O dia em que “saí” do Facebook

3 décadas, 30 anos, 10.950 dias, 262.860 horas… O último grande texto (o maior); E os próximos passos…

Para dar um pouco de contexto a quem não me conheceu pelo Facebook: Em 31 de maio de 2016, anunciei aos amigos e seguidores que deixaria de utilizar a rede social. Os motivos estão todos nese post (que é, também, o motivo inicial para eu ter criado este Blog).

Mini-game! Um universitário mediano dos EUA leria esse texto em 8 minutos. Marque quantos minutos você leva, e descubra se seu hábito de ler está enferrujado ou não.

Aviso: Esse é um texto reflexivo, trata de como me sinto sobre alguns aspectos da convivência com a sociedade digital contemporânea e, sinceramente, eu entendo que ele pode não ser do interesse da maioria da minha rede de contatos.
Sinto por isso e por poluir a rede social com mais essa “potencial” inutilidade, mas, também, é uma espécie de despedida que merece alguma explicação, ainda mais, em consideração aos 36 leitores (no Facebook) regulares que tenho, e por quem sou profundamente grato por me honrarem com a atenção.

“Pobre Rei Lear; tornou-se velho, antes de torna-se sábio…”, diz o bobo da corte ao rei traído e renegado por todos.
É o resumo do ato I, cena IV, da peça “King Lear” de Shakespeare.

Desde que fui apresentado à essa peça, pelo excelentíssimo Professor Leandro Karnal, percebi como esse pensamento passou a perseguir minha paz: O risco de estar ficando velho sem me tornar sábio parece-me o maior risco que corro, neste momento.
E isso me entristece e tem impacto sobre minha ansiedade com alguns tópicos. Não que o medo de morrer para uma “bala encontrada” por minha cabeça, ou em uma colisão veicular com um embriagado ao volante, não seja bem mais factível e sensato de se ter, no país em que vivo…

A escolha pelo estudo e, em especial, o gosto pelas áreas de Política, Sociologia, e Direito, sempre foi – eu acho – uma escolha ligada às chances: Os livros sempre estiveram ao alcance de quem quisesse lê-los e a verdade é que a maioria do meu povo não está (em 2014, 71% dos brasileiros não leram um único livro, e somente um em cada três formados no nível médio de ensino têm alfabetização suficiente para ler [entender] um livro qualquer) e eu senti nisso a oportunidade de não ser mais um na multidão, já que eu tenho o que boa maioria não tem (a vontade de ler e aprender).
Esse era meu plano para saltar da mediocridade para um lugar de destaque. “Vaidade” é um termo que explica parte deste comportamento, mas, por outro lado, peço que me aponte o ser humano minimamente são que faz questão de ser idêntico aos outros 7 bilhões de sua espécie, ao ponto de não fazer falta na face da Terra.

Bem, como isso tudo me leva ao desconforto, tal qual sentiu o Rei ao ser confrontado pelo bobo de “King Lear”?
Eu acho que venho emburrecendo. E eu tenho certeza – pela data de nascimento que consta no meu RG – que “novo” não é mais o preciso sinônimo para minha situação…
Então, eu começo, lentamente, a caber na sentença “tornou-se velho, antes de tornar-se sábio”.

A sabedoria é um dos principais atributos de beleza de um candidato à ancião. Não há nada mais chato do que falar com uma pessoa idosa que não tem nenhuma sabedoria. E não, não acho que só os livros e diplomas atendem ao requisito anterior. Na verdade, eles só provam que você abordou – ou tentou – algo de maneira sistemática e científica.
Aqui, falo da sabedoria de maneira holística: A sabedoria empírica, a pragmática, a experimental, a teorética…

Sabedoria: Acúmulo de conhecimentos; ciência. Justo conhecimento das verdades.

Ser um velho inepto é tudo o que eu mais temo. E não se engane: Assim como os canalhas, os burros também envelhecem… Velhice nunca foi sinônimo, nem de bondade, nem de sabedoria.


