2017 acabou… 2018 será um Novo Ano… (Spoiler Alert: Mentira.)

É 31 de dezembro, e uma obsessão toma os corações e mentes dos meus parentes, amigos, e até do desconhecido com quem trombei no mercado, hoje…

… Ele escolhia um vinho e, ao me pedir licença, decidiu fazer votos de Feliz Ano-Novo ao gordinho desconhecido que havia incomodado (com razão, pois, eu o atrapalhava enquanto me decidia). No votos, fez questão de dizer que estava cheio de esperança e fé de que nós todos teríamos um ano brilhante em 2018.
Era o que ele sentia “no ar”. Eu sentia cheiro de Pinho-Sol, porque alguém fez o favor de derrubar uma garrafa no chão.
A encarregada da limpeza, assim como eu, sabia – pelo menos, naquele momento, em que trabalhava em pleno dia 31 de dezembro – que não tinha nada de diferente “no ar”. É um banho de realidade frustrante. E de Pinho-Sol, também. Para ela, 31 vai ser igual à 1 de janeiro – porque ela folgou no Natal inteiro, e vai trabalhar os 2 dias, o que me revelou conforme conversei com ela sobre a infelicidade de lidar com o vinho derramado…

Réveillon:
Do francês, “RÉVEILLER”, ou seja, “acordar”, herança da palavra em Latim, “VELARE”, ou “fazer vigília”.

Sim. É só isso. Nada além.
Não significa, por exemplo, “momento em que os ciclos universais se alinham e tudo na galaxia é reiniciado, para que você tenha mais uma folha em branco, nas mãos, ó ser mais importante do Cosmos: Você.”…

Quanto às reais diferenças entre “2017” e “2018”, fica ainda pior porque, essa medição do tempo (a.k.a.: ” Éon, Eras, Períodos, Épocas, Milênios, Séculos, Décadas, Anos, Meses, Semanas, Dias, Horas, Minutos, Segundos… Décimos (de seg.), Centésimos, Milésimos (e segue))… Essa medição de tempo é artificial.
Como quase toda observação científica que o homem realiza, “medir o tempo” é o jeito que a Ciência achou para “colocar em caixinhas” (= explicar por um modelo reproduzível) a degradação natural do Universo (e tudo [incluindo você] dentro dele) com o passar do Tempo (“Tempo”… Outro conceito humano)…

O problema é que o Universo está TÃO CAGANDO pra nossa medição, que ele SEQUER se dá ao trabalho de fazer a translação da Terra ser “perfeita”…
Bem, vamos lá… A Terra nunca “despencou” no vazio (“cima” e “baixo” no Espaço Sideral são conceitos inúteis… “Despencar”, portanto, é outro desses inúteis conceitos…)… Se ela nunca despencou, falar que a translação “não é perfeita”, é um pouco arrogante da minha parte…
Mas, em minha defesa, a “palhaçada” é  que a Terra leva 365 dias de 24 horas, MAIS 6 horas (Na verdade, o número preciso é 365,256 dias, o que dá uma sobra de pouco mais de 6 horas [6.144 horas]… MAS, QUEM ESTÁ CONTANDO,  NÃO É MESMO??? [Enquanto visto minha roupa branca nova, para a mais importante meia-noite do ano]), para fechar uma volta elliptical em torno do nosso Sol, uma estrela de classe espectral G (tipo G2V), informalmente chamada de “Anã Amarela” (e, antigamente, chamávamos de “Estrela de 5ª grandeza”…); de novo: Definições humanas, para coisas que estavam bem, muito bem mesmo, antes de nós classificarmos todas elas.

Defendo-me, de novo, (os tempos de hostilidade virtual tornam o indivíduo covarde, ao ponto de se defender previamente de quase tudo que ele possa imaginar que vão acusá-lo, mais tarde) dizendo que não sou contra o árduo e valoroso trabalho científico, feito por gerações, para estabelecer padrões, sistemas, regras de classificação e tudo aquilo que nos ajuda a entender o Universo em que vivemos…

A crítica aqui é bem mais simples e bem menos pretensiosa do que desmoralizar todo o sistema de classificação do Tempo, das Estrelas, das dimensões espaciais (e da po@#$@# toda)… A real crítica é:

Não há NADA de mágico, místico, cósmico, e/ou significativo, universalmente perfeito e engendrado…

…para suportar a ideia de que “um novo Ano se inicia, a partir da meia-noite”. E, no lugar da palavra “Ano”, coloque a semântica de “ciclo”, “fase da raça humana”, “nova etapa da sua vida” e etc….

Se você acha que “tudo vai ser diferente”, somente porque “2017 acabou”, ou porque você supõe (incorretamente) que a Terra perfez uma volta completa em torno do Sol, saiba que você se engana em dose dupla.

