#ForçaChape …

#ForçaChape
#ForçaChape

O dia que não começou…

 

Alan Luciano Ruschel: Resgatado com vida, mas com lesão na coluna cervical de gravidade e extensão ainda desconhecidas.

Ananias Eloi Castro Monteiro:  27 anos

Arthur Brasialiano Maia: 24 anos

Bruno Rangel Domingues: 34 anos

Aílton Cesar Junior Alves da Silva, o Canela: 22 anos

Cleber Santana Loureiro: 36 anos

Marcos Danilo Padilha: 31 anos

Dener Assunção Braz: 25 anos

Filipe José Machado: 32 anos

Jakson Ragnar Follmann: Vivo, mas, com amputação nos membros inferiores.

José Paiva, o Gil: 29 anos

Guilherme Gimenez de Souza, o Gimenez: 21 anos

Everton Kempes dos Santos Gonçalves: 31 anos

Lucas Gomes da Silva: 26 anos

Matheus Bitencourt da Silva, o Matheus Biteco: 21 anos

Hélio Hermito Zampier Neto, o Neto: Vivo, em estado grave, com traumatismo craniano e outras lesões.

Sérgio Manoel Barbosa Santos: 27 anos

William Thiego de Jesus, o Thiego: 30 anos

 

Por que não cito os jornalistas, a tripulação, a comissão técnica? Não acho que mereciam ser lembrados?

Jamais eu seria tão mesquinho. Jamais eu seria tão infeliz. Mas é que eu realmente queria falar sobre os sonhos interrompidos.

E porquê não consigo me livrar, desde as 4h da manhã, quando acordei com o notíciario dando os primeiros dados dessa tragédia, desse luto que não sei explicar de todo.


A midia só trazia dados. “Informação”, não, porque até agora, não se tem informação sólida sobre nada. A mídia só quer saber de noticiar primeiro, tudo pelo clique, tudo pela audiência, sem muito compromisso com o que decorre das informações que veiculam e do que causam nas famílias diretamente afetadas que vagueiam entre o terror e a esperança.

Só para exemplificar o que acuso: A mãe do goleiro Danilo já soube que o filho morreu e estava vivo, algumas vezes, se assistiu à mesma cobertura que eu assisti. Não quero mais falar disso. Não hoje.

Olho para os nomes e para as idades…

E penso: “Não deu tempo”. Eles não tiveram o tempo deles. O tempo deles “foi desrespeitado”.

Para um cara “99% ateu” como eu, e que não acredita em destino, é contraditório dizer isso. Eu sei, racionalmente, que não há à quem ou ao que se culpar.

Mas é exatamente aí; é nisso que o meu dia amarga, como se eu tivesse realmente conhecido os que embarcaram naquele último voo… Como se fosse um amigo, um parente, alguém do meu mundo que, ali, partiu em definitivo.

Você não precisa amar futebol para se comover com o que está se passando, hoje. Basta ter empatia. E vou além:

Se um dia, na sua vida, você já se sentiu “a zebra” do jogo… Se um dia, na sua vida, você teve a consciência de que era o mais fraco numa competição (pelo emprego, pelo objetivo, pelo sonho, por qualquer coisa que valha a pena lutar), o menos preparado, o não-favorito… E se, depois de tudo isso, de todo esse mal estar, você “virou o jogo”, e “deu as cartas”, surpreendentemente, então, meu/minha amigo(a)… Então, você sabe exatamente atrás do que esses rapazes (com o mais velho, tendo só 36 anos) estavam indo e de como eles se sentiam a esse respeito. E aí, dói mais.

Não era o dinheiro, em primeiro lugar, mas era uma comprovação de que até “os menores” (não que se sentissem assim, mas, sempre foram classificados assim) têm chance de tomar as rédeas do próprio sucesso e da própria realização, nesse mundo.

Mas o vôo que deveria marcar o começo da glória, encerrou, pelo menos, 71 histórias. A maioria delas, sequer “bem escritas”… Carentes de serem revisitadas, aumentadas e encorpadas. Merecedoras de muitos outros capítulos.

Quem, em nome de qualquer santidade, pode ter “cumprido seu destino” com 26 anos, nas médias das idades? Alguns, tinham se tornado pais, nos últimos meses. Outros, com 21 anos, começavam agora, o que chamamos de maioridade…

Disto, decorreu algo muito, muito, incomum para todos nós: Uma corrente de “humanidade” tomou corpo, primeiro com o adversário, Atlético Nacional, de Medellín, pedindo à Conmebol que declarasse o time arrasado pela tragédia, o campeão da Copa Sul Americana 2016.
Depois disso, a maior parte dos times da Série A do Campeonato Brasileiro, pediram que a CBF garanta imunidade ao rebaixamento, pelos próximos 3 campeonatos brasileiros, além de garantirem o empréstimo de jogadores, durante 2017, à custo zero.

O Palmeiras mudou seu perfil oficial, nas redes sociais, para o Alvi-Negro; a marca de seu maior rival: O Corintians; por sua vez, mudou seu perfil para o Alvi-Verde da Chape; cores proibidas com força de lei, dentro do clube, por serem as cores do Palmeiras.

E uma amiga me disse:

Por que não podemos ser assim, o tempo todo?

Não nego que desperte curiosidade a onda de generosidade e vontade de ajudar que surge, depois de um evento tão trágico, embora eu não tenha nem vontade, nem o clima, para teorizar muito à respeito.