O que você ganhou participando da minha neurose eu realmente não sei, mas, já que você chegou até esse ponto, vou descer um pouco mais nessa psicose e tentar chamar sua atenção para alguns movimentos e fatos que podem lhe interessar; vai ser minha contra-parte por sua paciência.

Bem, eu acho, também, que estamos TODOS ficando mais burros (desculpem-me: É só o que acho) e, acho, adicionalmente e não sem alguma análise, que a culpa disso está, em parte, nas redes sociais como o Facebook, e nos modelos de vivência e convivência que tais redes ensejam, quando não, impõem.
Motivo pelo qual pretendo, a partir da próxima semana, abandonar o uso dessa rede (o Facebook).
Vou me explicar, prometo. Não está havendo um “facebookcídio”; o objetivo final não é obter um tapinha nas costas, nem um pitoresco “fica brother” coletivo. Seria engraçado, confesso, mas não é isso. Vou me explicar; aguente aí.

Quero compartilhar como conclui que não só o Facebook não me ajuda a me tornar mais sábio (nada de novo) como, também, ele tem colaborado para que eu fique mais burro (um risco que, talvez, você não tenha percebido, ainda).

Mas, primeiro, alguém arrisca qual é a missão do Facebook como empresa? Eu compartilho:

“Fundado em 2004, a missão do Facebook é dar às pessoas o poder de compartilhar e tornar o mundo mais aberto e conectado. As pessoas usam o Facebook para ficar conectadas com amigos e familiares, para descobrir o que está acontecendo no mundo, e para compartilhar e expressar o que importa para elas. ”.

Oras! Tem algo MUITO errado com a execução dessa missão, seu Mark! (Obviamente, a culpa não é mais dele do que é de quem utiliza e constrói as regras deste espaço social [se estiver em dúvida: nós]).

O primeiro artigo que convido à leitura, é este aqui: Facebook Manipulated User News Feeds To Create Emotional Responses
Para quem não tiver a paciência, ou mesmo para os que não gostam da língua inglesa, a matéria denuncia que o Facebook controla – ou já controlou – sem contar a ninguém, o seu feed de novos posts para obter resultados psicológicos, emocionais, de você (na verdade, dos estados-unidenses mas, se fizeram com eles sem avisar… Penso no que fazem conosco…).
O estudo conduzido por “cientistas” (faltou alguma ética, para ser mais “científico”, né…) da empresa verificava como as pessoas reagiam ao serem expostas a posts e reações com maior tendência negativa ou positiva, em relação a elas e suas opiniões iniciais. Burrhus Skinner e seus ratinhos morreriam de inveja.

Pior do que isso: Outra matéria que li em revista impressa demonstrou que o Facebook “aprende” o tipo de post e fonte de conteúdo que lhe interessa e, a partir disso, passa a lhe expor somente ao que você mais gosta, criando uma “falsa bolha”, tanto de “felicidade” como de “pertencimento”, onde você, meu nobre leitor, é o experimento.
Trocando em miúdos, se você só curte páginas “de Esquerda”, chances são que o Facebook exponha mais conteúdo relacionado a isto do que “à Direita” política (e vice-versa), fazendo com que você “seja feliz” pois, “o mundo concorda com você”. É o que seu feed lhe indica, não?

Outro estudo (Social Media Sparked, Accelerated Egypt’s Revolutionary Fire) relata como o Facebook e Twitter foram fundamentais na primavera Árabe. Quebrar as correntes de ditadores, eu acho ótimo. Parece-me um uso nobre do espaço de convívio social virtual. Mas, outra matéria revela que o Pentágono norte-americano tem gastado alguns milhares de dólares para manipular redes sociais com “bots” e perfis falsos para conseguir apoio popular às metas das forças armadas daquele país (Revealed: US spy operation that manipulates social media).
Em resumo, com a manipulação “certa”, o Facebook pode ser usado para construir e destruir conceitos, pessoas, e governos.

Como qualquer Jornalista poderá explicar e demonstrar a consequência: A neutralidade da rede é zero. Como – não posso negar – também costuma tender a zero para qualquer veículo de comunicação, impresso, radiodifuso ou televisivo; é verdade.

