos; o uso de entorpecentes, o sexo, a falta de compostura, e outros pecados capitais, levando a corrosão de todas as aspirações e qualidades de nossa raça; tudo encarnado no trabalho em óleo sobre tela.

de·ca·dên·ci·a

sf

1 Estado daquele ou daquilo que decai, que se encaminha para a ruína; caimento, declínio.

2 Perda progressiva de poder, prosperidade ou valor; empobrecimento.

3 Época em que algo ou alguém passa pelo processo de degradação; degenerescência, ruína moral.

A nossa sociedade é decadente em vários aspectos.

Mas, talvez, você esteja pensando em uma sentido muito amplo e, quem sabe, até moralista dessa acepção; enquanto eu quero abordar um sentido estrito…

Uma das alegrias de conhecer gente verdadeiramente inteligente é ter a oportunidade de ter discussões fascinantes, receber o presente de ter os olhos abertos para um prisma novo; um angulo escondido… Algo que você demorou demais para notar.

Mas… Vez ou outra, a oportunidade acaba sendo um belo “presente de Grego” (a obra que retrata Roma… A menção ao Cavalo de Troia… Esse post será um clássico [Entendeu? Entendeu?] 🙂 )

Acontece que na última conversa minha com o Rafael, primo da Bruna, eu saí bem mais abatido e angustiado com a “dura circunstância da realidade que me cerca”, do que entrei.
A ideia de que na prévia ignorância eu era mais feliz não me deixou escapar, e aumentou em algum nível a minha tristeza com o que acabara de despertar sobre meu país.

Para aliviar minha insatisfação e desolamento, venho aqui compartilhar contigo o que descobri, ao melhor estilo “comigo não morreu”, e se você entender o problema, a angustia minha passa a ser sua também. Não precisa me agradecer…

Para entender o “Brasil Decadente”, vamos começar falando da metalurgia, na India.

“O que?”. É, isso mesmo: “India” e “Metalurgia”… Para entender o Brasil…

É difícil precisar, mas, a história da Metalurgia na Asia tem registros arqueológicos que vão além dos 3 mil anos antes de Cristo.

Registra-se, 1800 antes de Cristo (a.C.), a presença de ferro trabalhado em várias obras e monumentos indianos e estima-se que em 1300 a.C., o ferro de fundição era produzido em largas escalas naquele território. O domínio do processamento de metais é vital para classificar a evolução dos povos na História da humanidade.

Fato grátis: A diferença entre “metalurgia” e “siderurgia”, do ponto de vista acadêmico, jaz na especialização: Siderúrgicas são especialistas em fazer ferro refinado e vários tipos de aço, enquanto as Metalúrgicas trabalham em todos os tipos de metais (incluindo o ferro).

Conta a História, inclusive, que em 300 a.C., a India era a detentora de uma técnica suprema de produção de aço (A “Crucible technique”, ou “técnica do Cadinho” em bom português-metalúrgico) onde, por conhecimento químico apurado de seus ferreiros, era produzido um aço-carbono complexo, forjado em altas temperaturas com ferro de alta qualidade, carvão e vidro.
Nessa época, a India era, simplesmente, dona do monopólio do melhor aço que o mundo ocidental (e aqui, me refiro a Europa, na verdade) poderia desejar e comprar.

Não para por aqui, e se você quer saber mais, sugiro que procure pela História da Metalurgia na Asia, e a Metalurgia antiga da India e sua vasta gama de registros de ligas metálicas de altíssima qualidade (os registros dos feitos indianos nas primeiras ligas de Cobre e Latão são impressionantes, especialmente, considerando o grau de conhecimento que o resto do globo tinha sobre isso, tantos séculos antes de Cristo) e difícil obtenção, em períodos muito distantes da História humana, séculos antes das Expansão Européia por meio das Grandes Navegações chegar a estas bandas.

Sabe qual é a importância da India na Metalurgia global contemporânea? Nenhuma.

Não que a nação não produza ou processe metais para consumo próprio ou exportação mas, salvo algo bem específico, ela já não “dá as cartas” no jogo da transformação de “rocha” em produto-base (commodity) da indústria mundial. Limita-se a copiar o que os outros fazem, por vezes, com tecnologia patenteada além-pátria.

O que aconteceu com o conhecimento indiano sobre a metalurgia de ponta? Onde foram parar todos os seus ferreiros, especialistas, detentores de um conhecimento tão específico e tão vital para o trunfo de “dar as cartas” em um mundo que começava a se conectar (a famosa “rota para as Índias” era o centro econômico dessa Era, não porque os Europeus gostassem de Yoga ou do Hinduísmo) e um mundo que pagaria o quanto os indianos quisessem por metais processados de tanta qualidade (e raridade)?

Na opinião do Rafael, que também passou a ser a minha, ocorreu que a sociedade indiana tornou-se decadente…

A definição que ele deu foi muito precisa e suponho que, por não ter achado referências em nenhum lugar com acepção parecida, só possa ser de cunho dele mesmo; motivo pelo qual faço questão do crédito e do registro da terminologia, a ele:

“Sociedade Decadente (ou ‘em decadência’), é aquela que se torna, ao longo do tempo, incapaz de compreender e dominar os processos de transformação da Natureza que permitiram (e permitem) que ela ocupe o status que hoje detém.”.

Resumindo, via exemplo: Você vangloria-se (ou simplesmente se satisfaz) de viver em uma sociedade que cura, facilmente, grande parte das infecções bacterianas mas, essa mesma sociedade perde, cada vez mais, a compreensão e o domínio de como se produzem os antibióticos que te fazem prosperar onde seus antepassados pereceram.

É sobre esse stricto-sensu de “Decadência” que quero tratar. E que, no meu entender (e do Rafael, ao qual sou grato por me apresentar o conceito mas, fico na cisma pela depressão que incutiu), é a mais pura realidade da Sociedade Brasileira atual.

Ninguém decai do chão para a chão…

Para decair, contudo, é preciso, em algum momento, ter tido qualquer patamar (ou, ao menos, o vislumbre desse patamar) superior ao que se está rumando agora. Ninguém decai do chão para o chão, já que é o tipo de situação onde aplica-se o “pior do que está, não fica”…

O Brasil teve inúmeros momentos de progresso científico constatáveis e mesmo que seja totalmente reprovável como forma de governo, o fato é que especialmente a partir da Ditadura (a começar com o Golpe de 64), os brasileiros passaram a ter contato com o mundo exterior (e sua tecnologia) de forma mais acentuada e contínua.

Como exemplo, cito a ESG (Escola Superior de Guerra), assunto que já tratei em outro post, onde o intercâmbio de militares para os Estados Unidos da América (não sem a intenção deles de repelir a então União Soviética, vale dizer) fazia com que estes aprendessem muito da técnica militar com os estado-unidenses, e a trouxessem de volta para “a pátria amada, Brasil”…

Outro grande exemplo reside na fundação do então chamado “Complexo eletrônico brasileiro”, na década de 70, bancado pelo recém fundado (em 1952) BNDES, iniciativa que começou (novamente) com os militares da Marinha de Guerra Brasileira, bancando um projeto para construção de um computador 100% nacional.

A presença de Multinacionais já era grande, com menção honrosa à IBM que, em 60, tinha dois terços dos 90 sistemas computacionais instalados país à fora; e à Burroughs que instalou seu B-205 na PUC do Rio de Janeiro.

Diante disso tudo, é preciso ponderar que entre a Ditadura militar (que perdurou entre 1964 e 1985 – e, para me gabar, sem qualquer adição de conteúdo ou propósito, sou filho da Democracia, em 1986) e o fim da década de 80, os Brasileiros saíram de meros consumidores de “caixas-pretas” para um padrão de sociedade científica um pouco mais interessada em dominar os meios de produção que ditavam o progresso tecnológico do “primeiro mundo”.