A Terra não terminou de dar uma volta ao redor do Sol.

Sua vida não vai mudar “um milésimo de segundo” na Bússola imaginaria que a norteia, só porque agora, o calendário de 2017 tem sua última folhinha arrancada, e começa 2018…

Existe um sem número de boas razões para se medir o Tempo, como a importância disso para a Agricultura, nosso modelo de Medicina (da gestão de uma gravidez, até o tratamento contra as Neoplasias e etc….). Tudo isso é balizado com o Tempo em mente.

Mas, por outro lado, existe essa insana tara de que “o ano que vem” vai mudar sua vida, só porque antes era um número impar, e agora vai ser um número par.

“Em 2018, vou emagrecer”… “No Ano Novo, eu assumo o controle da minha carreira”… “Ano que vem, o Brasil vai sair da lama”…
Desculpe-me pela sinceridade e indelicadeza: Quanta bobagem.

O tedioso momento “Paulo Coelho”, e a arte de escrever auto-ajuda em 15 minutos…

…me forçam a dizer algo que é bem óbvio mas que costuma ser a última coisa a ser lembrada: Sua vida – ou algum aspecto dela – não vai mudar de estado “A” para “B”, só porque você se vestiu de branco, comeu lentilha, tomou Champagne (eu não tenho dinheiro para Champagne de verdade… Vou tomar espumante mesmo), pulou ondinha, queimou fogos, abraçou as pessoas que não viu o ano todo… E zaz…

A Mastercard adora isso.
A Vivo também.
Na verdade, a Publicidade sabe como brincar com almas e mentes, em um período tão emocional como as festas de fim de ano, e é por isso que as peças publicitárias de fim de ano são cheias de chavões como “Começar o ano com quem você ama: Não tem preço”, ou “Em 2018, viva mais o sim, e menos o não”, ou ainda “Abrace as novas idéias, e abandone os preconceitos em 2018″…
BULL…SHIT…

Se você ama alguém, melhor amar sempre que possível (mas, não o tempo todo, porque isso não é normal, nem sadio e, de novo, isso não é um comercial de TV), porque é muita presunção sua, achar que ela(e) (ou você!) vai estar viva(o) até a próxima queima de fogos… Se você esperou até o Ano Novo pra notar como essa pessoa muda sua vida (ao ponto de fazer o Novo Ano ser diferente do anterior, só por estar presente), você é muito TAPADO(A).

Se você quer combater preconceitos que você tem e exercita contra os outros – em tempo, ponto pra você por querer mudar isso – pelo amor de qualquer coisa que você acredite: Comece ontem… Comece mês passado. Não espere o Ano Novo, não… É um desserviço o que você está fazendo com os outros e com você…

Se você quer emagrecer… Esperar o Ano Novo é uma dupla roubada:

a) As academias estarão fechadas no dia 1 de janeiro (a menos que sejam de donos retardados e sem humanidade pelos funcionários e suas famílias).

b) Você esperou a época do ano em que mais se come, e em que mais se come pratos de alta caloria para, em seguida, entrar em um regime forte… Significa que seu corpo foi mimado com 4 mil Kilo-calorias numa Semana-Ceia constantes, e agora você espera que ele trabalhe com 1.800 KCal, daqui pra frente… Genial da sua parte…

Todos os exemplos acima, se resumem em uma explicação AGRESSIVAMENTE caricata de livros de auto-ajuda – que eu detesto, por motivos que não tenho como defender aqui, sem misturar demais – :
A única forma de mudar sua vida, os rumos, os aspectos, os resultados e os caminhos dela; é se você quiser mudar suas atitudes, suas opiniões, suas ações e, no fim, você mesmo.

Eu disse que fedia à auto-ajuda… Fazer o que, se é a mensagem correta… Mas isso não promove a auto-ajuda à emissária da verdade… Até um relógio mecânico, quando quebrado, está certo 2 vezes por dia…

E esse é todo o ponto que me motivou a escrever hoje…

Vejo todos esperançosos com 2018… Fazendo o mesmo que fizeram em 2017, que já faziam em 2016, e que já tinham feito em 2015…

A ilusão não é má (por exemplo, o menino que crê no Coelho da Páscoa, ou a menina que acredita na Princesa), exceto quando essa ilusão desvia o foco do iludido para longe do que realmente causa o que o incomodou, em primeiro lugar…

2017 não me engordou uma grama…

…foi bem mais (tipo… 100%) o hábito de comer hambúrgueres deliciosos (mas gordurosos) + ficar no sofá vendo TV, ao invés de ir pra Academia, o que realmente me arrebentou na luta com a balança (“luta” que eu não travei… Não era minha meta emagrecer neste ano; muito embora, estar em dia com o peso seja sempre bem-vindo, não me propus à isso, em primeiro lugar).