O problema, para mim, está na legitimidade: Por motivos que, talvez, um sociólogo possa teorizar, as redes sociais ganharam status de verdade incontestável. Talvez por sua pluralidade, talvez, por não ser um veículo com uma fonte de mão única de transmissão; as pessoas têm uma tendência a tomar como fato, com muita facilidade, o que as redes sociais ecoam.
E como a Wikipedia (com a qual contribuo, inclusive com doações financeiras, por acreditar no valor da utopia do “conhecimento para todos, de graça”), as redes sociais podem ser fascinantes na transmissão de informação legitima, ou uma fossa sanitária de idéias enviesadas e ideologias mascaradas. Falando de Brasil (eu vivo aqui, e é dessa parte do mundo que eu “não-sei” menos), a segunda hipótese tem sido bem mais verdadeira do que o primeira, para meu total pesar.


Quando ingressei no Facebook em 2009~2010, a maioria dos meus amigos e colegas permanecia no Orkut. Ingressei por questões profissionais (todos os colegas de companhia estavam lá, afinal, o Orkut era do Google 🙂 ).
Na época – outra vantagem de ter 30 anos: Poder usar expressões como “na minha época” – o Facebook era majoritariamente feito por recursos de texto. Imagens, só no álbum pessoal, e nada no mural (não sei se a função não existia, ou se as pessoas não tinham o hábito).

Quando eu vejo as pessoas “de saco cheio dos textões“, acho até engraçado porque, originalmente, era disso que o Facebook se tratava: Textos. Pessoas troncando idéias sobre tudo e todos. Qual bom livro não é um “textão”? Embora, um textão não seja – por si só – garantia de qualidade, a boa ideia, respeitosa e bem-intencionada, é bem explicada e enseja o cuidado que leva – ok, “quase sempre” se faz necessário, aqui – ao longo texto. Não. Não estou supondo – nem me ocorreu isso – que um texto longo é necessariamente bom. Só disse que todo bom texto costuma ser longo.

Claro que acho graça nos gif’s animados; claro que gosto dos vídeos engraçados e absurdos. Vivo compartilhando eles todos. Não é que o Face seria melhor se “elitizado” fosse… Não precisa ser o “cafofo de Homero” onde todo dia discorremos uma Ilíada.

Mas, eu realmente acho que o Facebook foi para a “outra ponta da corda” entre o enfadonho (ou pomposo), e o fútil. E eu odeio futilidade como tônica da existência; pelo menos, da minha.

Usar uma rede social para socializar (procurem no dicionário: “Socializar” não é fazer pose em fotos, nem tomar birita em festas… Vão se surpreender…), é a última coisa que as pessoas querem e isso remove de mim o propósito de “socializar”, por aqui.
A socialização só é bem-vinda se for rasa, oca, simulada. E, desculpem os amigos que  gostam disto, mas, eu odeio conversas rasas como parte integral do meu dia-a-dia.

O filósofo Orterga y Gasset, em seu livro “A rebelião das Massas”, adverte, em 1929:

“Por toda a parte surgiu o homem-massa(…), um tipo de homem feito à pressa, montado apenas sobre umas quantas abstrações e que, por isso mesmo, é idêntico de uma ponta à outra (…) A ele, se deve o triste aspecto de monotonia asfixiante que a vida vai tomando(…) Este homem-massa é o homem previamente esvaziado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas(…)”

Nesse alerta, Ortega y Gasset demonstra que a sociedade ocidental vem premiando a mediocridade e reconhecendo nela, o verdadeiro antro de formação da verdade e mais do que isso: A vontade, o desejo, de se destacar por uma sólida base racional, lógica e/ou bibliográfica, são combatidos como conduta reprovável, sendo uma espécie de “nova classe burguesa” a ser enfrentada e rechaçada:
A classe dos que leem e estudam, antes de abrir a boca.
Uma espécie de “nova oligarquia nefasta” que comete “o crime” de desqualificar alguém que não sabe sobre o que está falando…
(Preciso acrescentar algo que é óbvio pra mim, mas pode não ser para quem lê: EU NÃO FAÇO PARTE desse grupo atacado. Tenho total noção da minha mediocridade acadêmica e intelectual. Estou estudando para fazer mais que isso, um dia, mas não faço agora… O que estou tratando aqui é sobre o desrespeito à opinião de gente que dedicou a vida inteira ao estudo, e que é rechaçada pelo Zé da Esquina em um post ou thread).