Mas, algo deu errado: Talvez tenha sido a hiper-inflação (com seu pior momento entre Sarney e seu sucessor)… Talvez tenha sido a abertura da economia brasileira (por Collor, sucessor do já citado, e que não cito mais de uma vez, para não invocar maus espíritos) à importação de produtos em massa… De uma hora para outra e sem muita clareza do que sucedeu-se primeiro, nossa nação foi abandonando a vontade de dominar essas tecnologias.

Para saber mais: O Complexo Eletrônico Brasileiro

Nota: Cuidado com o excesso de ufanismo. É um texto de um órgão público engajado na propaganda…

Vontade não é tudo…

Quando penso na obstinação do povo dos EUA, especialmente estilizada e retratada no episódio de John F. Kennedy conclamando, em 1961, e com força de ordem executiva, a “América” a colocar o homem na Lua em menos de 10 anos, percebo a importância da vontade como motor de uma perseverança que não se abate diante das dificuldades.

Quem tem o mínimo de curiosidade sobre o tema, sabe muito bem que o programa espacial norte-americano não foi, nem de longe, uma “linha reta”: Revés, atrasos, acidentes, mortes, pesquisas infrutíferas, descobertas de conceitos equivocados (e, até aquele momento, alicerces do programa)… Teve de tudo.

Ainda assim, em Julho de 1969, Neil Armstrong plantou o primeiro pé humano por lá.
Eu NEM QUERO começar uma discussão sobre “se o homem foi mesmo lá”… Não tem nenhuma adição a este assunto… (Mas, eu penso que foi, sim, se você está curioso[a]).

Isto posto, quem conta que a corrida para pôr o primeiro homem na Lua foi uma história de “Vontade e Esforço”, está vendo novela da Globo por demais.
Vontade e Esforço são ótimos, claro… Mas, nas mãos de um imbecil, significam muito sacrífico, muito suor e lagrimas, e pouco resultado.

A parte, verdadeiramente bonita da corrida espacial, especialmente do lado “Yankee“, está no que significou aquela década para a educação americana, dos níveis fundamentais de ensino às universidades do país.

Nunca se importaram tantos doutores e mestres (a lista conta com gente de baixa relevância, como Einstein ou Von Braun [pai do sistema alemão de foguetes “V2”], e vou parar por aqui).
Nunca deu-se tanto valor ao domínio da Matemática aplicada, da Física e Astronomia de ponta. E nenhuma dessas ciências prospera se você não entende a língua na qual elas lhe são apresentadas (no caso deles, o Inglês)…

Sugiro, como complemento, o artigo da Harvard School: How Sputnik changed U.S. education

Quando eu crescer, quero ser cientista…

E talvez, nunca, na História da humanidade, tenha havido uma geração com tantos jovens que tinham ídolos que não eram de uma Boy-Band, ou de um Reality Show (até porque isso não existia), mas sim, astronautas, físicos e matemáticos.

Não é piada: Uma boa parte de crianças daquela geração cresceram tentando ser os próximos da lista de revoluções científicas do país, e alguns até tinham posteres desse estranho tipo de ídolo juvenil, nos seus quartos.
Não dá para não imaginar um poster de Stephen Hawking fazendo pose de mister-universo no quarto da menina de 15 anos em 1970 (não, não sei de tal poster… Só imaginei)…

Talvez, o filme “os Eleitos” (1983) faça um dos melhores trabalhos em dar um vislumbre do clima no sistema educacional estado-unidense com a Corrida Espacial à todo vapor (ok, cabe dizer: À todo vapor para não perder, de modo algum, para a URSS que já tinha posto o primeiro homem em órbita e lançado o satélite Sputnik).

O ponto central é: Vontade e determinação são muito importantes para levar uma sociedade de um ponto A até o ponto B. Mas, sem domínio cultural e científico, ela é tão útil quanto um fósforo comum no fundo da piscina. Não há ignição…

E o Brasil?

Bem, o Brasil nunca quis ganhar de ninguém. Nunca correu corrida alguma. Alguns setores e personalidades (tudo muito específico) podem até esbravejar comigo e dizer que estou muito enganado.
Mas, data maxima vênia, caros colegas, a única corrida da qual todo brasileiro entende é a corrida para pegar o ônibus lotado que já vai passando ali no ponto.

Nunca houve projeto nacional algum, de ser o melhor em um assunto tecnológico do que todo o resto do mundo.

Não me engano: Ninguém sabe fazer tudo sozinho. O país que domina a eletrônica não necessariamente é referência no processamento de petróleo ou minérios, e assim por diante. Então, não acho que precisamos dominar a técnica de todas as cadeias produtivas para sermos respeitáveis.

Mas, quando tudo que seu país sabe exportar é:

  • Commodity (ou seja, produtos de baixo valor agregado e que, mais tarde, compramos de volta, muito mais caro, por terem sido transformados em algo realmente útil) – Foi, inclusive, a desgraça que nos fez cair na armadilha de que o país estava em rota de um futuro econômico brilhante na Era Lula e no primeiro mandato de Dilma;
  • Drogas (O Brasil é: 1. O país que mais exporta produtos químicos para o refino de drogas na Colômbia; 2. A base de operação de quadrilhas africanas que enviam para Espanha, China e Reino Unido, via Correios [a nossa ECT]; 3. O maior exportador de drogas para os Estados Unidos [que, vale dizer, é o maior mercado consumidor de drogas do mundo]) – Dados de 2012;
  • Jogador de futebol (O Brasil é o primeiro do mundo em “exportação”[469 atletas], bem longe da França, no segundo lugar [com 312] – Dados de 2016);
  • E mulheres (não estou brincando: O tráfico de pessoas, no Brasil, é responsável por cerca de 65 mil brasileiras raptadas e escravizadas para fins, quase sempre, sexuais, em um “mercado” de 1.3 bilhão de dólares, só na América Latina – Dados de 2014);

… Fica difícil notar qualquer avanço que possa evitar a Decadência da Sociedade Brasileira contemporânea, sempre muito dependente da ajuda externa, e escrava do consumo de tecnologia internacional, por ser incapaz de dominar os meios produtivos que transformam o que ela tem (minérios em abundância, solo fértil, biodiversidade, quase todo o tipo de matéria-prima), no que ela quer ou precisa consumir (alimentos processados, remédios de ponta, tecnologia de telecomunicações, tecnologia aeroespacial, Inteligência artificial[…]). E tudo o que o noticiário local nos mostra durante o quadro “Internacional” no qual aparecemos há cada 10 anos, ocorre graças a um solitário cientista conterrâneo, em algum galpão sem estrutura, Brasil à fora, travando uma batalha particular, inglória e ingrata, por vezes em nome de valores que o resto de sua pátria sequer tem noção de como soletrar.

Quem mandou querer ser cientista?

Ele (e quase nunca “ela” – outro problema…) escolheu essa carreira, é verdade. Poderia ser servidor público, advogado, político. Poderia ser um Big Brother, ou um Youtuber… Um meio-campista ou um funkeiro…

Escolheu entender a função da apoptose (ou “suicídio celular”) na citologia do mamíferos primatas superiores…

Ou, escolheu entender porquê partículas subatômicas deixam de ser uma função de onda quando tenta-se medi-las com instrumentação, obtendo ou uma localização, ou velocidade, por exemplo (alias, se esse conceito lhe parece muito “frufru”, saiba que é uma das bases do próximo salto da computação, quando ela se tornar quântica).

A maioria dessas pessoas não viverá para ver respondida as questões que abordou.

