O que aprendemos em 2016?

Nada. Pode ir curtir seu réveillon.

 

 

 

 

 

 

 

Ainda por aqui? Não tem nada melhor pra fazer, não? Vá preparar o salpicão, fazer o manjar que prometeu pra sua mãe,  botar a cidra pra gelar, etc…

Vai insistir? Você é um bom (ou boa) amigo(a) por continuar aqui. Só posso retribuir, tendo uma conversa franca contigo.

Via de regra,  antes de sair escrevendo por aqui, eu leio um pouco,  acho algumas fontes e, quando possível,  tento achar mais de um ponto de vista,  numa tentativa de calibrar as minhas opiniões.

Hoje, contudo,  não vai ter nada disso. Hoje, a conversa é franca e, também,  é de pura opinião.  Não estou esmiuçando números e pesquisas,  nem lendo opiniões de pessoas mais competentes e experientes que eu.

E, assim sendo,  este é um texto “100% opinião”.

Aviso dado,  sigamos.

Para mim, 2017 vai ser uma cópia de 2016, como 2016 foi de 2015:

  • A economia vai continuar naufragada, porque o caixa continua a sangrar com super-salários, acordos espúrios entre Estados e União, corrupção,  e ilegalidades no pagamento de benefícios;
  • A política vai continuar no olho do furacão, e as delações que vem por aí devem ser devastadoras,  especialmente pela dimensão que devem atingir;
  • A  nossa sociedade vai seguir desorganizada e conflagrada consigo mesma, gritando contra os ventos do Norte e do Sul, sem nenhuma idéia clara de onde quer chegar, apenas descontente com o que tem, hoje;
  • Não teremos grandeza de espírito para tomar as decisões necessárias – especialmente,  quando quase nunca o “necessário” é “agradável”;
  • E o mais importante disso tudo: Contamos com a raposa para a reforma do galinheiro.

Tratando por tópicos, vemos que a máxima da Economia segue sendo a maior verdade:

A economia está à deriva. E poderá ir à pique.

A primeira lição da Economia é a escassez: Nunca há tanto de qualquer coisa que pensemos,  a ponto de atender toda a demanda dos que a desejam.

A primeira lição da Política é ignorar a primeira lição de Economia.

E, ato contínuo,  lembro de Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara, dizendo aos colegas legisladores que, embora o Ministério da Fazenda diga A ou B, todos devem votar livremente.

É o equivalente a você, formado em Contabilidade, pedir conselhos para um Cardiologista que lhe confirma os efeitos nocivos da alimentação muito gordurosa e do fumo, e você dizer, em seguida,  “o que sabem os médicos?”.  É, mais ou menos,  a crença atual da Câmara.

Não entenda mal: Você é totalmente livre para procurar outras opiniões, mas, se você, por si só, não entende do assunto, não há o menor sentido em fazer do seu jeito. A menos que você queira que dê errado. Aí, tudo bem.

Também,  não vamos tão longe: É o mesmíssimo Congresso,  com as mesmíssimas Excelências que, no último agosto, gritavam “pela minha mãe,  pelo meu pai, pela Xuxa e pelo Jaspion”.

Como esperar muito mais desse conjunto de massas cizentas tão… Peculiares?

O cofre seguirá sangrando.  E sangra porque a conta nunca fecha. Não importa se você é da Esquerda ou da Direita.  “5 – 6” sempre sera “1 negativo”. Mas nossos políticos discordam. Obviamente,  não fatoramos o custo político na última equação.

House of cards é mato. Prefiro Brasilia.

Logo, vem a Lava-Jato. E a Odebrecht. E 77 delatores do alto escalão,  que conheciam todas as figuras de poder em Brasilia. E eles tem MUITA história para contar.

Dilma não caiu porque ficou comprovado que roubou ou permitiu que roubassem. Crime exige materialidade. E nem se deram ao trabalho.

Dilma perdeu a presidência num processo – que sempre foi e sempre será – político,  chamado impeachment.

E esse processo se instalou porque, basicamente,  ela perdeu a maioria no Congresso Nacional,  e depois, perdeu a base aliada,  que se fragmentou. Nem a vendinha de ministérios que – vergonhosamente – tentou,  rendeu o apoio necessário.

E Temer? Temer tem muito o que temer (trocadalho do carilho) em 2017, porque os últimos pleitos legislativos de 2016, foram bem menos sólidos em demonstrar a coesão e apoio ao seu governo,  do que foram, logo após sua posse.

Pode, sim,  ser mera coincidência,  mas, em Brasília,  pouca coisa é “sem querer”.