Nem mesmo os espaços digitais destinados ao debate, funcionam mais. São, antes, lugares de pregação e massificação de ideologia. Qualquer tentativa de questionar com qualidade o que ali se advoga é repreendida com o bloqueio de quem discordou. “Você pode ter opinião, contanto que seja igual a nossa”; deveria ser o slogan das páginas “pensadoras” do Facebook.

Aí vem outro problema do mundo contemporâneo: Opinião. Todo mundo tem uma opinião. TODO MUNDO TEM QUE TER. Não ter é outro “crime” dos nossos tempos. E disto, surgem opiniões quase sempre prontas, inquestionáveis e irrefutáveis (assim pensa seu dono). Formadas, muitas vezes, em cima de desinformação, fontes não verificadas, boatos, preconceitos, e nenhuma leitura de autores com alguma autoridade sobre o assunto (“autoridade” que não é mero título, mas, consequência de anos – em geral, décadas – de estudo de um único tema, senão, de um sub-aspecto de um tema maior).

Exemplos parecem ensinar mais do que teorias, então… Aqui vai um:
Eu debatia com um amigo que dizia que movimentos sociais sempre lutam por progresso social. Eu discorri que os movimentos trabalhistas na França e o movimento estudantil de Mato Grosso, estão em uma luta CONSERVADORA, tentando manter um Status Quo que não necessariamente vai de encontro aos interesses das sociedades em questão, como um todo.
Logo, esses NÃO são movimentos progressistas por “osmose” (ou o tempo todo)… Em resumo, esse foi um debate com alguém que tem opinião pronta. Até aí, tudo bem, já que eu também tinha uma: Mas quando expus novos fatos (ou pontos de vista), nada mudou para ele; e aí está o problema. Não houve evolução (não estou pedindo por conversão, friso) do tema e dos envolvidos, esperada em um debate. Ele entende que quando alguém grita “companheiro”, não pode ser outra coisa senão um progressista. Fim de papo.

Umberto Eco, filósofo italiano, criou polêmica em recente declaração em 2011, onde disse que:

“Embora tenha trazido muitas vantagens, a Internet também democratizou a imbecilidade” e “promoveu o idiota da aldeia, a porta-voz da verdade”.
Ele disse, ainda: “Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas, agora, eles têm o mesmo direito à palavra que tem um Prêmio Nobel”.

Umberto gerou revolta; as pessoas o acusaram de retrógrado, antidemocrático, reacionário, arrogante…
Eu deveria ser um dos primeiros a ficar revoltado com Umberto, já que quem assina meus textos sou eu mesmo. Não há um curador/historiador, um editor; ninguém revendo minhas fontes e validando que não estou distorcendo a verdade. Eu tenho um compromisso de validar o que escrevo, mas, isso não anula o que Umberto enunciou. O idiota pode mesmo ser alçado ao grau de arauto da verdade.

Mas, eu não vi como um ataque. Para mim, ele não criticou o direito ao debate. Ele questionou o fato de que alguém que não leu um livro de história inteiro, sinta-se pronto a dizer sobre “as benesses da ditadura”, ou “Como o Socialismo/Comunismo é melhor que o Capitalismo” e por aí vai. Ele questiona, na verdade, essa capacidade triste que a Internet revela de potencializar gente pronta a questionar, formar juízo de valor e criar proposições sem nenhum estudo do que já foi proposto quanto ao tema – de preferência, a favor e contra, pois, opinião não costuma ser legitima se nega a chance do contraditório.

