Enquanto assistimos Satanás combater o Diabo…

Alien vs. predator
O slogan do filme era: “No matter who wins, we lose.”

Enquanto assistimos ao “Season finale” (Não… Isso não termina aqui… Acreditem em mim) do pitoresco show de horrores da política nacional, não consigo deixar de pensar na frase que acho que mais define o que é viver sob o Circo do Brasil (e que, exaustivamente, já proferi):

“Não importa quem ganhe, nós perderemos”

A frase do, também pitoresco (deixo você escolher se pela ruindade ou pela comicidade), filme “Alien vs. Predator”, é um retrato do que é viver no Brasil atual. Se o PT ficar, se o PMDB tomar o poder, se o PSDB for o próximo a comandar o país… Não importa: Nós é que vamos sair perdendo.

Mas, diferentemente da trama do filme, não há alienígenas ou monstruosidades – em resumo, não há terceiros – a se culpar, senão o voto popular; esse sim, uma aberração praticada por cada conterrâneo meu, à revelia de qualquer ligação com causa e consequência.

As narrativas de Dilma, coligados, e partidários de que se trata de golpe, é um golpe (publicitário). Dizem estar preocupados com a soberania, com a segurança jurídica, com a manutenção da Democracia… E para cada frase tragicômica dessa, eu tenho uma história para contar de como o PT de Lula e Dilma destruíram nossa soberania, acabaram com a segurança jurídica, e tentaram destruir a Democracia, para manterem-se perpetuamente no poder.

A narrativa da oposição-situação (porque é isso o que temos: uma oposição que odeia o PT, mas que joga com o PMDB que, junto com o PT, infligiu 4 eleições de resultados amargos contra eles. Sua convicção moral de oposição mal resiste à página 2 da história) de que “faz isso pelo futuro Brasil” é outro golpe (só que moral).

Nenhum deles… Nenhum, realmente, se importa com o que há no futuro do Brasil. E de como a palhaçada que orquestram e executam interfere nisso.

As pessoas ainda discutem quanto a admissibilidade do pedido de Impedimento, ainda dizem que não há o que se usar como prova cabal da necessidade da cassação. E eu não vou perder o meu e o seu tempo detalhando cada ato passível de punição.

Principalmente porque, se até o momento, você não se convenceu de que o governo de Dilma levaria o Brasil a falência, nos moldes venezuelanos, não vai ser uma lista corrida de crimes e desvios (que, se não foram feitos por Dilma, eram de sua responsabilidade quanto ao combate, a vigilância para que não ocorressem, e etc.), cometidos por “braços direitos” da Presidente, que vai lhe convencer.

Sincera e honestamente, nem eu estou aqui para convencer qualquer um de qualquer coisa. Estou aqui para ser pragmático:

Dilma vai cair, porque não nasceu para a política.

O que ocorrerá hoje, na conclusão da sessão que julgará Dilma culpada ou não é, por certo, a página final de uma biografia profissional trágica. A de Dilma, claro.

Enquanto seus colegas de guerrilha evoluíram (e evolução ≠ melhora) para o modelo de atuação política, Dilma continua a demonstrar a falta que lhe faz a boina, o uniforme camuflado, e a cadeia de comando inflexível. Eu nem sei se ela usou a boina e o uniforme, mas, para visualizar como ela enxerga a condução da vida pública no país, o imaginário vem bem a calhar.

O problema é que sua intransigência só poderia existir se seu partido não fosse tão moralmente comprometido, e não tivesse costurado tantos acordos com tantas partes (supostamente opostas, ou não) que não podem ver a luz de tão feios que são.

Sua intransigência, sintetizada na frase “eu mando, você faz”, lhe custou demais e seus “ofendidos” (e aqui, não questiono se mereciam ser ofendidos. Até acredito que muitos mereciam sim) arquitetaram o que, agora, assistimos.

Mas, se ela é merecedora da trama que enfrenta, ou não, isso pouco importa, aqui sim, pelo sucesso e pelo futuro do Brasil, de fato.

A situação de Dilma é insustentável, e eu, brasileiro, não pagarei o preço de sua intransigência, e das inimizades que conquistou com seu “jeito doce de ser”.