Essa é a beleza “poética” da Ciência: Seu trabalho não é pra você, mas, para a humanidade… Se você tem qualquer crise em não ver seu trabalho iniciado, desenvolvido e finalizado, é melhor largar a Ciência e ficar na Construção Civil. Por lá, as obras costumam ter início, meio e fim. Na Ciência, isso é quase impossível.

Como menção honrosa para uma das poucas exceções à essa regra, vale citar um cientista, brasileiro (acredite se quiser): Carlos Chagas, o descobridor da doença de Chagas, que pôde estudá-la de “cabo a rabo”. Feito raro, é bom dizer.

Mas, não é – nem de longe – a norma na Ciência… Teorias postuladas no século 19 continuam sendo testadas e expandidas (ou refutadas) nos dias de hoje.

A Ciência é assim mesmo… Você constrói o seu bloco por cima dos blocos que seus colegas antepassados deixaram pra você. A obra só pode ser contemplada de longe, olhando a contribuição de cada um que, um dia, pode (e pode não) ser completada e transformada em algo prático, como, por exemplo, a imensa cadeia de conceitos, tecnologias e conhecimentos em interação que, finalmente, interligam o teclado em que digito esse texto, e a tela do seu computador ou celular, em qualquer lugar do mundo…

Esse brasileiro (e quase nunca, “brasileira”, repito com pesar) escolheu essa carreira. Verdade…
Mas, eu tenho que ser grato por tantos que tiveram a mesma escolha dele(a), décadas e, às vezes, séculos, antes de mim. Não pelo que ganho de imediato com isso. Mas por tudo o que já ganhei até aqui.

A Ciência não funciona para os egoístas.

Não funciona… Mas, sou sempre grato, sim, pelo que se descobre (e descobriu), até mesmo quando tudo sai errado e pelo que se edifica para as gerações que virão depois de mim, como os antepassados da Ciência fizeram pela geração atual, sem poder se beneficiar do que construíram, mas, em nome do ideal científico de ir além, de descobrir e entender como o Universo funciona, e como podemos moldá-lo em nosso favor.

Mas, não no Brasil…

Eu sei, de verdade, que antes fosse essa constatação exclusiva do lugar em que vivo. Como eu sempre digo, porém, é aqui no Brasil que eu vivo e aqui foi onde eu cresci. Esse é o lugar que mais me importa, no mundo, e é por isso que toda minha atenção e crítica são miradas para cá.

Honesta e deselegantemente, pouco me importa se 90% dos países do mundo estão se lixando para a Ciência, mais ou menos do que aqui. Quero saber o porquê do meu país ser idiota e estúpido de tomar essa decisão.

Meu país é feito de uma população extremamente deficitária no básico, em todos os sentidos. Ainda temos 27% dos pouco mais de 206 milhões de brasileiros, incapazes de ler uma manchete em um jornal (Dados de 2016).

Mesmo entre os que sabem ler os léxicos e transformar os “estranhos risquinhos” em letras e sílabas, a esmagadora maioria é incapaz de ler um texto como este que redijo. E nem estou levando em conta os que têm preguiça (porque escrevo muito, eu sei). Apenas os que não conseguiriam, mesmo se quisessem…

Uma rápida demonstração da nossa falência:

No começo de 2016, um estudo foi conduzido para avaliar a compreensão das ciências básicas do nosso povo. Considerou-se somente a população em idade produtiva, o que podemos dizer que equivale a 45 a 48% da nossa população total (outro dado preocupante). Só pela facilidade, vamos aceitar que dos 206 milhões de brasileiros, 100 milhões estão em idade produtiva (na verdade, esse número orbita na casa dos 80 mi).

O que o estudo feito pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa revelou é que desse universo de ~100 milhões de brasileiros, e respeitando a metodologia do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional), temos:

  • 4% de analfabetos;
  • 23% de rudimentares;
  • 42% de elementares;
  • 23% de intermediários;
  • e () 8% de proficientes;
    • E, a vantagem de usar 100 milhões como universo é que basta arrancar o simbolo de porcentagem para saber quantos milhões de brasileiros estão em cada categoria… Fácil! Se você não for analfabeto funcional…

Ainda, para os fins dessa pesquisa, Analfabetos e Rudimentares, somados, são o que compõe o universo de analfabetos funcionais brasileiros; pessoas que não conseguem (mesmo que capacitadas a decodificar minimamente as letras (léxicos), frases, sentenças, textos curtos e os números), desenvolver a habilidade de interpretação de textos simples e resolução de operações matemáticas elementares.

Já, na outra (pequena) ponta de 8% (ou 8 milhões de brasileiros), espera-se que o indivíduo consiga compreender e elaborar textos de diferentes tipos, como um e-mail, um verbete da Wikipedia, ou um editorial de jornal ou artigos de opinião (como este), além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor de um dado texto.
Essa pessoa também deve interpretar tabelas e gráficos e compreender, por exemplo, que tendências se aponta ou que projeções podem ser feitas a partir destes.
Outra competência é a de resolução de situações (de diferentes tipos) sendo capaz de planejar, controlar e elaborar.

Para saber mais: No Brasil, apenas 8% têm plenas condições de compreender e se expressar

Para encerrar (este artigo)…

Vamos supor um cenário apocalíptico, mas sem zumbis (aaaahhhhhh…. :-/ ), onde o mundo decida “fechar as portas” para o Brasil de vez (e não é 100% ridículo de se pensar nisso com Trump nos EUA, Putin na Rússia, o BrExit inglês e, quem sabe, logo-logo, Le Pen na França)…

Quanto tempo até os Smartphones que nós TANTO amamos no Brasil, pararem de estar na prateleira?

Bem antes disso ocorrer, e supondo um fechamento total e em larga escala, o que acontece com todos seus aplicativos (WhatsApp, Instagram, Facebook), “rodando” fora da sua terra natal, quando seu atual aparelho não conseguir mais trafegar livremente pela rede, e usar o servidor de dados que fica em outro local?

Os satélites de comunicação que permitem celulares e TV’s em regiões distantes do nosso próprio território, ou ajudam a vigiar o espaço aéreo… Sabe quantos são nossos? E quantos têm alguma tecnologia nossa em sua fabricação???

E remédios? Quantos remédios avançados para combate ao Câncer, coquetéis contra AIDS, vacinação de recém-nascidos, antibióticos de quinta geração (a mais recente)… De tudo isso que mantém seu povo vivo e bem, quanto você acha que nós dominamos de seus meios de produção, e capacidade de produção em escala (produzir um frasco é uma coisa. Produzir mil não tem nada a ver com produzir um…)?

Você NÃO pode contar com as máquinas e fábricas das empresas que estão aqui… Nesse cenário, a Toyota leva embora seus braços robóticos e plantas do seu amado Corolla, a Bayer leva embora seus equipamentos de produção farmacêutica, e você precisa torcer para que alguém do seu país saiba como o ácido acetil-salicílico (a tosca Aspirina) é condensado em um comprimido.
O mesmo para a Prednisona, a Epinefrina, e todos os compostos que controlam diabetes, pressão alta, quadros de miopatias agudas ou crônicas…

Todas as outras multinacionais seguem o mesmo exemplo…

Enfim, em um mundo em que você (e seu povo) é altamente dependente, cada vez mais e mais de tecnologia de ponta; e seu povo e país não poderiam se importar menos com o como ela é adquirida, desenvolvida, e feita (em pequena e larga escala, volto a dizer – já que mesmo que alguém entenda o processo, nem sempre é fácil pegar o conhecimento de um livro na biblioteca ou de um cientista de laboratório, e produzir milhares e milhões daquilo que eles sabem, em um curto espaço de tempo); você está em uma Sociedade Decadente… Incapaz de produzir o que ela se gaba de ter…

Em resumo, o Brasil vem “dando certo” (expectativa de vida aumentando, produtos de ponta [embora custem uma fortuna]), simplesmente porque aceitamos pagar o preço que os “novos Indianos” impõem, sem maiores objeções.
Eles vêm aqui e vendem os “Aços-carbono” do século 21 pelo preço que quiserem, e nós pagamos.
Porque, se não pagarmos, vamos voltar a precisar de telefonistas trocando cabos, e um texto desse não vai ser possível, a não ser que uma rádio (essa tecnologia [eletrônica analógica da primeira guerra], acho que a gente domina suficientemente bem) decida narrá-lo, por 8 minutos.