Como Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, postulou sobre o “mundo líquido” em que vivemos:

“(…)os tempos são tais que o fim das utopias representa a perda do caráter reflexivo em relação a sociedade e, por consequência, a perda da noção de progresso como um bem que deve ser partilhado. (…) Uma corrente de incerteza e insegurança guia o sujeito pós-moderno, que não tem mais referencial nenhum para construir sua vida, a não ser ele mesmo.”.

Para quem não entendeu o cerne da teoria de Bauman, aí vai o exemplo:

Um garoto de 20 anos sente-se pronto para questionar todo um conceito e invalidar Immanuel Kant e sua filosofia moral do Imperativo Categórico, após ler um resumo da Wikipédia; as décadas de Kant, dedicadas ao estudo das classificações aristotélicas e o fato de ele ser “pai” da linhagem moderna de pensadores alemães do quilate de Hegel e Schopenhauer (para citar os principais) são solenemente renegadas e desqualificadas, por um garoto que só leu o resumo da obra e a tabela do Brasileirão 2016; os valores pessoais desse garoto, em plena formação, são muito mais válidos do que os valores construídos por centenas de anos (juntando Aristóteles e Kant) em iteração, revisão, contestação, conceito, prova e crítica.

Esse garoto pode vir a ser o próximo Kant? Pode. Sem estudar filosofia (e Kant) a fundo? Nunca.
Talvez, esse garoto, em específico, seja assustadoramente genial, construa conceitos muito mais profundos que Kant, sem jamais estudar, e faça eu me calar mais tarde; mas, as chances de todos nós sermos essa “peça rara” são as mesmas de eu ser um alienígena.

Não: Não me sinto fazendo “uma defesa da aristocracia intelectual” ao esperar que a opinião de alguém sobre algo que não se resume a gosto (exemplo de gosto: Odeio queijo, não importa o que os suíços mais importantes pensem disso), seja embasada no que já se estudou, contra e em favor do ponto defendido para que, depois, haja formulação de nova postulação (exemplo de teoria sobre um sistema de governo existente e já teorizado: Democracia não deve ser o governo que atende só à maioria; não importa sua opinião pessoal sobre isso).

Isso, na verdade, é pedir por honestidade intelectual. “Honestidade”, aliás, uma palavra que vem se tornando antiquada.


E eu entendo uma parte disso: O Facebook é feito de personagens. As pessoas aqui, não são as pessoas do mundo real. Seus posts, suas falas, suas frases de efeito… Tudo aqui costuma ser encenado e – mesmo que elas não se deem conta – em certo grau, premeditado.

Somos todos personagens. Eu sou um personagem. O Rodrigo da rede social não é o Rodrigo do dia-a-dia; impossível ser.
Além disso, a rede tem baixa – ou nenhuma – aceitação por pessoas que expõe outra face de seus sentimentos, além da positiva. Por este motivo, Karnal diz que “Shakespeare é anti-Facebook”: Seus personagens têm “profundidade demais” e riem e choram publicamente, o que os tornariam detestáveis nessa rede.

E aqui vem outra crítica: O Facebook não serve para discutir – já constatei e provei – mas, tampouco serve para eu conhecer as pessoas, fazer e manter amizades e conviver mais com os que eu quero bem.
Como todos estão ocupados encenando felicidade e ostentando suas conquistas, eu estou fazendo um trabalho porco como amigo ao dar likes e usar frases como “aí sim!” quando o cara tira uma foto na piscina com uma cerveja, sem que eu saiba que em seu dia-a-dia, ele está às vésperas de se divorciar e perder o emprego, ou atravessando uma grande depressão emocional, sozinho.
Um amigo “à moda antiga” saberia, porque na confidencialidade de uma conversa particular que não será julgada por centenas, senão milhares, ele pode ser o ser humano que ele precisa ser, para desabafar, para dizer que “não, não está tudo bem”, e daí por diante…

A vida que se compartilha no Facebook é a vida simulada e dissimulada. O Facebook, sem querer, ou querendo, traiu sua própria missão empresarial. E não é diferente nas outras redes. Na verdade, em redes como o Instagram, isso fica ainda pior.