Senhoras e senhores: Uma presidente, chefe do Executivo, que não consegue minoria simples de votos, nas duas casas legislativas (Câmara dos Deputados e Senado), não tem nenhuma chance de continuar a governar o Brasil. Nas mãos dela, o Brasil parará pelos próximos 2 anos. Já vimos isto: Até seu afastamento temporário, o Brasil fazia água: Dólar em disparada, fechamento de vagas de trabalho aos milhares por dia, inflação…

Alguém, na multidão, pode dizer “não fosse o ódio dos parlamentares à ela, Dilma também poderia corrigir o Brasil”. É verdade. E aí faço uma pergunta “E quem foi que escolheu bater de frente com todos aqueles homens e mulheres???”. Respondo: Dilma.

Dilma escolheu o caminho da trincheira. Dilma escolheu dizer “vão ter que me engolir”. Dilma implodiu sua capacidade de se manter a frente da Presidência, e aceito que PODE SER por questões não-criminais. Mas, definitivamente, por escolha postural, e por ausência de competência política para o cargo que ocupa.

Argumentar que ela perdeu a capacidade de salvar o Brasil, porque foi traída, equivale a dizer que me arrebentei inteiro, porque o muro foi muito duro comigo. Dilma foi traída porque imaginou, e não enxergou, o mundo em que quis entrar. Quis entrar? Não sei… Não me canso de vê-la como fantoche de Lula.

Como disse, sou pragmático (tenho que ser, porque é aqui que eu moro. Meu idealismo só poderia ser o carro-chefe da interpretação se eu não dependesse do que acontece com esse lugar, a seguir): Para salvar o Brasil do caminho venezuelano, somente o afastamento definitivo da Presidente pode funcionar. Sua permanência fará voltar o que se via antes do afastamento temporário: Um timão travado e obstruído, em direção ao iceberg.

Dilma cometeu Crime de Responsabilidade?

As discussões sobre se cometeu crime de responsabilidade são, à essa altura, supérfluas. Eu não tenho dúvidas das “Pedaladas”. Não tenho dúvidas do parecer do TCU. Sobremaneira, não tenho dúvidas que a campanha presidencial de 2014, da reeleita presidente, foi uma mentira que nem o Diabo poderia arquitetar tão bem. Seus marketeiros criaram um sonho, um país forte, e sem grandes problemas, e com grandes programas sociais que, na continuidade dela, seriam eternos. Permanentes.

Em 2015, 3 meses após sua reeleição, vimos o Brasil quebrar de maneira profunda. Assustados, só os que acreditaram na campanha dela. Os economistas, de dentro e de fora do país, já falavam do quanto o Brasil estava perdido. Os analistas políticos que convivem no Distrito Federal, já demonstravam a corrosão da então “base aliada” de Dilma.

E, volto a dizer: Se Dilma não escreveu de próprio punho, a ordem para as “Pedaladas”, prevaricou de sua responsabilidade de zelar para que isto não ocorresse. Por ação ou inação, Dilma falhou. Outros fizeram? Sorte deles não terem sido levados à “justiça” (explico as aspas, abaixo). Dilma foi.

Como bem lembrou o ilustre jurista Miguel Reale, co-autor do pedido de impeachment, a qual reproduzo em conteúdo, mas não textualmente:

“A defesa da Presidente alega que não há provas de que Dilma autorizou, pessoalmente, que houvesse operação de crédito entre os Bancos públicos e o Governo. Ora essa! Isto foi uma fraude! O que espera a defesa? Que o fraudador redija uma carta dando autoria sobre a fraude?”.

A tecnicidade judiciária permitirá, à favor ou contra, categorizar Dilma como criminosa, ou inocente. O direto, em especial o brasileiro, permite que algo seja e não seja, ao mesmo tempo. Schrodinger morreria de inveja da tortuosa dualidade de qualquer coisa, na legislação brasileira.

Dilma está diante de um processo Político. Não Jurídico.

Não sou eu quem disse isso. Foi o Supremo Tribunal Federal, em acordão proferido pela egrégia Corte, sobre a matéria.

E isto quer dizer que o rito do Impeachment é um instrumento integral (e, portanto, não extraordinário) do conceito de Freios e Contra-pesos do sistema Democrático. Quem o invoca é a Casa baixa (Câmara dos Deputados), através do acolhimento de denúncia (que pode vir por meio de qualquer cidadão com acesso às vias de ingresso do mesmo) pela mesa diretora, regida por seu Presidente.

Se isto não parece importante, garanto que você, caro leitor, está ignorando a profundidade dessa compreensão: Em um processo político, como o Impeachment, critérios como Conveniência e Oportunidade são considerados, diferente de um julgamento Jurídico, onde os atos criminosos estão catalogados no Código Penal, e dependem de Materialidade e Autoria, entre outras coisas.