E… Se algum dia, por qualquer motivo, esse pessoal decidir fechar as portas, não importa o quanto queiramos pagar… Ai de nós…

Há solução para a nossa decadência?

Trato disso em um próximo texto.

Vou falar da farsa de nosso orgulho com Embraer e Petrobras, como símbolos de exceção dessa decadência, e de que para a educação nacional dar tão errado, isso não pode ser mero acaso. Há um plano, e todos (eles e nós) estão jogando perfeitamente para que tudo continue igual ou pior.

Até o próximo post.

8 de março: O porquê eu respeito a “farsa”…

Entre esperar Papai Noel ou ajudar alguém a ser respeitado, de maneira digna, eu acho que é melhor ficar com a farsa do “Dia das Mulheres”

Símbolos universais do masculino e feminino, combinados com o sinal de igualdade, no centro.
Será que, um dia, a anatomia será apenas um diferencial fisiológico e aparente entre nós?

8 de março, como 25 de dezembro, é uma farsa histórica…

Nem as mulheres foram queimadas vivas na fatídica fábrica têxtil de Nova York, nem Jesus nasceu, respectivamente, nas referidas datas.

No entanto, como todo o mundo (literalmente) insiste em comemorar o Natal no ocorrer do Solstício de Inverno do Hemisfério Norte (uma data originalmente pagã, vale dizer), eu não vejo porquê não lembrar que o mesmo mundo ainda deve muito às mulheres, quando o assunto é “igualdade”; mesmo que através de uma data, também, inventada.
A história inventada do incêndio parece ter ocorrido porque feministas francesas não queriam que a data ficasse ligada à Comuna de Paris, e demais eventos comunistas, muitos destes, comemorados em Março, e que foram berços de algumas das primeiras manifestações dessa bandeira pelas mulheres e a igualdade de gênero.
Era mau (já naquela época) ligar a luta por igualdade, às bandeiras Comunistas, pensaram as moças… Titios Mao Tsung e Marx estão tristes – lá no céu vermelho – com vocês, garotas…

Eu sei, eu sei… Metade da audiência desse post foi perdida, quando eu disse que alguém devia algo para outrem. Ninguém quer ler que o mundo tem algo de errado e que, de alguma forma, este primeiro tem alguma culpa nisso. Incomoda. Muito. Eu sei, eu sei…

Você, meu amigo, sai de casa, faz seu melhor, paga seus impostos, não estupra ninguém… O que mais o sexo oposto pode exigir de você?

Vai minha sugestão, então: Consciência.

“Consciência” é tudo o que você precisa adquirir, , para começar a enxergar o que você diz (ou quer crer) não existir: Desigualdade entre homens e mulheres.

Somente alguém:

a) Cego;
b) Mal informado;
c) Mal intencionado;
d) Uma infeliz junção de tudo isso e, quem sabe, mais um pouco;

… Pode sugerir que toda a reclamação feminina não é mais que “bobagem”, e “mimimi”.

Ok, logo ali na frente, menciono que meu reconhecimento à necessidade da “farsa”, não tem nada a ver com suportar bandeiras político-partidárias de lado b ou lado a e, muito menos, que eu seja uníssono com as ativistas dos movimentos mais barulhentos, ou com seus modus-operandi.

Mas, vamos devagar com o andor, porque a idéia (como o santo) é de barro; e quebra fácil.

Consciência

Quando iniciei em meu primeiro emprego CLT, na Xerox do Brasil, surgiu o primeiro episódio de epifania quanto ao tema, após eu querer fazer algum tipo de reflexão coletiva sobre a data; na data.

Fiz um curto e-mail (juro pelo Solstício de inverno que não era tão longo quanto meus posts), creio que com pouco mais de 200 palavras, onde eu dizia que, embora quisesse felicitar as pouco mais de 20 mulheres com quem eu tinha contato profissional, por uma data simbólica, também queria dizer que reconhecia sua luta por igualdade e valorização na sociedade, e que sabia que estava longe o dia em que a data poderia ser só comemorada; em uma sociedade construída, não somente mas, também, sob suas costas e que, ainda assim, às subtraia o devido valor, à luz do dia, “na caruda”.

A reação das colegas e amigas me chocou porque muitas levantaram de suas mesas e me parabenizaram pessoalmente (seria eu, também, uma mulher? Tenho uns comportamentos estranhos, mas, não é pra tanto, não é?).
Algumas verbalizaram e disseram que, diferente dos chefes, outros amigos, parentes e namorados, e até mesmo do e-mail padrão do RH, eu havia sintetizado o “problema com a data”: A esmagadora maioria delas é feliz por ser mulher, por receber flores e bombons, e parabéns de todos os lados, no 8 de março.
Não há crime em felicitá-las, de verdade… Eu sempre procuro fazer esse tipo de coisa para as mulheres com grande significado em minha vida.

Mas, no fundo, não é uma data que pode ser pura comemoração e, na realidade, elas trocariam tudo isso e aprovariam o fim da data mundial, se isso garantisse a elas, igualdade com o outro sexo que compõe a espécie (tá com dúvida? Sim: Nós homens).

E a primeira coisa que você precisa reconhecer, meu querido amigo, é o tamanho do problema. E não duvide: Escrevo mais por você do que por elas… O que eu direi aqui, elas sentem na pele, todos os dias.

Segundo lugar, teu nome é mulher.

Se Shakespeare fez muita gente (“muita” mesmo, por gerações) suspirar com seu “Romeu e Julieta” (que, na verdade, é tudo, menos um aval poético à loucura de amor; e bem mais um aviso de que é idiota desrespeitar os pais e a sociedade), ele não era… Bem, como posso dizer… Um feminista…

A célebre frase de Hamlet, em contra-cena com Ofélia, em peça homônima ao primeiro citado, é bem conhecida:

“Fragilidade, teu nome é mulher”(…)

Na verdade, como 99.999% (deixei espaço para as exceções: elas sempre existem) dos entes de seu gênero e época, Shakespeare era, muito provavelmente, misógino.

mi·so·gi·ni·a
sf
MED, PSICOL Antipatia ou aversão mórbida às mulheres.

Ah mas, também, quem nunca?