Para não ficar no vácuo da “evazão de respostas”, penso que o brasileiro tem passado por momentos de tanto “racha”, tanto ódio, tanta discórdia e acusação… É tanto “dedo em riste” na cara, que a morte brutal de todo um time (que vai além da “simples” vida de cada um, para se tornar uma espécie de “encarnação terrena” de um ideal, de um sonho) que, diferente dos famosos clubes, lutava pelo seu espaço no plano esportivo nacional, há 6 anos, e agora, começava numa competição internacional; foi por tudo isto que se gerou essa força catártica enorme.

As pessoas, de repente, se deram – novamente – conta da efemêridade da vida. Se chocaram com tantos jovens, em busca de um objetivo coeso, de um ideal compartilhado, serem aniquilados em segundos. E isso nos demoveu da rusga, da rivalidade, e nos fez desejar que o pesadelo da pequena Chapecó, de 210 mil habitantes, nunca tivesse ocorrido. E que, tendo ocorrido, todo o poder e possibilidade sejam usados e realizados para que o dano seja o minímo.

Se temos opiniões diferentes, sobre tudo, imagina no futebol. Mas, por outro lado, ninguém tem uma opinião diferente sobre a Chapecoense. Ela era o futebol ausente de holofotes, grandes marcas e grandes patrocínios.

Ela era a representação de um futebol mais genuíno, menos industrializado, menos pasteurizado.

Era uma promessa de que, “mesmo no lixão nasce flor”, como dira Mano Brown. Era a nossa prova forte que, sendo todos nós pequenos, “as zebras”, as “grandes surpresas”, mesmo assim, tal qual como a Chape, poderíamos ousar não nos contentar com o “fim da tabela”.  Mesmo pequenos, todos nós, como a Chape, podemos “ousar” sonhar com grandes vitórias. Sonhar com a glória. Sonhar com o primeiro campeonato internacional, ou qualquer outro objetivo que alguém diz “ser grande demais” para nós.

E é por isso que me dói tanto. Porque foi a covardia do acaso que quase que disse: “Não, vocês não podem.”.

Agora, depois de escrever esse texto por horas, entendo minha raiva com essa tragédia. Entendo o gosto amargo que invadiu e “sentou” sobre meu dia.

Olho pra Chape, e como uma “Zebra” olhando nos olhas da outra e se reconhencendo mutuamente; sei que eles estavam em busca da Glória, acima de dinheiro e valores mundanos. Eram o melhor de um grupo, tão coeso, e tão idemovível de um propósito maior, de uma missão maior.

E a “derrota” deles, diante de uma morte tão covarde, é também uma derrota sentida por mim. E é por isso que mesmo sem amar, tanto assim, o futebol, hoje, sinto um pesar digno das tragédias pessoais, sem jamais ter pisado no Estado de Santa Catarina, quanto menos em Chapecó.

Não acredito em destino. Nem em nenhum deus descrito pelo homem. E ainda assim, não tenho dúvida da canalhice que ocorreu no dia de hoje. A vida “não tinha esse direito”. Não porque matou 71 pessoas, ao menos. Mata-se e morre-se bem mais, todos os dias, às vezes, em condições e calvários bem piores do que a queda de um avião…

A verdadeira e profunda canalhice não são as 71 vidas. Mas é a destruição de um ideal e de um sonho, idealizado e sonhado e vivido e executado, por todo um time que junto nasceu, e ironicamente, junto tombou.

Mas, Chape, não sofra:

Mesmo a pior tragédia que a vida nos impõe, e mesmo esse pesado, inescapável, e inexorável “dedo na cara”, que nos lembra da nossa fragilidade… Mesmo essa amarga lembraça da nossa efemeridade, tem um “que” da força que vocês tinham em campo, e fora dele.

Sabes, Chape, de todos esses clubes querendo ajudar vocês? Sabe do Palmeiras usando preto e branco, e o Corinthians o alvi-verde? Sabe do seu adversário da grande final que, pelo seu presidente, visivelmente emocionado, foi até a Conmebol, pedir que o titúlo seja teu, Chape?

Sabe o porquê de tudo isso? A lição é de vocês. De que força e grandeza, nada tem a ver com o que nos atribuem, ou com o capital mundano que temos.

Se até um clube de Chapecó, feito pelo suor e sonho de 210 mil habitantes, e quase nenhum capital financeiro, pode ousar ser mais do que a vida sugere, o que dizer de todo um universo de pessoas, unidas sob um único ideal?

Essa é a vossa maior lição, Chape: Ousar e desejar ser sempre mais do que se pressupõe que sejamos capazes; não importa o quanto a jornada insista em dizer “não”.

Terminou para esses, tão jovens (insisto) atletas. Mas fica um enorme patrimônio imaterial, de fibra de caráter e de propósito constitutivo que, construido sobre a união de todos os clubes e torcedores brasileiros, talvez, transforme a Chape em algo inimaginavelmente maior e melhor.

E talvez, eu pague o preço de acreditar que algo bom pode vir de uma tragédia assim. Talvez, essa seja a derrocada da Chape, e seja impossível evitar a ruína. Mas, contrários à toda probabilidade e hipótese tradicional, vocês chegaram longe, onde ninguém achou que podiam. Vou tentar, uma vez, partilhar desse mesmo otimismo, diante da improbabilidade.

E tudo começa, de onde vocês pararam e pelo que vocês simbolizaram. Nunca duvidem disso…

 

#SomosTodosChape

#ForçaChape

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