Portanto, diferente de um julgamento Jurídico, ainda que demonstrada a tipicidade da conduta de Dilma, os parlamentares podem absolver a ré, por motivos de pura oportunidade e conveniência políticas. A condenação, igualmente, passa pela mesma régua.

É golpe?

Tanto faz. Sério. Tanto faz.

Já foi o tempo em que se admitia que para fazer Justiça, o Estado viesse a falir. Roma permitia isso. Nós não podemos.

A injustiça a Dilma, se de fato constatada, será narrada história à fora. Se Dilma estava profundamente comprometida com os crimes que o PT e todos os demais partidos estão envolvidos e que temos notícias, todos os dias, também tanto faz.

O que não “tanto faz”, é a capacidade do país parar de afundar. O que importa é pararmos de gerar milhares de novos desempregados por dia. O que importa é aprendermos em quem votamos.

Se o PMDB é um partido de cobras, vigaristas, e traidores, não dê outro voto a eles (nem como vice! Bom citar…).

Se o PSDB é feito de ressentidos, golpistas, e anti-democráticos, não vote neles.

Se o PT mentiu e mente, durante toda a campanha e agora, se vendeu cargos para o “Centrão” que, mesmo assim, os traiu, se foge da Justiça da Lava-a-Jato como o Diabo foge da Cruz, se tem um candidato incapaz de fazer política…

Mais que isso: Se Hélio Bicudo, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, diz que o partido que amava e que ajudou a construir, está perdido e desvirtuado; e é co-autor do atual pedido de Impedimento. Não vote neles.

Se, hoje, assistimos à este circo dos horrores, é bom que se lembre que ele é feito com nossos monstruosos impostos, e com nosso consentimento repetido a cada 4 anos, aos palhaços que nos tornam ainda mais palhaços, por permitir que eles continuem por lá.

Dilma luta, não por seu mandato, mas pela democracia.

Sim, e eu sou alto e magro.

Dilma luta por uma ideologia. Ideologia que não é nada amigável ao conceito pleno de Democracia. Não que a oposição seja fanática por essa última, também.

Todos eles, sem exceção, pensam do seguinte modo:

  • Se não sou eleito, é porque o povo não sabe votar.
  • Se o povo vai para a rua, contra mim, ele não sabe o que pede.
  • Se o projeto de lei que eu quero não tem apoio popular, o povo não sabe o que é bom para ele.
  • Se minha visão de igualdade e justiça não é aplaudida pelos demais, é porque o povo não tem educação.

Dilma, como eu disse, lá no começo, ainda vive sonhando com a Boina e com a Farda. Seu livrinho – que eu não tenho certeza se leu – “O Manifesto Comunista” de Karl Marx, é claro em dizer que a população não sabe o como é bom viver no socialismo-marxista e, portanto, uma “Ditadura do Proletariado” é necessária.

Dilma, como Lula, antes dela, vive em um mundo polarizado, onde os comunistas são amigos e aliados, e os Imperialistas das super-potências devem ser combatidos.

Não vê que a China, “sua amiga” (não que a China pense o mesmo de nós), adora o sucesso dos EUA, que lhe garante a venda de muitos produtos ao país com o maior consumo per-capita do mundo.
Não vê que seus aliados latino-americanos, afundam seus países, não porque uma força sinistra acaba com cada governo bolivariano, mas porque o modelo é falido em sua essência. Não há como exigir que as pessoas trabalhem mais, produzam mais, e deem tudo para que o Governo-Pai-de-Todos decida para onde vai esse trabalho, para onde todo o esforço e a riqueza que esse trabalho gerou e gera devem ser destinados.

E, como a exemplo de toda sua história e biografia politica, Dilma Roussef não consegue enxergar a realidade com a ótica certa, e vive em um universo paralelo que vai sentenciar o fim precoce e melancólico de seu mandato.

Mas, não… Não me iludo. Não importa quem ganhe. Nós sempre vamos sair perdendo. Somos, de fato, incapazes, de nos responsabilizar pelas rédeas e pelo futuro político e diretivo do país em que moramos. Dilma sairá e, para aqueles que enxergam o mito da inocência, de maneira covarde e golpista, e para quem não enxerga, por justiça – o mito é, nem tanto porque ela foi corrupta (o que, TALVEZ, não se possa provar), mas porque se omitiu de sua responsabilidade de fazer política (isto por certo é inegável).

No fim, o que, de fato, me preocupa é que nós (todos nós) mantemos o jogo com as mesmas “cartas marcadas”, e esperamos resultados diferentes. Impossível.

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