Che Guevara, o Papa, nossos avós e, quem sabe, sua mãe e irmã… Todos tiveram, têm, ou terão uma antipatia com o gênero feminino (eu temo que alguém vá dizer que “mulher” não é gênero. Recomendo conversar com a Associação Americana de Sociologia [ASA] e avisar que a documentação deles está errada).
A frase de Shakespeare, em seu contexto original, é uma mentira. E, como muito do que pensamos do outro sexo, também o é, grande parte de tais conjecturas.
A fragilidade do sexo feminino, em sentido stricto, é mera construção social de dezenas de milhares de anos.
A nossa versão atual da raça humana (a espécie homo sapiens sapiens [isso mesmo: Sapiens que Sapiens]) tem cerca de 70 mil anos de história e, desse período, estima-se que a sedentarização (em oposição ao nomadismo) tenha ocorrido entre 25 e 17 mil anos antes de Cristo (ou, melhor dizendo, do primeiro Solstício geladinho dos Cristãos).
A agricultura surge, então, em torno de 10 mil, antes do “Primeiro grande festão de inverno” da Igreja Católica.
Noves fora, nada, são 12 mil anos executados de modo que o homem caça e guerreia, enquanto as mulheres colhem frutas e cuidam da “cria”.
Logo, se elas, de fato, agora são frágeis, foi por mera imposição, ou escolha (chame como quiser) social, há – mais ou menos – 12 mil anos; e não por uma inerente fraqueza constitutiva, genética, de gênero; como a frase tende a sugerir…
De mais a mais, a mulher mais forte do mundo (da última vez que vi, era Donna Moore, com a “mísera” carga de 330 Kg no Levantamento Terra; uma bobagem…) vai ser infinitamente mais forte do que 99.5% (ah, as exceções) dos homens do mesmo planetinha em que ela mora.
Não importa se você gosta de mulheres musculosas, ou não. O ponto é que elas não são inerente e intrinsecamente fracas.
Se no stricto-sensu é mentira, em sentido lato, também. Muito do que chamamos como fragilidade é, meramente (e novamente), milhares de ano em reiteração de condutas e posturas que visam o fortalecimento do bando, o estreitamento das relações que sustentam a tribo, e em última análise, a evolução darwinista, aplicada à sociedade humana, at its finest (no seu melhor).
E, se por um lado, elas abriram mão do poder natural e absoluto, em prol da comunidade que arquitetavam e suportavam (coisa que leoa alguma fez [ainda são as caçadoras mais letais e fortes de uma alcateia]), elas – as fêmeas de nossa espécie – ganharam em troca, uma banana (e, para o azar delas, nem foi no sentido bíblico [entendedores, entenderão] pois, assim, poderiam, ao menos, ser felizes sozinhas).
Sua abdicação lhes rendeu o título de “frágeis”.
Aliás, “afeminado” não é ofensa para a sociedade ocidental, à toa… Adjetivar um homem em semelhança à uma mulher, é um ótimo jeito de iniciar uma briga, enquanto ofensas ao caráter (como “canalha”, ou “vagabundo”), tem menos chances de chegar ao mesmo resultado… Vai entender o bicho-homem…

Se não são sinônimos de fragilidade ou fraqueza, com toda certeza foram forçadas ao sinônimo de “segundo lugar”…

Como eu disse, antes, foi mal negócio (não, em 1920, não em 1850, mas, há mais ou menos 12 mil anos atrás) para as mulheres, esse negócio de “sossegar o facho”.

Tivessem continuado a arranhar e morder como as leoas e, talvez, hoje fosse dia Internacional do Homem, e a Lei, talvez, chamasse João da Lapa.
Mas, como diria Mano Brown, “aqui é Capão Redondo, ‘tru’, não Pokémon”. Não adianta idealizar no faz de conta…

Não que eu acredite nas BOBAGENS que vejo em algumas homenagens, onde supõem os publicitários de “o Boticário”, ou do Dollynho, que, fosse o mundo governado por mulheres, de fora a fora, só haveria paz, amor e carinho…

“O homem é o lobo do homem”, enunciou o grande Thomas Hobbes… Sempre foi e sempre será a verdade mais triste da nossa espécie.
Com o poder e a força, homens e mulheres podem ser terríveis, ou maravilhosos. Esse fato nada tem a ver com a carga genética do 23º par de cromossomos da nossa espécie.

Mas, fato inegável é que a conjuntura da situação feminina no mundo, quanto à violência, a igualdade de oportunidades, de reconhecimento e de valor (social e econômico), é o que é, não porque assim deveria ser, ou por ser inerente do gênero feminino, mas, porque assim foi construída para ser.

Por todos nós, importante dizer. Que as moças que me leem, não tirem de seu fardo a culpa – em parte, óbvio – dessa construção, pois, “quem cala, consente” e “só tem malandro, porque tem otário“, diria o exímio Sr. embaixador da filosofia brasileira, Bezerra da Silva.
E, acima de tudo, porque o papel de vitima também não ajuda quem precisa ir à guerra. Sinto muito, de coração, meninas: Essa é uma briga que vocês não poderão se esquivar para sempre…

“Rodrigo… Quanto blá-blá-blá… Não vi um argumento bom de que elas sofrem alguma desigualdade real… Talvez, lá no Oriente Médio, mas, aqui no Ocidente, elas não têm do que reclamar…”

Fôlego… Fôlego… É tudo que preciso para não responder por lesão corporal grave, ao ouvir esse tipo de infelicidade… E, sim, eu ouço… Imagino elas…

Enquanto, “meu amigo”, você disser coisas como “eu ajudo em casa” (não se ajuda alguém a cuidar do lugar em que você mora… Se ambos trabalham fora, divide-se tudo por igual, para quem ninguém trabalhe mais, só porque tem xana e não pinto…), ainda que ela não trabalhe fora, a carga de trabalho doméstica é, muitas vezes, pior que a do escritório; sinta na pele para entender (e divida de forma justa);
Enquanto você se gabar da louça que lavou no último aniversário dela;
Enquanto você esperar “parabéns” por tudo que ela faz todos os dias, e você fez só na passagem do cometa Harley…
Bem, eu nem precisava escrever mais pra você pedir perdão (pra ela, não pra mim… Ainda tô decidindo se vale responder o artigo 129 do CP, por conta da sua infelicidade)…

MAS… Os fatos têm essa beleza inerente de bater na cara de babacas, sem que sejam facilmente ignorados… E muita gente contava com alguma pesquisa minha, para dizer o que estou dizendo, há 4 minutos, e não vou decepcionar…
Caro leitor, consciente, e que não diz bobagem à toa… Aos fatos:

Os Fatos… Tristes, e que mudam tão pouco, ou quase nada, ano após ano…

Os fatos são estes:

O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou, na última segunda-feira, dados tenebrosos de como anda a igualdade entre os sexos que você imagina boa, na Ilha de Vera-Cruz (vulgo, Brasil).

Brasileiras trabalham, em média, 7.5 horas a mais que os brasileiros.

90% das brasileiras fazem o trabalho doméstico, enquanto 50% dos brasileiros declararam fazer, também. Esse número, pasmem, é idêntico à 20 anos atrás. Nada mudou, e estamos em 1995 ( o estudo, em questão, finalizou a série histórica em 2015).
Significa, em outras palavras que, embora estejam mais presentes no mercado de trabalho, continuam, elas, as principais responsáveis pelo lar, levando-as a ter jornadas duplas de trabalho. E ainda perguntam porquê elas deveriam se aposentar mais cedo, em uma sociedade tão desigual com elas.

Em 1995, 23% dos lares tinham chefes de família, mulheres. Em 2015, 40% dos lares brasileiros dependiam das mulheres. E isso não significou nenhuma redução da dupla jornada (emprego e residência), nem a equalização dos salários que, na verdade, seguiram inalterados quanto à escala, ao longo dos últimos 20 anos, entre homens e mulheres brasileiras.

Confira por si: Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça – 20 anos

Mesmo que a mulher faça EXATAMENTE o mesmo trabalho do homem, no Brasil, ela ganhará apenas 73.7% do que ele ganharia.
Se você não acha assim tão relevante, pegue a diferença percentual desse montante, e dê para sua colega de função… Afinal, não é realmente relevante, não é mesmo?

Segundo ranking do Fórum Econômico Mundial, o Brasil precisa de 100 à 200 anos, para que homens e mulheres sejam economicamente, tratados como iguais.
As outras desigualdades, só o Pai celestial do dia mais longo do inverno no H.N., pode saber.

Ok… Talvez, o Brasil seja um lugar desigual para elas. Mas, é porque somos terceiro mundo, não?