Temer e seus intermediadores têm o seguinte inferno pela frente: Apoiar integralmente a Lava-Jato, ganhando o apoio do eleitor, ou estancar o estrago da operação com medidas “tapetão”, e manter uma base aliada que aprova tudo o que o Executivo planeja. As duas afirmações são,  apenas, remotamente compatíveis. As reais chances são de que ou uma,  ou outra.

E se Dilma, com grande apoio de parte da população, caiu,  o que dizer da etiqueta de validade do “vice Decorativo” que ninguém – ou quase ninguém – morre de amores?

A vida política de 2017 promete ser muito,  muito,  turbulenta.

Protesto, logo existo…

O otimista diz “esse é o melhor dos mundos”,  e o pessimista diz “temo que você esteja certo”.

Eu não lembro da autoria dessa frase (e não tenho como pesquisar porque estou em uma chácara, com sinal oscilante, redigindo isso de um celular), mas ela expressa bem a minha expectativa com relação ao povo brasileiro que vai às ruas, seja para apoiar ou derrubar medidas, leis, políticos e etc.

Ok! Eu consigo reconhecer que, bem ou mal, avanços foram alcançados. O povo está brigando mais pelo que acredita – e não há cabimento de que eu tente julgar a legitimidade de cada causa, suas bandeiras, e etc., aqui,  em um post feito pelo celular. Não estou,  de certo,  aqui para isso.

O ponto que quero, na verdade,  abordar é que de nada adianta sermos um país de adolescentes irritados e briguentos. Não há nenhum avanço por uma avenida ser depredada. Também,  não há avanço quando um pato ou o Pixuleco são inflados, e as pessoas vestem a camisa da seleção brasileira de futebol.

O meu pesar,  aqui,  nada tem de contrário ao protesto,  per si.

Meu avesso à tudo isso começa quando, tudo isso é só isso.

As pessoas do meu país,  via de regra, não sabem exatamente pelo que estão brigando,  ou contra o que estão brigando. Só sabem que “aquilo não presta”.

Vai lá,  pausa a leitura aqui,  e pega qualquer reportagem de um protesto, contra ou a favor de qualquer coisa, onde os manifestantes sejam entrevistados. É um show de horror. Geralmente,  o rapaz com a placa “Não à PEC xyz” não consegue, de modo algum,  explicar claramente o que a PEC propõe,  e como ela prejudica a Nação.

Perguntar sobre como deveria ser a solução do problema é um despautério da sua parte, então, nem ouse.

E esse é o mega-problema do grau de consciência dos manifestantes. Odeiam mútua e gratuitamente, ao outro lado, sem, contanto, ter nenhum conhecimento para explicar o que o lado que atacam quer. Vamos reescrever isso daqui: Não sabem, muitas vezes nem o que eles mesmo querem, seja inflando balões, ou quebrando lixeiras e prédios.

Estão ali, como para qualquer outro evento festivo. Não requere-se nenhuma prévia consciência para ali estar.

Agora,  se você é parte de um desses lados, e se ofendeu porque,  diferentemente dos outros 100 entrevistados, saberia explicar o que combate,  eu te peço desculpas e te faço a próxima pergunta,  à qual quase ninguém presta muita atenção: Como é que se arruma o que está quebrado? 

Desculpe-me, mesmo, por jogar areia na sua fogueira,  mas, diferentemente de muita coisa na vida, quando o assunto é um problema nacional,  não dá pra simplesmente dizer “Minha parte eu fiz: Apontei o problema.  Agora,  alguém que conserte.”.

Não, meu amigo e minha amiga: Endireitar um país com tanto histórico de desvio de causa e propósito, requererá um pouco mais de dedicação nossa.

Entendo se você se revoltar com todas suas obrigações diárias,  mais o peso de resolver o que as raposas não vão (logo falo delas), mas é assim que funciona uma sociedade: Se a culpa não é sua, infelizmente,  o problema é. 

Não adianta gritar “ninguém vai roubar nossa previdência”,  ou, “Chega de impostos”, se você não consegue propor como fechar a conta do INSS, ou como pagar pela máquina pública com o tamanho e o portfólio que tem, sem mais dinheiro.

E, devo acrescentar: É frustrante. 

Você deve oferecer umas 2 ou 3 boas idéias, e chances são de que ninguém goste delas, porque a realidade é que ao interferir na vida pública do país,  você está mexendo na vida e no interesse de cada um. E como somos uma sociedade muito amadora, no que diz respeito à solidificação,  o que ocorre é que, quase sempre,  o meu interesse vem na frente do conceito de “bem maior”.