As pessoas que são contra o abandono da rede, dizem “você vai perder o contato com seus amigos!”.
A verdade é que eu já perdi. O Facebook não me fez ver mais as pessoas. Pelo contrário. Agora, vejo fotos delas; facetas delas; só parte delas. Uma espécie de “melhores momentos”, eternamente. Mas, essa não é a vida real.
Não vejo, nem convivo, com as pessoas “de verdade”. Ouso dizer que o falso sentimento de que elas estão ali, todo o dia, “ao alcance do click”, me fez mais preguiçoso e descuidado no trato e no carinho com essas relações.
Substituímos o insubstituível contato humano e pessoal por um like virtual, aqui e ali.
Ok! O descuido pode ser só meu; admito essa hipótese. Mas, sinceramente, eu duvido que sou caso isolado.

Não é meu interesse encerrar a conta do Facebook. Isso poderia significar um pouco como “ei, olhem pra mim! estou indo embora!”.
Essa realmente não é a intenção disso tudo, como tentei demonstrar.
Só vou remover os aplicativos de acesso e “esquecer” a senha. O Messenger do FB – para quem precisar falar comigo – segue funcionando. 🙂

Outra pergunta que devem me fazer: Vou continuar escrevendo em outro lugar? Improvável. Mas, se eu mudar de idéia, farei com que saibam. 🙂 (Agora, vocês já sabem que sim, pois, estão lendo isso no meu Blog.) 🙂


E, de onde tirei que o Facebook era relevante para a problemática que discorro? Para ter uma ideia do quão significante era meu investimento de tempo na rede, eu instalei um programa no meu celular (“QualityTime” para quem se interessar) para medir quanto tempo passo por aqui. Em geral, uso o Facebook para debater e escrever sobre o que me interessa. Nos últimos 3 meses, eu superei 60 horas de uso do Facebook, fora algum momento em que usei o PC como método de acesso. Então, coloquemos 80 horas (um terço a mais).

Bem, um aluno universitário mediano deveria ler, em média, 450 palavras por minuto (Do You Read Fast Enough To Be Successful?).
Usando uma fonte Arial, 12, com espaço simples, isso dá (também, em média) uma página por minuto.

Isto me leva a concluir que eu poderia ter lido umas 4.800 páginas de teorias importantes, sobre os temas que mais gosto como Direito, Filosofia, Economia, Política, mas, fiquei aqui, debatendo com meia dúzia de bons argumentadores (obrigado a todos vocês, de verdade – são fundamentais na minha evolução e o motivo de eu continuar pesquisando, aprendendo e escrevendo), e um bocado de gente que já me acusou de pedante, de inventar textos para ser bajulado, de gente que escreve “não concordo” mas, não consegue ou não tem como defender o ponto que quer sustentar, e de gente que não perde tempo “com textão”… Eu não conheço nenhum bom livro, feito com “textinho”, repito. (Pode ser arrogância minha comparar um “textão meu”, com um bom livro? Definitivamente. Nem queria significar isso).
De todo modo e como nenhum dos que reclamam jamais leu um dos meus textos por inteiro, eles não têm como denunciar as falhas que fazem dos meus grandes textos (no sentido literal), apenas textos grandes (também, literalmente); sem qualidade. Em suma, você só saberá se um “textão” é apenas um texto grande, lendo. Depois, com o tempo, você já sabe o que esperar daquela fonte. Para o bem e para o mal.

Há quem diga “não concordo”, só para marcar uma posição que, como torcedor de um clube de futebol, sente ser a coisa certa a fazer. Mesmo que na lógica e na argumentação, não caiba a paixão como motor de uma discussão… Paixão leva a irracionalidade, e a irracionalidade leva a qualquer coisa, menos ao bom argumento.

O outro lado dessa história também não é muito motivador.
Eu não escrevo o que escrevo para que batam no meu ombro e digam “pô cara, que legal”.
Óbvio que fico feliz quando meu texto atinge padrão de construção textual e lógica, ao ponto de merecer a parabenização, mas, mais do que isso,  que ele mereça o tempo de tantas pessoas.