Ha… Haha…

Não.

Aqui, um pouco do que é ser mulher, no terceiro planeta, de um dos 500 sistemas solares da Via Láctea, a contar a partir da estrela que chamamos de “Sol”…

Nos EUA, há mais CEOs (presidentes de empresa) chamados “John”, do que mulheres nessa posição. Obviamente, o que deveria qualificar alguém para uma vaga não é, nem o nome, nem o aparelho reprodutor, mas “há algo de podre no reino da Dinamarca”, como diria Hamlet, se vários John’s eram tão mais competentes do que todas as mulheres interessadas em ser CEOs, juntas, nessa corrida, naquele país.

A consultoria Ipsos realizou pesquisa com 17 mil pessoas, em 23 países com bons índices de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e perguntou às mulheres se elas creem ter a mesma chance e oportunidade que os homens. Apenas 4,5 em 10, acreditavam que sim. Já, 6 em 10 homens, pensam que elas têm as mesmas oportunidades.

Nos EUA, a impressão errada só piora. 3/4 dos americanos acham que a sociedade é suficientemente igualitária entre os gêneros, enquanto só 50% das americanas acredita nisso.

Ah, se a violência contra a mulher fosse exclusiva do Brasil… Nos EUA, 1 em cada 4 mulheres sofrerá violência sexual, ao longo da vida. E, ainda por lá, o maior risco físico que uma mulher entre 18 e 44 anos sofre, dentro de sua casa, é o risco físico da violência doméstica. 80% das violentadas vão desenvolver problemas cardiovasculares, e 70% delas vai se tornar alcoólatras.

E, embora o mundo tenha quase a mesma proporção entre os gêneros (101,8 homens para cada 100 mulheres, segundo relatório do Instituto Pew, com base en dados da ONU de 2015), quando se trata de linha da miséria, as mulheres não ficam com o segundo lugar… Entre 10 adultos miseráveis, no mundo todo, 6 serão mulheres.

Desigualdade, ou simples diferença entre os indivíduos?

Talvez, e por incrível que pareça, o ponto em que geralmente as pessoas mais se atém, são os que citam a diferença salarial.

Também, pudera: Uma das mais recentes polêmicas salárias entre homens e mulheres ocorreu na Associação Profissional de Tênis (ATP), entre ninguém menos que Djokovic e Serena Williams. Salário é sempre hot topic….

Especificamente NESSE cenário da ATP, eu não acho que seja um problema central da causa feminista. De fato, em uma liga como essas, o teto salarial é determinado pelo valor que a liga arrecada com os eventos. Se eventos de tênis femininos vendem menos, ou vendem ingressos mais baratos, é uma questão muito mais de contratos, e de imposição das atletas às ligas e organizações, não obstante, é claro, a chance de que a expectativa errada dos organizadores seja de que elas aceitarão ganhar menos, por serem mulheres.
E aqui, sim, teremos um problema.

De todo modo, não estou defendendo que não existem diferenças que justifiquem salários diferentes. É claro que existem.
Só não podem existir se, sem politicagens e discursos ocos e completamente falsos, a real explicação para a diferença salarial seja uma vagina ou um pênis.
E não é só sobre isso que se resume a bandeira de igualdade entre os sexos.
Se há diferenças, vamos entende-las, tratá-las, e endereça-las. O que não pode continuar é a diferenciação por motivos que não determinam capacidade, competência, brilhantismo que cada ser humano (homem ou mulher) é capaz de ter.

Admiro e apóio a causa, mas não quem CAUSA…

Como eu disse, lá no começo, meu apoio à bandeira do feminismo e meu reconhecimento de que há, sim, muita coisa errada na relação social que homens e mulheres construíram, e no que cada um recebe de volta, no que deveria – idealmente – ser algo simbiótico; nada disso e dessa postura significa que eu concorde com práticas de boa parte das ativistas mais barulhentas nessa batalha.

Algumas e alguns dirão que não conseguirão o respeito e a igualdade que buscam, sendo comportados.

Do meu lado, me limito a dizer que, como na questão racial (que, na verdade, leva o nome errado: É uma questão de discriminação dermatológica, já que a raça é só uma: Homo Sapiens²) “jogar o jogo”, causando, é um ótimo jeito de enfrentar repressão, endurecimento do conservadorismo, e quase nenhum avanço.
Quando você me xinga e me convence que sou um monstro, como Maquiavel advertiu, eu posso decidir ser o monstro que você sugere que eu seja. Causas como a “Racial” e a da igualdade de gêneros precisam de gente inteligente e articulada à frente, e não de gente que sabe gritar e ofender (como 4 as feministas que bateram no arcebispo belga, ou os negros e negras que agrediram a brasileira branca com câncer, por “apropriação cultural” ao usar um lenço na cabeça… Bom, deixa pra outro artigo).

Por ser uma questão onde, um lado está “ganhando” e outro está perdendo, somente o diálogo e convencimento de que é um problema para todos os lados, sim, e não um problema “só das mulheres”, (ou “só dos negros”) pode fazer com que ambos os lados trabalhem na questão… Se só o “lado perdedor” se movimentar, e o outro lado “sentar” na causa, 200 anos é até pouco para alguma mudança nesses panoramas.
E a culpa, também é de quem grita demais e de quem causa demais. Essas pessoas podem até achar que estão nos seus direitos, pelo que passam e sofrem, mas, são tão inimigas da boa causa e da verdade, quanto seus carrascos (merecendo a alcunha, ou não).

Da mesma forma, nem toda idéia com a etiqueta “feministas aprovam”, terá o meu apoio. Em primeiro lugar, porque ninguém fala por mim. Em segundo, porque algumas são simplesmente idiotas, e buscam qualquer outra coisa, mas não IGUALDADE… Como a proposta de um número fixo, mínimo, de congressistas mulheres, eleitas.
A idéia de um número mínimo de candidatas me parece correta.
A idéia de candidatas eleitas na marra, não. É incompatível com “democracia”, supor que o sistema é forçado a eleger mulheres que não representam o povo brasileiro, mas ingressaram lá por “cotas”.

A causa é legitima, por tudo que eu já demonstrei. Quem causa, contudo, não tem legitimidade, e não ajuda em nada.

A igualdade de gêneros é boa para todos. O difícil é convencer todos os players, quanto à isto…

A igualdade entre os gêneros é, de verdade, boa para todo mundo. Eu nem vou tentar detalhar TUDO que essa igualdade pode significar (até porque, cada ponto poderia ser um artigo, por si só), mas, vou falar de pontos básicos e imediatos que tal igualdade traria.

Hoje, o homem ainda é mais bem pago que a mulher, mesmo que ambos tenham o mesmo cargo e mesma formação profissional. Com isso, o homem tem menos liberdade para se demitir, ser demitido, e tomar qualquer rumo diferente na carreira, já que ele é o que traz o mais relevante rendimento para as finanças do lar, e tem a pressão extra de não poder fracassar nisto.

Ao assumir funções de mais prestígio, ou mais responsabilidade, o homem é privado de estar junto de sua família, participar da criação de seus filhos, e outros aspectos que deveriam ser mais importantes que qualquer carreira profissional. Se houvesse igualdade real e sustentável, a escolha de quem fica mais tempo com as crianças poderia ser livre de consequências para toda a família. Claro, não há bônus sem ônus, mas, do jeito que é, hoje, é quase impossível “inverter os papéis”.