Resumindo,  meu caro amigo(a) que quebra vidraça ou enche balões, se você quer ser encarado com maior seriedade,  sugiro que:

  1. Saiba exatamente contra o que você se opõe,  e porquê aquilo é ruim para a Nação (não vale ser ruim só pra você.  Nesse caso você é um sindicalista antes de ser um cidadão.  Péssimo para o país);
  2. Identificado o que você é contra,  é hora de estudar como outros povos enfrentaram o problema (talvez,  você descubra que foi do jeito que você é contra, e que não há remédio menos amargo), e então,  depois de estudar,  proponha sua solução. Propor soluções esdrúxulas, sem nenhum lastro na realidade,  torna você tão útil aos problemas nacionais,  quanto os titulares do Congresso nacional,  assinando papéis que arrasam o país, com planos insanos e sem fundamentação.
  3. Por fim: Você terá que trabalhar na venda da sua idéia para o maior número de pessoas no seu movimento anti-qualquer coisa. E terá que lidar com gente dizendo que seu plano é pior do que o problema original. Faz parte da democracia.
  4. Aprendendo o que precisa sobre problema e solução que você enfrenta e propõe,  você pode, então,  e só então, fazer o barulho que desejar, até ser ouvido.

Pular essas etapas e fazer exatamente como foi feito até aqui, faz de você um cidadão “adolescente, irritado e irritante”.  Você quer ser ouvido mas,  se e quando te derem o “microfone” para falar, você estará totalmente despreparado. E será mais um motivo para desacreditarmos do futuro desse lugar.

A sociedade brasileira vai ter que, em algum momento,  lidar com sua infantilidade.

Vai ter horas em que as soluções para nossos problemas,  envolverão dores e implosões. Vamos precisar de muitos remédios amargos e de muitos explosivos para consertar o que foi, sistematicamente quebrado, ou construído para dar errado.

E quando eu vejo um sindicalista gritando que não aceita isso ou aquilo,  quando,  do outro lado, a única opção é a demissão dos funcionários,  diante da recusa em ceder, eu fico pensando quem são os conservadores de verdade? Quem está,  de fato,  lutando pelo status quo?

Por outro lado, é óbvio que não apóio novos impostos, para, ato consecutivo,  um dos poderes aumentar teto de gastos de gabinetes, e salários maiores. Não é preciso ser uma ovelha.  Mas rosnar pra tudo que envolve seus direitos não te faz um visionário.

É preciso refletir e pensar como todos devem agir,  para corrigirmos problemas tão estruturais e tão crônicos. Repito: Não há remédio doce para o que estamos vivendo. E isso me leva à última parte do problema:

As raposas e a reforma do galinheiro…

Estamos deixando para as raposas, o trabalho de selar o galinheiro. Queremos um caixa-forte contra ladrões e safados, e, atualmente, depositamos neles, a fé para a solução desses problemas.

Se você está, nesse momento, gritando coisas como “Bolsonaro 2018”, precisa ler de novo a parte em que sugiro estudar antes de falar. Ele está na função de legislador há mais de 20 anos, ou duas décadas,  e sugiro que você  veja o que ele fez de projeto de lei para corrigir os problemas estruturais da política nacional…

Bem, se eu vejo um problema, eu tenho que apontar uma solução, certo? Foi o que cobrei de quem se manifesta.

Certo, então, aqui vai minha sugestão:

Uma nova constituinte, com indivíduos de todas as áreas sociais do país, engenheiros, sociólogos, cientistas políticos, advogados e etc.

Pessoas notáveis em suas áreas (eu sei: essa palavra foi arruinada, da última vez que foi usada),  e essas pessoas fazem um pacto onde estão todas inelegíveis à qualquer cargo público,  pelo resto da vida, assim como todos os seus parentes de primeiro grau.

É pesado, e eu sei: Estão renunciando à parte da lei atual que diz “votar e ser votado”, e pela vida toda, e de seus filhos, e companheiros e etc.

Mas,  pelo menos, eles estão fazendo um gesto enorme de altruísmo e compromisso com as futuras gerações de brasileiros. Já tenho mais fé no output, só pela renúncia ao poder, que tanto seduz e corrompe.

Compromissados, unicamente, com um projeto de Estado e Nação, e não com um projeto partidário, vão reescrever a constituição e reformar todo o sistema político brasileiro. 

Não é o mesmo que colocar um punhado de 3 ou 4 leis, com 5 artigos cada, e achar que um sistema construído para dar errado,  vai funcionar.

O ser humano sempre irá falhar. É nossa essência.

Sistemas ativos de monitoria da vida do indivíduo que se candidata ao cargo público,  são a saída factível para mim.