Isso tudo realmente me deixa orgulhoso e feliz, mas, não; esse não é objetivo central da escrita que faço.
Bem mais que o “parabéns”, quando sou confrontado com opinião contrária, o melhor possível ocorre: Sou obrigado a defender meus argumentos e melhorar a qualidade deles, com novos autores, e novos fatos. Isso é o melhor dos mundos, para mim. E se não consigo melhorar meus argumentos, melhor ainda. Acabo descobrindo que minha visão de mundo não é perfeita, e não resiste à toda a complexidade da realidade. E aí, aprendo com quem está falando e me mostrando algo que não posso justificar com a visão atual.
Mas, isso já não acontece mais. As pessoas não querem debater. Querem vencer. E se não vislumbram como “ganhar”, não se envolvem.
“Aprendizado” não é tido como prêmio suficiente de um debate. Os novos advogados só aceitam causas ganhas…


Outro grande objetivo com o que escrevo e escrevi, até hoje, era (e é) ajudar quem não tem uma opinião formada a procurar os autores e os argumentos que possam ajudar a embasar uma opinião, seja a favor ou seja contra o que exponho; de repente, quando escrevo algo que incomoda, meu texto leva a pessoa do simples “não gostar”, ao saber de fato, por ela ter que pesquisar para responder. Ela saiu com opinião contrária à minha, mas teve que aprender o porquê para poder se opor, e aí, sinto que fiz minha parte.

Mas, essa pessoa não existe (mais). Quem não tem opinião e segue “contrariando o Facebook” e a necessidade de ter uma opinião sempre (o que é péssimo), geralmente odeia os “textões”. Talvez – e aqui, sou um pouco desleal e sem caráter, pois, não tenho provas – essa pessoa esteja na estatística dos 71% que não gostam de ler.

Lamentavelmente, se o Facebook tem esse péssimo habito de criar “bolhas de felicidade” e ele não é, nem representação da realidade, nem um espaço de convivência social, mas, um grande massageador de egos, ou um espaço para compartilhar fotos legais e vídeos engraçados e… Se essas são as únicas atividades consideradas “corretas” para serem feitas no Facebook, eu prefiro não perder mais tempo com ele.

Melhor do que 80 horas com fotos (fofas, não estou negando) de gatinhos, e vídeo de acidentes engraçados (é preciso rir; claro que é), eu vou tentar combater o que o bobo da corte fica dizendo repetidas vezes na minha cabeça: De que estou ficando inevitavelmente velho, sem me tornar sábio – o que poderia ser evitado.
Devo estudar mais, ler mais livros, e buscar conhecimento que autoridades (não por força de lei, mas, por esmero e uma vida de dedicação) nos assuntos que me interesso compartilharam com a raça humana.
Está tudo escrito, quando não está gravado em vídeo – meio que anda ficando mais comum para a divulgação de boas idéias; como exemplo, os vídeos do TED.com, em grande parte, já com legendas em português.

Agradeço, profundamente, a todos que sempre acompanharam, opinaram, e – segundo relatos dos mesmos 🙂 – esperaram pelo próximo texto.
É um grande orgulho que alguém sem a formação acadêmica em Jornalismo, História, Sociologia, Economia (…), como eu, faça textos que mereçam a atenção de qualquer pessoa.

Sinto certo orgulho por ter trazido à atenção do cotidiano corrido de cada um, temas que vislumbro atuais e fundamentais para o futuro do lugar e sociedade em que convivemos. É um pouco arrogante supor isso, eu sei, mas, gosto de pensar que são temas importantes, sim.

Nesse sentido, sou feliz pelo tempo dedicado a esta rede social.

No entanto, eu sigo ficando mais velho, sem ficar mais sábio. Tudo que posso fazer é tentar usar meu tempo da melhor forma possível para reverter essa tendência, já que a idade é “inevitável”.

O Facebook (e outras redes sociais), com tudo que expus, não me parece mais uma boa forma de investir meu tempo.

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