Se a mulher é frágil, delicada, emotiva, e todos os adjetivos que são, paulatinamente usados para defini-las, os homens são fortes, valentes, corajosos, guerreiros, infalíveis, implacáveis, e uma série de besteiras que tentam definir genericamente, cerca de 7 bilhões de pessoas únicas. Como a sociedade só sabe funcionar se todo mundo jogar esse jogo, com essas cargas e papéis, qualquer indivíduo da espécie que falhe em entregar tais atributos, está mais perto da depressão, e de todos os problemas que advém disso. O sexismo, nesse caso, não aprisiona só a mulher, mas também o homem, já que o comportamento aceitável é estrita e rigorosamente imposto a cada um de nós.

Enfim….

Eu, embora costumeiramente pessimista, me forço a acreditar, sim, que um dia, cedo ou tarde, o dia 8 de março poderá ser um dia descartável.
Infelizmente, contudo, esse dia ainda não chegou, nem está no horizonte visível, e há muito do que reclamar, e muito pelo que brigar.

Eu, homem, branco, heterosexual, e todos os demais padrões básicos, ratifico meu apoio e reconhecimento de que a causa feminista tem validade e precisa, sim, ser defendida, não só pelas principais afetadas, mas por toda a sociedade.

Viver em uma sociedade igualitária não é uma ameaça para quem “está no controle” do personagem dominante (seja lá o que isso signifique, já que não me sinto sobre o controle de nada).
Pelo contrário: Viver em uma sociedade onde homens e mulheres são iguais (não quanto à atitude, ao gênio, estilo, ou postura, mas, quanto ao reconhecimento e tratamento social), é algo libertador para todas as partes.

Uma “farsa” pela qual, com certeza, vale a pena lutar.

Parabéns à todas vocês que, mesmo diante de tudo de ruim que eu citei aqui, ainda levantam e vão às ruas, continuar lutando por espaço e por igualdade, travando a boa batalha, caindo e sendo derrubadas, mas, achando fôlego e suporte para se levantar, e continuar em frente. Isso é a pura demonstração da fibra humana que todos nós partilhamos, a despeito do sexo, da cor, da origem, e todas essas divisões que em nada limitam ou definem o potencial humano.

Finalmente, um parabéns especial à minha mãe, Raquel; uma mulher de uma fibra incrível, “matando um leão por dia” desde que me conheço por gente.
E, para uma das mulheres mais guerreiras que conheço: Minha noiva, Bruna, que não obstante tantos desafios nos mais variados prismas da vida, sempre acha um jeito otimista e forte de ver o lado bom da vida, e seguir lutando e vencendo tantas batalhas quanto possível.

Parabéns a todas vocês!

“Brasileiro é muito baba-ovo! Dá audiência até para eleição nos EUA!”: Diz o insensato…

Porquê você deveria estar muito preocupado, (e horrorizado com a chance enorme de Trump na Casa Branca) com a eleição presidencial estado-unidense…

A foto é intencionalmente maldosa: Não posso enganar você. Vejo Trump e vejo tragédia. Bush filho parece até inofensivo perto do que Trump prenuncia no meu horizonte de previsibilidades e expectativas para a política internacional dos próximos 4 anos, no mínimo.

São 2h14 da madrugada em Brasília, onde estou enquanto escrevo. Parece um tanto quanto cabalístico e levemente conveniente que eu esteja na Washington D.C. brasileira (ok, foi só uma piada. Não tenha um ataque ufanista contra mim, logo agora) enquanto isso tudo me ocorre.

Enquanto escrevo, vejo este mapa de apuração da corrida Presidencial Americana:

http://www.nytimes.com/
Mapa em tempo real, fornecido pelo New York Times, em seu site: http://www.nytimes.com/

O mapa preocupa e muito. O The New York Times, como qualquer outro veículo de comunicação, não é livre de opinião ou de viés. E mesmo sendo claramente a favor dos Democratas, o mapa que eles montam é terrível em sua cor vermelha (aqui, representante de Trump). Especialmente em estados como Winsconsin ou Michigan, onde os Democratas contavam com o apoio, o “rodo” foi enorme.

Um resumo para entender como funciona – o que, honestamente, eu também não entendo plenamente – a eleição americana é que cada estado tem um peso de votos… A soma de todos os votos disponíveis em cada estado é de 538. Ou seja, o primeiro candidato a obter 270 votos ganha, por ter metade, mais um, dos votos. Esse número, 538, não é igualitariamente disponível. O Texas, por exemplo, rende 38 votos, enquanto a Flórida rende 29. Utah, no entanto, só rende 6 votos para quem conseguir 50% +1 dos votos daquele estado. A mesma mecânica para os demais. tem estado que dá todos os votos para quem tem a maioria; alguns poucos racham o número de votos do estado proporcionalmente ao resultado das urnas… São 50 legislações eleitorais, e não uma unificada. Considero o caos.

Agora, porquê a eleição dos EUA importa para o brasileiro?

Bem (e em uma linha), porque seu país – o Brasil – quebrou, e depende muito de um mercado internacional estável, com um cambio – igualmente – estável, para voltar a crescer e controlar a inflação…

O problema nem é, de fato, as famigeradas commodities (matéria-prima). Se analisarmos o PIB brasileiro, as commodities respondem por menos de 10% do valor atingindo.

É claro que é ridículo que o país venda lingote de ferro para comprar, 3 vezes mais caro, uma chapa de aço usinada de forma não-usual (aço-carbono de alta qualidade, etc.). Claro que é ridícula a nossa incapacidade de ter uma cadeia de beneficiamento que venda o produto final, agregando valor real, para manter as cifras realmente relevantes aqui. Mas, não é isso, especialmente agora, que importa nessa avaliação do porquê se preocupar.

O que realmente importa é que o Brasil ainda não saiu da recessão. Ter um cenário econômico com acordos bilaterais (o que Dilma nunca fez, enquanto tínhamos Obama à frente da White house) e um câmbio entre o Real e o Dólar estável é a base para sair da recessão atual. É o jeito de recuperar empregos aqui e estabilizar o crescimento econômico na vida de todos nós.

Trump e a preocupante incógnita: O que é o personagem, e o que é a loucura…

Trump dá medo. Esse é o meu resumo do que representa a visão de um homem que vai assumir a maior potência financeira e bélica do mundo, e que, se é um personagem, é daqueles terríveis vilões de novela, pelos quais você não faz menos do que torcer pela hora da morte dele. Se é um personagem, é um de mal gosto. Ensina, ratifica e consolida que “vale tudo” para ganhar.

Esqueça dos muros entre Texas e México. Esqueça até do ódio às mulheres (misoginia que Hillary sentiu na pele, algumas vezes) e outras populações vulneráveis, como Gays e Negros. Vulneráveis sim, mas não necessariamente, minorias, já que em números, e só a título de exemplo, podem ser a maior parte da população (no caso de mulheres (51.6%) vs. homens (48.4%), em se falando de Brasil, e quase idêntica porcentagem para os EUA).

Trump prometeu agradar uma população que, analisada a grosso modo, parece ser de maioria retrógrada em suas declarações, convivência e tolerância; ultra-conservadora, sem grau de educação formal e – em boa medida – desempregada. Um vídeo com os apoiadores de Trump mostra o grau de insanidade dos seus mais fervorosos eleitores. Gente que acha que Obama é um terrorista de origem mulçumana, até hoje –  e só pra citar um caso.
Mas, não há burrice maior de nossa parte do que simplificar e diminuir o eleitorado dele. O preço dessa inferiorização artificial, estamos vendo agora com Hillary virtualmente derrotada, e todos os especialistas boquiabertos, sem saber como explicar o que houve.