Só por exemplo,  eu proporia que todo candidato eleito tem, durante seu mandato,  o sigilo financeiro sempre aberto, e é fiscalizado por uma divisão do Ministério Público,  independente e soberana. Seus parentes de primeiro grau recebem o mesmo tratamento.

Antes de mais nada,  é preciso lembrar que não é um favor ser político. Deveria ser uma honra. E sendo questão eletiva, candidata-se (e se submete) quem quer. Ninguém é obrigado a expor seu sigilo. Basta não querer mexer com a coisa (e o dinheiro) pública.

Delírio,  utopia,  ineditismo…  Tem um pouco de tudo isso. Mas, o que faz da idéia, “maluca”,  também é o que pode garantir seu sucesso.

Mas, claro: Enquanto eu mandar propostas anti-raposa, para que as raposas votem, coisas como a mutilação que assistimos às medidas anti-corrupção, serão a regra do jogo. Quem no poder está,  não quer que nada mude.

E é por isso que o jogo, por mais que cheio de reviravoltas, está fadado ao mesmo desfecho: Veremos Sarneys filhos, ACMs netos,  e toda a realeza se re-elegendo,  até a nossa morte, importando muito pouco,  o que aconteça, exemplarmente,  com um ou outro cacique.

A morte política de um presidente da Câmara, só ocorre para que nós acreditemos que a máquina funciona como está,  e que todos os infratores serão pegos. Mas, fica óbvio que isso está longe de ser a verdade.

Só mais um detalhe: Sou totalmente contrário à plebiscitos e referendos para essa reforma, em especial.

Num país onde a maioria não lê um livro por ano, e as opiniões são as mais pobres e mal formuladas que se pode imaginar, colocar este povo “comum” para reestruturar o país é, ao meu ver, o maior golpe de mestre de todos: Cria-se a ilusão de que o processo renovador não poderia ser mais legitimo,  já que todos participaram, e na verdade,  por ignorância,  desinformação,  preconceito e burrice,  o sistema é recriado com o mesmo número ou ainda mais falhas do que o atual.

Eu não ensino o engenheiro em Aeronáutica,  como calcular o coeficiente aerodinâmico de um perfil. Não quero um analfabeto me ensinando a ler, nem pessoas despreparadas ditando como montar o esqueleto do país.

Preconceito,  elitização, segregação… Chame como quiser. Como eu disse, é preciso lidar com a divergência,  em democracias.

Eu não vim aqui vender minha solução, mas, apenas, mostrar um mini pedaço do quebra-cabeça que pensei para responder à miríade de problemas que meu país tem, só na vida política.

E pra mostrar que, se eu criticar algo, é melhor que eu tenha alguma idéia de como resolvê-lo,  mesmo que não seja a melhor idéia do mundo. Até porque, para cada um, normalmente , a melhor idéia é sempre a própria.

E 2017 chega em algumas horas…

E assim, chego ao último dia do ano. Sei que esse texto causa mais desesperança do que alento,  mas pra mim, o ano novo é nada mais do que a confirmação de que tenho menos tempo por aqui. As alegrias de ser cético e realista…

Nada, realmente,  muda porque o ano no calendário, agora termina com um algarismo diferente do dia anterior.

É uma ilusão tremenda,  achar que 2017 terá qualquer poder renovador,  se jogarmos o jogo com o mesmo baralho de cartas marcadas e as mesmas regras. Este jogo está fadado a ter sempre o mesmo resultado.

E daí,  a minha falta de fé de que 2017 vai ser o “ano da renovação”. Nem me atrevo ao uso de chavões tão populistas e tão rasos.

Mas, ao mesmo tempo, resta torcer para que nós (Não o governo,  não o Estado, não nada que nos livre da responsabilidade) mudemos a forma com que interagimos com a vida pública do país.

Sinto que a hora já passou e já retornou um milhão de vezes,  quanto ao momento em que o brasileiro para de ter dó tremendo de si, para de perguntar o que Estado,  as autoridades, o governo e etc. podem fazer por ele, e começa a dizer o que ele pode fazer pelo lugar, e pela sociedade em que ele vive.

Só quando essa fase acabar, e sairmos da infância social,  para uma sociedade que se responsabiliza e se cobra mais, é que, realmente,  poderemos encher o peito de esperança de que há, à frente,  de verdade,  um novo ano.

Antes disso,  sinceramente: Como brasileiro e cidadão, só estou mais velho,  mais feio e mais morto. Que vantagem isso tem?

Feliz ano novo (só pela tradição: Não tem nada de “novo” para este espaço, realmente).

Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

– Einstein

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