Eu prometi ler um livro por mês; sai até do convívio diário com as redes sociais sob a idéia de estudar mais, de ler mais os grandes autores… E terminei lendo apenas 4 dos 12 livros que deveria ter lido… 4 é melhor que zero, claro… Mas, 4 está bem longe dos 12 que eu me propus…

“Em 2018, vou ler os 12!”… Bem, EU (e não 2018) poderia ter quebrado um galho para essa meta e, ao invés de passar 1 hora escrevendo esse texto, ter iniciado “o primeiro livro de 2018”, já em 2017… Preferi procrastinar por aqui…

E é por este tipo de coisa que o Brasil (e a sua e a minha vida) vai seguir sendo uma porcaria em 2018…

…porque, mesmo com 47 mil mortos nas vias públicas brasileiras em 2017 (fonte) – mais que as guerras da Síria e do Iraque mataram no ano que se encerra – a cada 10 veículos vistoriados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), 6 foram multados por infrações graves como cintos de segurança quebrados, pneus carecas, ou embriaguez ao volante (mais combos de criança sem cadeira de segurança no banco de trás, e sem cinto), conforme matéria que foi ao ar na Globo News, ontem.

Assim sendo, o simples desejo de que “o Mundo seja melhor”, contanto que você não precise fazer um único esforço nesse mesmo sentido, é o que mantém as engrenagens da realidade em que vivemos, idênticas, ao longo dos anos. As datas em si, são meras espectadoras da nossa estupidez.

Os políticos do país em 2017, seguem sendo os mesmos em 2018.
As pessoas jogando lixo na rua, pichando muros, ouvindo “música” (à empresa Vivo e sua peça publicitária: Não, não é Cultura. É Lixo, mesmo. Fede. Muito.) alta e incomodando toda a vizinhança, seguem agindo assim.
Você segue sem ir pra academia, e eu sigo sem ler os livros que prometi e queimando tempo nesses posts que – quase – ninguém lê.

Os lunáticos no poder, mundo afora, seguem lunáticos, e com poder (Trump, Kim Jong-Un, Maduro, ISIS, Bashar al-Assad… a lista é enorme), também em 2018…

Tudo está garantido para que 2018 seja idêntico ao ano que termina, hoje – ou pior, a considerar o ano de eleições para a presidência da Republica do Brasil, e as opções que vão se destacando…

Alguns vão ler esse post como um post negativo… Pessimista.
Eu, autor dele, por outro lado, enxergo como uma visita ao espelho: Nada muda em 2018. Nada. A não ser que eu mude primeiro.

Esperar por 2018 ou 20xx (onde “xx” é o seu número predileto) é tão lógico e/ou eficiente quanto descobrir um câncer mas, esperar que ele melhore em 3 ou 4 anos, e suspender as visitas ao médico, até lá.
Boa sorte com essa estratégia!

Ao pensar no porquê lutamos tanto contra mudanças; no estilo de vida, na alimentação, nos horários e atividades,  nas regras trabalhistas (não ouso significar, neste momento, que são boas ou más), nas regras da previdência (idem à anterior), na nossa relação com a Lei e com a Ordem, na nossa conduta um com o outro…
Ocorre-me o que aprendi em uma das leituras sobre psicologia: Mudança SEMPRE causa dor.
E a única forma de empurrar um ser humano saudável no caminho da dor, é se continuar no caminho atual causar mais dor do que trilhar o novo caminho (que seria a mudança, neste caso).

E é por este e outros motivos, que até para cima de uma mudança artificial, e sem respaldo algum da natureza (lembre-se que a Terra não fechará mais 1 ano sideral, hoje, à meia-noite), tentamos – sem sucesso – empurrar a nossa responsabilidade de assumir o que deu errado, e tomar as medidas que precisam ser tomadas para não persistir no erro.
Pensando bem, coitado do Ano Novo: Já nasce com o peso das expectativas de todo o mundo (literalmente) nas suas costas… Expectativas que deveriam recair sobre cada um, e não nele.

Para encerrar, atribui-se erroneamente à Einstein, a frase:

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

Mas nem pela incorreta atribuição, a frase deixa de ser verdade. E é essa reflexão que desejo a você, não em 2018 mas, imediatamente.

Porque, disse Paulo Coelho (agora sim, corretamente atribuído): “Há verdades mais verdadeiras que a própria verdade”. E essa é uma delas:

Se você acha que 2018 vai ser diferente, mas pretende fazer tudo como sempre fez até aqui, você é insano(a).

Feliz 2018!

PS: Não se engane: Tendo sentido ou não, eu vou aproveitar a grande festa de Ano Novo com amigos e pessoas queridas, sem dúvidas! Espero que você faça o mesmo. 

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