E Trump prometeu uma nacionalização improvável mas, perigosa. Prometeu um protecionismo econômico na maior potência econômica do mundo, que move as fábricas da China, que compra materiais do Brasil, que importa mão-de-obra e viabiliza progressos científicos.
Tudo isso pode vir a ruir nas mãos de um bilionário controverso em sua maneira de fazer dinheiro, com possíveis rombos em seu patrimônio por má gestão, e com acusações de fraudes às leis tributárias.
Um homem do Real State, num mundo onde o verdadeiro valor está nas ideias e na informação, e não mais no ativo e no patrimônio fungível… Terá Trump as qualidades para lidar com a economia da super-potência, em um mundo que, teoricamente, ele não entende?

E esse homem passa a ter uma super-potência bélica em suas mãos, diante de um cenário internacional extremamente delicado no Leste Europeu, de Ucrânia e Rússia. De um Oriente Médio caótico, com Síria e ISIS, e de uma histórica e crônica Coréia do Norte apoiada pelo monstro chinês, mesmo diante de suas sandices.
E é esse homem, das declarações mais irracionais e de uma instabilidade emocional GRITANTE (em caps lock, gritando, como ele gosta de se pronunciar) que vai mandar no país com mais armas de destruição em massa e força bélica do mundo.

O que nós – e todo o resto do mundo – não entendemos sobre os Estados Unidos de Eleições Presidências em 2016?

Bom, se serve de consolo (enquanto Trump vai garantindo, mesmo, o acesso a 4 anos de poder sem igual, pela atualização do mapa que vou vendo aqui), não é realmente que só nós não entendemos.

A realidade grosseira e assustadora é que ninguém “com cérebro” entendeu.

Sem preconceitos! Não estou insinuando que só gente burra vota ou entende Trump. Já disse que essa declaração, sim, é a verdadeira burrice.

Mas, vendo os colunistas do Washington Post e do próprio The New York Times, a incredulidade e a incompreensão dessa “virada de mesa” – que agora, fica claro, nunca existiu de fato: Trump sempre esteve à frente – entre a boca de urna, e a performance acachapante do candidato dos Republicanos é geral e espanta até mesmo os intelectuais da ala conservadora. Nem eles esperavam ganhar tantas posições no Congresso, no Senado e, menos ainda, a Presidência, depois de tudo que Trump disse e fez ao longo da corrida presidencial.

A verdade é que não se sabe o que (ou como) a Sociologia e a Ciência Política vão poder explicar do eleitorado de Trump. Dizer que são todos rednecks, caipiras, burros, brancos racistas e ignorantes é o mesmíssimo e cretino posicionamento que o mundo tomou ao avaliar Hitler e sua Alemanha Nazista, de apoio cego às suas ideologias e planos. E, de maneira menos radical, é o mesmo pensamento que sustentam os que condenam a ascensão de religiosos na política brasileira, ou chamam de ladrões e petralhas todos os que acreditam nos valores do Partido dos Trabalhadores (e não necessariamente nas pessoas daquele partido). Em resumo: É grosseiro e pouco respeitável rebaixar o pensamento de uma quantidade tão grande de pessoas. O que eu quero ressaltar aqui é que o erro é nosso (de quem não apoiava a ideologia “Trump”), por não entendermos o porquê desse resultado.

Parece-me claro, agora, que existe algo profundamente errado no prisma como as capitais (que reúnem o dinheiro, o conhecimento, a formação e a geração de informação e opinião) estão enxergando o resto do mundo. Isso vale para o susto dos londrinos com o BrExit da Inglaterra. Vale para nosso susto com Crivella no Rio, e com o conservadorismo de ressurgimento potente no Brasil.
Vale para o eleitorado dos EUA que vai fazendo história – pelo que estamos projetando (e talvez, de forma igualmente errada), terrível – e que “cala a boca” de todos os críticos e intelectuais das áreas que se propõem a estudar a Política e as sociedades; neste caso, especialmente a estado-unidense.
O erro de avaliação é grosseiro e ninguém entendeu a realidade. Explicaram e nós mesmos explicamos, por meses, tudo errado. Acreditamos em tudo que não se realizou.

E Trump (tudo indica) ganhou.

Quando você (ou qualquer um) simplifica as coisas e diz que Trump ganhou porque todo mundo que votou nele é burro e preconceituoso, você diminui a importância dessa ocorrência, e isso te coloca em uma posição de “baixa guarda”. Desse mesmo lugar (grupo de pessoas) que você preferiu ridicularizar e simplificar, coisas muito piores podem vir, enquanto você diminui a importância disto.

Mas, afinal, o Conservadorismo é algo ruim?

Resposta direta: Não.

Mas o ultra-conservadorismo é.

O Conservador não é um monstro. Esqueça a bobagem que seu amigo fanboy de Esquerda diz.

Conservador é o cara que, tendo filhos e mulher em casa, espera que seu emprego se conserve.
É o sujeito que, diante dos planos de vida, espera que o dinheiro que suou para ganhar por décadas continue a valer o mesmo daqui outras tantas décadas.

Pasme – claro, se você se definir como “Esquerda” (seja lá o que isso significa pra você) – mas, quando o Sindicato dos Trabalhadores “quebra tudo” para evitar que haja qualquer flexibilização (boa ou má) de alguma lei trabalhista (suponhamos:  de desligamento simplificado de funcionários), ele está sendo muito conservador, às vezes, ao custo da geração de mais empregos no país, o que deveria interessar aos desempregados que o Sindicato diz se preocupar e representar.

Não há nada de errado em ser conservador, contanto que a racionalidade não se esvaia, e você não fique tão apegado à sua ideia de “real” que perverta o prisma de como vê as coisas ruins que precisam mudar, pelo bem de toda a sociedade.

O risco de Trump nem é tanto pelo Conservadorismo, porque, sinceramente, se você perguntar à instituições genuinamente conservadoras, propagadoras do pensamento Conservador; Trump quase não tem identidade político-filosófica com os pilares do Conservadorismo tradicional.

Trump é muito mais um risco porque cria a ideia de que a culpa dos problemas de uma grande parte da nação estado-unidense está no outro.
Sendo “o outro”, geralmente, o estrangeiro, a mulher, o negro, o gay, o país estrangeiro que produz o bem de consumo que se vende por lá, e enfim… “O inferno são os outros” é o lema central pelo qual Trump enxerga (ou diz enxergar) o mundo.
E isso pode justificar barbaridades em todos os níveis, para um Comandante-em-chefe que se sentirá invencível e, como eu disse: Talvez, nos cause saudades da época em que os EUA “só queriam matar uns barbudos no Oriente” e “lançar uns mísseis” aqui e acolá.

Pelo bem do Brasil (e do mundo), desejo que ocorra o menos pior na eleição dos EUA e nos fatos que dela se desdobrarão. Se Trump vencer, a torcida até seu primeiro dia de trabalho é para que ele seja apenas “um fanfarrão” que não mediu esforços para vencer, mas, não vai realizar as maluquices que propôs.
Se estivermos errados e Trump for 30% do que diz ser, o mundo vai amargar muito porque, goste você ou não, muita coisa, incluindo o preço do trigo que faz o pão que você acaba de comer (na hora em que esse artigo for publicado), depende das políticas e acordos que passarão pelas mãos desse homem e daquela nação.

Torcer pelo “melhor” já é, tecnicamente, impossível. Resta torcer para que seja o menos pior para todo o mundo. Afinal, moramos todos dentro de um mesmo planeta, e dele não vamos prescindir tão cedo. E os EUA têm um forte efeito na balança do destino deste lugar.

Tweet "da Alemanha" aos EUA, avisando dos perigos de Trump.
O Tweet que fervilhou no último dia da corrida presidencial dos EUA parece não ter surtido efeito algum. O texto faz referência aos gritos com que Trump faz seus discursos, e suas declarações de ódio a vários grupos vulneráveis. E termina dizendo que a Alemanha já esteve nessa posição e fez essa escolha, em clara alusão à ascensão de Hitler.